Do setor público ao privado, profissionais listam os principais aspectos para se comunicar nesta era digital
Inteligência Artificial (IA), conectividade, instantaneidade e muitas outras tendências têm ditado a comunicação ao redor do mundo, transformando não apenas as relações pessoais, mas também a forma como as empresas se comunicam com os públicos de interesse. Em relação à IA, um estudo realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), em parceria com a Cortex, revelou que 58% das empresas, de diferentes setores, já utilizam a tecnologia nos setores de comunicação e 76% integram a inteligência artificial em suas operações.
Ao trazer avanços e propor novos fluxos de trabalho, a Inteligência Artificial se mostra cada vez mais integrada à rotina empresarial, alcançando variados setores. Segundo a pesquisa “Transformando o futuro: adoção de Inteligência Artificial nas empresas brasileiras”, do Instituto de Formação em Tecnologia e Liderança (IFTL), as empresas de tecnologia ainda são as que mais utilizam a IA, representando 38% dos respondentes, mas o investimento também tem crescido em áreas como educação (11%), serviços financeiros (12%) e consultoria (8%).
O impacto dos dados
Neste cenário de avanço tecnológico, os dados são considerados os principais insumos para as organizações, possibilitando a tomada de decisões mais estratégicas e comunicações mais assertivas. De acordo com a pesquisa “Cultura de Dados, Mensuração e Inteligência Artificial na Comunicação”, divulgada em outubro de 2024 pela Aberje em parceria com a Cortex, o uso de dados sistematizados é muito presente nas áreas de comunicação das empresas, incluindo comunicação digital (87%), publicações digitais (72%), reputação corporativa (68%), relacionamento com a imprensa (68%) e valor da marca (67%).
Além disso, 65% das empresas afirmam possuir uma cultura de dados estabelecida na comunicação, abordagem que reforça a importância da mensuração e da inteligência artificial nos processos comunicacionais. Por outro lado, áreas de comunicação ainda se posicionam em nível inicial em aspectos como Inteligência Artificial (37%) e a Arquitetura de Dados (35%).
Dados, inteligência artificial e campanhas publicitárias
Se a inteligência artificial muda as rotinas das empresas, ela também traz mudanças para a forma como estas empresas se comunicam em suas campanhas publicitárias. Esta realidade tem sido demonstrada pelas grandes marcas, a exemplo da Coca-Cola que reproduziu a campanha de Natal apenas com imagens geradas pela IA.
“O papel da criatividade na publicidade na era da Inteligência Artificial é o de humanizar os dados, tanto de mídia quanto de estratégia, por meio de insights que adicionem uma camada mais emocional e original à comunicação. Já os insights criativos guiam a busca dos dados por caminhos originais, para não se chegar aos mesmos territórios da comunicação de concorrentes e ser, de fato, disruptivo”, reflete Nelson Vilalva, CEO da Agência NOVA.

Neste sentido, o executivo também acredita que os dados são indispensáveis para este futuro, que, hoje, já se aproxima do presente.
“O criativo terá que se abastecer de dados com olhar atento e sensível para como o público os percebe. Esse entendimento é vital para que os anunciantes alcancem resultados mais promissores em termos de conversão e retenção do que apenas em alcance e exposição. Mesmo em tempos de dados, o diferencial é o olhar humano”, finaliza.
Desafios para pequenas empresas
Com a transformação digital, cresce também a busca por capacitação das empresas de pequeno porte, que procuram alternativas para manter a competitividade no mercado. Dentro desta realidade, o Sebrae trabalha para tornar a comunicação mais eficiente e acessível, utilizando a comunicação digital para capacitar micro e pequenos empreendedores em todo o Brasil, com conteúdos interativos, webinars e inteligência de dados.
“O Sebrae procura, cada vez mais, orientar e, ao mesmo tempo, criar espaços de democratização das redes e de desenvolvimento de plataformas próprias de conexão entre as pequenas empresas e seu público consumidor. Isso envolve uma série de iniciativas que vão desde videocasts, bancos públicos de imagens e recursos visuais, bem como a diversificação através do investimento em plataformas alternativas e emergentes”, explica Felipe Damo, gerente de comunicação do Sebrae.

