No Dia do Cinema Brasileiro, o Nosso Meio apresenta uma análise sobre a fase atual da Indústria Cinematográfica Nacional que vive um momento de retomada, crescimento e maturação
A publicidade brasileira se tornou uma das protagonistas do 72º Festival Internacional da Criatividade, mais conhecido como Cannes Lion. Nos três primeiros dias de premiação, 18 agências brasileiras conquistaram juntas 74 troféus em diferentes categorias, revelando a potência que a nação para produzir conteúdo de impacto para diferentes audiências. Mas para além da publicidade, outra área também ganhou destaque em Cannes: o cinema.

No dia 24 de maio, o filme O Agente Secreto fez história ao ganhar duas Palmas de Ouro no 78º Festival de Cannes. Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura foram reconhecidos, respectivamente, pelos seus trabalhos na direção e na atuação principal do longa-metragem, que também foi agraciado com o prêmio de melhor filme pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci). Além de O Agente Secreto, O Riso e a Faca, uma co-produção entre Portugal, Brasil, França e Romênia, também se destacou com a vitória da cabo-verdiana Cleo Diára no prêmio de Un Certain Regard de Melhor Atriz.
Apesar de não ser a primeira vez que conquista uma troféu em Cannes, é notório que o Cinema Brasileiro vive uma fase de maturação e reconhecimento nacional e internacional. Ainda Estou Aqui, por exemplo, conquistou a crítica no ano passado, garantindo a primeira estatueta do Oscar a Pátria Amada. Mas para além disso, o público também se fez presente, com uma audiência de 6 milhões de pessoas, que também ajudaram a mover a indústria nacional. Indústria essa, que também se regionaliza a cada dia.

No Ceará, por exemplo, o Governo do Estado investiu quase R$ 130 milhões no período entre 2014 e 2024 em políticas estruturantes para o setor audiovisual. Ao todo, foram publicados 10 editais que beneficiaram 574 agentes culturais e contemplaram 727 projetos distribuídos em 69 municípios. O resultado culmina em 2025 com a presença de quatro filmes produzidos em Fortaleza no mesmo festival que premiou O Agente Secreto.
É válido lembrar que fomentar o Cinema Brasileiro não se resume a fomentar apenas uma arte que entretém, provoca e gera reflexões. O cinema e o audiovisual como um todo também são espaços de conexão e atração de quem consome. Ele é capaz de movimentar o turismo com a consolidação de cartões-postais; a moda ao influenciar estilos e comportamentos; os diferentes tipos de varejo ao gerar identificação entre um personagem e alguém do público na hora de consumir um produto. Em síntese, o cinema, como toda forma de arte, é capaz de conectar quem vende e quem consome.

Em 2025, o Cinema Brasileiro tem expectativas de crescimento, impulsionado pelo aumento de investimentos e pelas políticas de incentivo à produção nacional. Obras como Vitória e Homem com H deixam claro que o público está retornando às salas, produzindo bilheterias que ultrapassam a casa dos R$ 10 milhões. Essas demonstrações mostram que a 7ª Arte da Pátria Amada ainda pulsa, contando histórias da nossa gente e colocando-a em holofotes para que o mundo sinta um gostinho da riqueza da cultura nacional.
No mais, um viva ao Cinema Brasileiro.
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