2ª Edição-Brasília

Executivas em Foco | Leticia Pineschi: uma liderança que conecta estratégia, cultura e pessoas

Por Redação

02/06/2025 10h00

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Com uma trajetória marcada por decisões estratégicas e foco no desenvolvimento humano, Leticia Pineschi tem ajudado a redefinir o cenário do transporte rodoviário no Brasil. Ao Nosso Meio, ela fala sobre os desafios de liderar em um ambiente multigeracional, a importância da cultura organizacional na prática diária e o legado que deseja construir para futuras lideranças — especialmente para as mulheres do setor.

NOSSO MEIO | NM: Você ocupa uma posição de liderança em um grande grupo empresarial. Que momentos ou decisões marcaram sua trajetória até aqui, e o que mais moldou seu estilo de gestão

Leticia Pineschi: Na Guanabara, seja qual for a área, nosso estilo de gestão é orientado por visão de futuro, ética, capacidade de decisão em diferentes contextos, delegação estratégica e desenvolvimento de pessoas. Acreditamos que os líderes devem ser exemplo, inspirar confiança e criar as condições para que a equipe alcance seu máximo potencial, adaptando-se de forma ágil e inovadora aos desafios do ambiente empresarial. Nesse ambiente, cresci e amadureci profissionalmente, me tornando o que sou hoje. Meu maior desafio sem dúvida foi liderar a unificação da marca rodoviária Guanabara no Brasil, projeto lançado em 2022 e que permanece nos desafiando até hoje.

NOSSO MEIO | O que você considera essencial para manter a coerência entre cultura organizacional e prática diária nas equipes que lidera?

Leticia Pineschi: Comunicação clara, processos alinhados, feedback contínuo, contratação por fit cultural, autonomia responsável e monitoramento constante. Quando esses elementos estão presentes, a cultura deixa de ser um quadro na parede e passa a ser vivida em cada decisão, interação e resultado das equipes. Essa é a base para construir organizações autênticas, resilientes e de alta performance. A coerência entre cultura e prática diária nasce do exemplo da liderança.

NOSSO MEIO | Quais habilidades ou comportamentos você mais valoriza nos novos talentos que chegam às empresas hoje? O que chama sua atenção?

Leticia Pineschi: O que mais chama atenção é a combinação de competências.  Os novos talentos que se destacam são aqueles que unem comunicação eficaz, inteligência emocional, pensamento crítico, organização, aprendizado contínuo e domínio tecnológico, sempre com autoconhecimento e capacidade de adaptação às mudanças do mercado.

NOSSO MEIO | Liderar em Brasília tem particularidades. Como o ambiente da capital, com seu ritmo, sua pressão e sua dinâmica político-institucional, impactam sua atuação como executiva?

Leticia Pineschi: Liderar em Brasília traz realmente particularidades, contudo, não tenho uma atuação apenas local, acho que isso ajuda a aliviar a pressão e ajuda a ter uma visão mais global. Porém, quando no ambiente político-institucional da capital é preciso saber navegar com habilidade entre diferentes interesses e atores, mantendo o foco na eficiência. Implica também lidar com a diversidade e a complexidade do serviço público, onde a liderança deve privilegiar a ética.

NOSSO MEIO | Como você enxerga o papel da liderança no cuidado com a saúde mental dos colaboradores, especialmente em um mercado exigente como o de Brasília?

Leticia Pineschi: Líderes têm a responsabilidade de criar ambientes de trabalho que façam a equipe sentir-se mais leves, atividades de observação e imersão em ambientes diferentes da rotina podem favorecer. Ambientes psicologicamente seguros, onde os colaboradores se sintam acolhidos, possam expressar suas preocupações sem medo de retaliação e tenham suporte para lidar com o estresse e as pressões do dia a dia. Na prática, acredito que é necessário estimular e dar espaço à criatividade com dinâmicas. Sempre fazemos alguns offsites, participamos de summits, promovemos networking, dentre algumas das práticas que podem servir de válvula de descompressão para nossos profissionais.

NOSSO MEIO | Em um cenário de múltiplas gerações convivendo nas organizações, como sua empresa tem se preparado para educar, comunicar e engajar essas diferentes realidades?

Leticia Pineschi: Acredito muito nesse ambiente multigeracional, acho que a riqueza está exatamente aí. Para integrá-los, programas de mentoria reversa e o incentivo à escuta ativa e ao respeito são fundamentais. Os novatos não estão prontos e os veteranos precisam de reciclagem. Logo, nada melhor que trabalhar em equipe para que se obtenha a melhor performance.

NOSSO MEIO | O que te move na carreira? E que legado você gostaria de deixar para outras mulheres que estão hoje trilhando esse caminho?

Leticia Pineschi: Eu me sinto jovem para acreditar que já experienciei tudo e aprendo todos os dias mais alguma coisa. O segmento em si é muito gratificante, pois a matriz de transporte nacional é rodoviária e movemos o país. Saber disso dá uma enorme satisfação em trabalhar. Por outro lado, o marketing no modal é algo relativamente novo, as empresas trabalhavam mais com relacionamento com o cliente do que publicidade em si, tive e tenho a oportunidade de fazer escola na área, testar conceitos, deixar um imenso legado para as próximas gerações, de meninos e meninas do marketing rodoviário. Mulheres são sempre muito bem vindas no setor, pois podem agregar muito a esse cenário.