Revenue Operations: uma solução para a Guerra (nem sempre tão) Fria entre Marketing, Vendas e Sucesso do Cliente

Por Redação

29/08/2024 16h40

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Em mais um dia de trabalho, cheguei à sala de reuniões da empresa de tecnologia onde eu ocupava uma cadeira de C-Level. Os times de Marketing e Vendas já estavam reunidos para as discussões que se iniciariam em cinco minutos. Como percebi um clima diferente, contei uma piada para descontrair e começarmos tudo pontualmente.

Era uma reunião de SLA (Service Level Agreement) ou reunião de “passagem de bastagem”, como é popularmente chamada. No mês seguinte, a mesma conversa que tivemos se repetia:

“Nós batemos a meta de número de leads qualificados. Mas nossa taxa de conversão para contratos fechados ficou abaixo porque o Comercial não converteu”, disse o analista de Marketing

“Esses números não batem com a quantidade de leads qualificados que nós recebemos. Fora isso, esses leads não estavam tão qualificados assim”, respondeu o Gestor Comercial

“Acabei de ver na ferramenta e os leads são essa quantidade sim! E baseado em quê você afirma que não são qualificados?”, retruca, já impaciente, o Gestor de Marketing.

Essa é uma conversa real e que está cada vez mais presente nas organizações. Mercado exigente, pressão da concorrência, margens apertadas, internet exigindo cada vez mais agilidade nas entregas, omnichannel, enfim… a realidade é quase igual ao filme ganhador de vários prêmios Oscar, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. É o que se vive, atualmente, na maioria das organizações, principalmente as de crescimento acelerado.

E esse dilema terá solução algum dia? Não faz parte do game? É melhor aceitar que será sempre assim? Talvez essas respostas sejam óbvias, mas uma solução oriunda das pioneiras do Vale do Silício chegou no Brasil e estamos conseguindo grandes resultados, com as devidas adaptações para o formato tupiniquim. 

Revenue Operations (Operações de Receita), abreviado como Revenue ou RevOps, é a criação de uma área estratégica na empresa, que visa integrar e otimizar as operações de Marketing, Sales (Vendas) e Customer Success (Sucesso do Cliente ou o antigo Pós-Venda) em uma estrutura totalmente interligada. Essa metodologia busca eliminar os silos tradicionais entre essas áreas, as famosas “ilhas de excelência”, promovendo uma colaboração mais eficaz e uma melhor experiência para o cliente, o que, por sua vez, potencializa a geração de receita.

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Alguns princípios fundamentais do RevOps incluem:

Integração de Dados: como costumo afirmar: “o juiz é o dado”. Ou seja, é preciso unificar informações de diferentes departamentos para garantir que todos tenham acesso a dados consistentes e relevantes. Isso torna o trabalho e os debates mais objetivos e menos dependentes de achismos e feeling

Colaboração Interdepartamental: Fomentar uma cultura de trabalho em equipe, onde as equipes de Marketing, Vendas, Sucesso do Clientes, e suas subdivisões se apoiem mutuamente. Aqui, entram tanto as métricas quanto os processos em conjunto.

Foco na Experiência do Cliente: a cadeia de valor da empresa não é pensada de dentro para fora (somente a interligação dos setores, por exemplo). O processo macro é pensado do ponto de vista do cliente, ou seja, da jornada que ele percorre desde o momento em que é um total estranho à marca até quando se torna um cliente que recompra e indica a empresa. Alinhar todos os esforços em torno da jornada do cliente é primordial para que cada interação seja positiva e informada.

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A implementação do RevOps traz diversos benefícios, entre os quais se destacam:

Aumento da Eficiência: ao eliminar barreiras entre departamentos, as empresas podem operar de maneira mais ágil e responsiva, com um quadro de colaboradores mais enxuto e sênior, onde se torna mais fácil a gestão e o gerenciamento de rotina.

Melhoria na Experiência do Cliente: com uma visão unificada da jornada do cliente, as empresas podem oferecer um atendimento mais personalizado e eficaz, uma vez que a tecnologia integrada e o processo vão garantir o input de dados em tempo real e evitar passar o cliente de mão em mão para resolver suas necessidades. 

Crescimento Sustentável: A colaboração entre as equipes resulta em estratégias mais eficazes para a geração de receita, aumentando a capacidade de retenção e satisfação do cliente.

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Para implementar uma estratégia de RevOps, as empresas devem seguir algumas etapas-chaves:

Levantamento inicial: compreender a situação atual das operações e identificar áreas de melhoria. Indicamos começar com um Plano de Ataque, para identificar rapidamente as rupturas mais expostas e garantir os famosos “quick wins”. 

Definição de Metas: estabelecer objetivos claros que alinhem as equipes em torno de resultados comuns. Escolhemos a abordagem do OMTM (One Metric That Matters), ou seja, a única métrica principal que importa é o que vai nortear o time, mesmo sendo necessário as métricas setorias para detalhar a meta maior. 

Estruturação da Equipe: por se tratar de um conceito novo no Brasil, temos muito o que aprender com as empresas que já aplicaram e tiveram ótimos resultados. Criar uma equipe de RevOps não é uma tarefa fácil, por exigir profissionais preparados diante de um momento de apagão de mão de obra qualificada no mercado. Mas como costuma dizer a Cris Junqueira, fundadora do Nubank: “se fosse fácil, já estava feito, concorda?”.  

Monitoramento e Otimização: Utilizar dados para avaliar o desempenho e fazer ajustes contínuos nas operações. Um dos princípios que adotamos é o fail fast, learn faster, ou seja, precisamos mensurar continuamente e ajustar com rapidez. Mais importante que fazer planos gigantescos e estruturados é testar hipóteses e corrigir com agilidade. O conceito de MVP e método ágil são trazidos do meio tech e aplicados com afinco nessa fase.

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O Revenue Operations representa uma mudança significativa na forma como as empresas abordam a Geração de Receita. Ao integrar Marketing, Vendas e Sucesso do cliente, as organizações não apenas melhoram a eficiência operacional, mas também proporcionam uma experiência superior ao cliente, essencial para o sucesso a longo prazo no mercado competitivo atual. A tendência é que cada vez mais empresas adotem essa abordagem, reconhecendo seu papel crucial no crescimento sustentável e na maximização da receita.

As brigas continuarão existindo? Com toda certeza. Mas queremos direcionar para uma briga boa e inteligente: aquela em que todos não brigam entre si, mas brigam juntos para garantir o objetivo único que é a geração de receita, o crescimento do negócio e seu próprio crescimento profissional. 

Fernanda Rocha
CRO e Estrategista em Revenue Operations
CEO da Revening Educação e Estrategista em Revenue Operations, especializada na estruturação de modelos previsíveis e escaláveis de crescimento de receita, conectando Marketing, Vendas e Customer Success. Pioneira no Brasil como Chief Revenue Officer (CRO), há mais de 10 anos estrutura máquinas de crescimento baseadas em RevOps. Com mais de duas décadas de experiência executiva, sendo 10 anos em posições C-Level, atua como consultora e mentora de empresas em fase de crescimento e transformação. É colunista do portal Nosso Meio, onde assina a coluna Reviravolta, com reflexões sobre estratégia, liderança e crescimento. É mestre em Administração com foco em Marketing (UFC), especialista em Finanças (IBMEC) e graduada em Comunicação Social (UFC).