16ª edição

Artigo | Ser ouvido é o novo protagonismo na comunicação corporativa 

Por Redação

07/07/2025 16h04

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Por Daniela Gusmão, jornalista e sócia- fundadora da Agência Coreto  

Num mundo saturado de discursos, marcas e profissionais que não sabem escutar não têm vez.

Vivemos uma era barulhenta. Nunca se produziu tanto conteúdo, nunca se falou tanto, nunca se disputou tanto espaço na cabeça e no tempo das pessoas. Em meio a tanto ruído, é fato que quem ainda acha que comunicar é gritar mais alto está jogando fora tempo, energia e dinheiro. 

O algoritmo pode até entregar, a mídia paga pode até impulsionar, mas nada disso tem valor se a mensagem não faz sentido, não toca, não interessa e, sobretudo, se não é verdadeira. E aqui está a provocação que me move como profissional de PR e Comunicação: o desafio hoje não é falar, é ser ouvido. E receber atenção genuína exige muito mais que presença. É preciso ter coerência, relevância, respeito e, acima de tudo, sinergia e conexão. 

Não se conecta quem não escuta 

Se há algo que me parece urgente é que a comunicação corporativa precisa, mais do que nunca, ser um exercício de escuta ativa e profunda. A lógica da imposição, do “discurso”, não funciona mais. Quem não está disposto a dialogar e valorizar feedbacks não vai construir vínculo.  

Um exemplo claro disso é o que vemos frequentemente com marcas que tentam dialogar com públicos específicos sem fazer o dever de casa. O Nordeste, onde atuo, é talvez um dos maiores alvos dessas tentativas desastradas. Campanhas que romantizam, tratam de forma caricata ou criam estereótipos, acreditando que inserir uma gíria aqui, um sotaque forçado ali, é suficiente para gerar identificação. Isso não basta. Pelo contrário, afasta. 

Comunicar é, antes de tudo, reconhecer. É chegar com respeito, empatia, sabendo que quem entende do próprio território, da própria história, é quem vive nele.

 Estratégia não é volume, é contexto 

O excesso nunca foi tão ineficaz. Bombardear uma audiência com posts, releases, disparos e conteúdos sem contexto não constrói absolutamente nada. Pelo contrário: desgasta. 

Ser estratégico hoje não é sobre estar em todos os lugares, o tempo todo. É sobre alcançar os lugares certos, com a escuta calibrada, com repertório, com discurso alinhado com aquilo que se acredita e que o outro percebe como autêntico. Se não há verdade, não há conexão. E se não há conexão, não há comunicação. Há só ruído.

Marcas que querem plateia não constroem comunidade 

O erro clássico de quem ainda não entendeu a mudança de chave na comunicação é achar que audiência e comunidade são a mesma coisa. Não são. 

Audiência é sobre alcance. Comunidade é sobre relação.  Audiência mede quantas pessoas olharam. Comunidade mede quem ficou. Audiência se compra. Comunidade se conquista. 

E ninguém constrói comunidade sendo artificial, pasteurizado ou genérico. Isso vale para marcas, para empresas, para lideranças e também para nós, profissionais de PR. O público, seja ele interno, externo, consumidor, stakeholder ou investidor, percebe, com muita clareza, quem está sendo autêntico e quem está forçando autenticidade. 

O futuro da comunicação é humano 

A competência que diferencia quem faz comunicação de verdade se chama sensibilidade. É isso que sustenta uma comunicação que funciona, entrega significado, que transforma presença em reputação, conteúdo em relacionamento, interação em percepção de marca. 

E apenas para lembrar: PR nunca foi sobre disparar mensagens. Foi e sempre será sobre gerar conversas, criar encontros e vínculos. Nos dias de hoje isso exige disposição para sair do script, esquecer o automático, olhar e ouvir ao redor e fazer perguntas antes de oferecer respostas. 

Para finalizar, comunicar atualmente é entender que, para ser ouvido, é preciso primeiro fazer por merecer ser escutado.