16ª edição

Do panfleto ao unboxing: como formatos simples e táteis conquistam atenção genuína

Por Redação

07/07/2025 17h57

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Linkedin

Enquanto pop-ups, vídeos de 15 segundos e timelines infinitas tomam conta dos dia a dia das pessoas,  um paradoxo ganha espaço no mercado de comunicação e design: a busca por formatos simples, físicos e sensoriais. Panfletos, fôlderes, embalagens e outros impressos voltam ao centro das estratégias de marcas que querem conexão real. E é justamente no toque, no cheiro, na textura e na surpresa de uma boa experiência de unboxing que eles estão encontrando essa rota.

Para Allyson dos Reis, cofundador e diretor de criação da agência Abracadabra, o excesso de estímulos digitais abriu uma brecha valiosa para experiências que resgatem o real. “Todo ponto traz um contraponto. O excesso de estímulos digitais, virtuais, de realidades aumentadas e inventadas, deixa espaço para marcas que querem apostar nos sentidos. Qualquer toque, forma, cheiro. Qualquer sensação que nos lembre ou nos traga para um tempo ou momento real, cria em nós um grande impacto e nos gera conexão e lembrança”, destaca.

Essa mesma sensibilidade aparece na prática da Sobral Gráfica, uma das maiores referências do setor no Nordeste. Fernando Hélio, diretor da unidade Fortaleza, destaca o impacto sensorial como diferencial competitivo. “Os acabamentos sensoriais chamam mais atenção. São relevos, hot stamping, laminação soft-touch, técnica essa que faz as cores saltarem aos olhos e dá um aspecto emborrachado, aveludado, muito gostoso de tocar. Às vezes dá vontade de colocar no rosto”, descreve.

Segundo Thaisy Barbosa, gerente de marketing da Diamantes Lingerie, a embalagem ganha essa notoriedade e importância em tangibilizar a experiência da marca, além do seu posicionamento, sua essência e a sua verdade. “Afinal, a embalagem é um ponto de comunicação que cria valor para a marca junto ao cliente na sua jornada”, disse. Para ela, a peça representa o tão esperado contato “do cliente com a marca e o produto”.

Unboxing

A experiência de abrir uma embalagem, o chamado unboxing,  se tornou um capítulo à parte na jornada de consumo. É ali que a marca pode emocionar, encantar e contar uma história sem precisar de palavras. Para Allyson, esse movimento não é de hoje, mas se fortaleceu. “Desde que Steve Jobs falou que boa parte do sucesso dos produtos da Apple vinha do cuidado com as embalagens, marcas de todos os segmentos começaram a se debruçar criativamente sobre esse tema. Bom para o design!”, comenta. A chave, para o diretor de criação da Abracadabra, é entender bem a jornada de compra e o perfil do público para criar pequenas surpresas, de forma fluida, intuitiva e conectada.

Mas a mágica vai além da estética. A impressão, seja em papel ou em uma embalagem bem pensada, transmite algo que o digital, sozinho, não consegue entregar: credibilidade. “A mídia impressa transmite credibilidade. Um portfólio bonito, bem acabado, transmite as qualidades da empresa para o consumidor. Isso vale também para a embalagem; ela precisa comunicar todas as boas características do produto que embala. Muitas vezes, a pessoa não pode tocar no produto. É a embalagem que fala por ele”, afirma Fernando Hélio.

Case

Na prática, o processo de desenvolvimento de embalagens sensoriais tem gerado resultados tangíveis. Thaisy Barbosa compartilha que, em datas sazonais, a Diamantes Lingerie cria embalagens temáticas, cativando periodicamente o público de forma única e personalizada. Recentemente, conta Thaisy, a marca uniu o posicionamento da Diamantes Kids com a Turma da Mônica. A ideia do collab era resgatar a infância simples e as brincadeiras que educam. 

“Nessa coleção, para os kits calcinhas e cuecas, desenvolvemos caixas em que as abas se destacam como cartões e formam jogos da memória, com personagens icônicos como Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. “A ideia tem sido um grande sucesso entre os nossos clientes, que conseguem, através da história contada pela experiência com a embalagem, conectar a Diamantes e a Turma da Mônica com infância, nostalgia e muitas memórias afetivas para pais e filhos”. 

Para Fernando Hélio, essa personalização crescente está mudando também o perfil dos pedidos gráficos. “Hoje se fazem pedidos com muito mais direcionamento. Muitas vezes é produzido até um único material para cada pessoa, com as características de cada público. A preocupação hoje é com materiais mais personalizados e assertivos”, conclui.