Assim, a inteligência artificial é uma realidade também para as micro, pequenas e médias empresas no Brasil. Um estudo da Microsoft e Edelman Comunicação aponta que 74% dessas empresas utilizam IA, com aplicações direcionadas, em sua maioria, para aprimorar a experiência do cliente, aumentar a eficiência operacional e garantir a continuidade dos negócios.
Comunicação no setor público
Com o avanço da tecnologia e a multiplicação dos meios de comunicação, os governos adotam estratégias diversas para alcançar os cidadãos, utilizando desde canais tradicionais até as plataformas digitais, trazendo desafios mais complexos de informação.
“A comunicação pública enfrenta um cenário cada vez mais desafiador, marcado pela fragmentação das mídias e pelo protagonismo das redes sociais. Para a Propeg, o papel da comunicação pública no futuro será o de fortalecer o elo entre instituições e sociedade, promovendo diálogos transparentes, inclusivos e relevantes”, destaca Victor Barros, CEO da Propeg.

Para Victor, é necessário se adaptar às diferentes plataformas para ter uma comunicação assertiva. “O desafio está em adaptar as narrativas para diferentes plataformas, sem perder a consistência da mensagem e o compromisso com o interesse público. Isso exige uma abordagem integrada, que combine dados, tecnologia e criatividade para engajar públicos diversos de forma autêntica, construindo confiança e promovendo a cidadania ativa”, aponta o executivo.
Alinhada à comunicação governamental, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos — Apex Brasil, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atua para promover produtos brasileiros em eventos internacionais — como feiras, fóruns empresariais, encontros e rodadas de negociação — e também na conexão com pequenos empresários para qualificação e abertura de mercado. Neste contexto, Helena Chagas, gerente de marketing e comunicação na Apex Brasil, destaca:
“A comunicação tem um papel também fundamental, que é fazer as campanhas para que as empresas venham, façam nossas qualificações e se tornem exportadoras. Então, a nossa ação em relação ao Comércio Internacional tem sido nesses dois eixos [promoção de produtos e conexão com pequenos empresários] e tem dado muito certo, nessa gestão do presidente Jorge Viana.”

Jornalismo na era digital
Marcado pela informação ágil, formatos multimídia e uma presença cada vez mais forte nas redes sociais, o jornalismo na era digital passa por muitas transformações e vive um contexto de constante adaptação ao novo modelo de comunicação no qual vídeos curtos, áudios e recursos interativos complementam o texto tradicional, enquanto a instantaneidade das redes sociais redefine o consumo e a distribuição de conteúdo. Por isso, a principal ferramenta dos profissionais continua sendo a credibilidade.
“As redes sociais e as plataformas de mensagens também nos permitiram nos aproximar dos leitores que estão sempre vigilantes em apontar erros, criticar e dar sugestões. O Metrópoles não tem medo em ser transparente com os nossos métodos de apuração. Acreditamos que ao explicar para o público como funciona o processo jornalístico, nós aumentamos a confiança dos leitores na marca Metrópoles e no jornalismo profissional”, compartilha Lilian Tahan, CEO do Metrópoles.

Para a profissional, esta construção deve ter início na contratação de profissionais experientes, apuração rigorosa e produção de conteúdo relevante, combatendo a desinformação com jornalismo de qualidade. Combinado a isso, vem o investimento em novos formatos de comunicação para engajar com o maior número de leitores.
“Hoje, as pessoas não necessariamente leem um texto jornalístico para se manter informadas. O papel do jornalista atualmente, além de informar, é conseguir atingir todas as gerações com conteúdo de qualidade. Por isso, os profissionais do Metrópoles estudam como as pessoas se comunicam nas redes sociais”, ela explica.
Com esta linha de produção de conteúdo, os jornalistas do veículo podem explorar diferentes formas de compartilhar notícias, seja em vídeo no TikTok, galeria de fotos no Instagram, posts com links no Facebook ou conteúdo rápido no WhatsApp.
“Mudamos a forma conforme a sociedade muda, porque a construção do futuro da informação confiável é um processo contínuo, que exige adaptação constante às mudanças do cenário digital”, finaliza Lilian.