Com estilo horizontal e valores contemporâneos, jovens líderes desafiam modelos tradicionais nas empresas
A geração Z, composta por pessoas nascidas entre 1997 e 2010, começou a ocupar posições de liderança no mercado de trabalho. Ainda que represente uma parcela jovem da força produtiva, esse grupo já demonstra características próprias ao assumir papéis de gestão.
Segundo dados do InstitutoZ, apenas uma a cada dez empresas no Brasil afirma ter pessoas da geração Z em cargos de liderança. Apesar da baixa representatividade, o número tende a crescer à medida que os profissionais mais jovens amadurecem em suas carreiras. Para os que assumem postos de liderança, os desafios são acompanhados por novas abordagens, que envolvem maior preocupação com propósito, bem-estar e inclusão.
Os mais jovens também demonstram familiaridade com ferramentas digitais que favorecem o trabalho em equipe, como a plataforma Miro, usada para criar organograma online e organizar fluxos de tarefas de maneira visual e colaborativa. E a combinação entre valores e habilidade tecnológica marca uma transição no modelo de liderar. Em vez de reforçar a autoridade por meio de hierarquia rígida, a Geração Z tem optado por estilos mais horizontais.
Líderes Z são mais diversos, acessíveis e autênticos
O levantamento “Carreira dos Sonhos”, da Cia de Talentos, destaca que esses profissionais consideram essencial um ambiente de trabalho inclusivo, onde diferentes histórias e pontos de vista sejam reconhecidos. Esse entendimento tem levado a práticas como mentorias entre pares de diferentes perfis, reorganização de equipes com foco em pluralidade e abertura para sugestões de colaboradores de todos os níveis.
Segundo o mesmo estudo, a geração Z prefere líderes acessíveis e autênticos, que compartilham dificuldades e estejam dispostos a aprender com a equipe, visão que rompe com a ideia tradicional de “liderança infalível” e contribui para a construção de relações mais horizontais e baseadas na confiança. Além disso, há um esforço por parte dessa geração em equilibrar desempenho e saúde mental. A pesquisa revela que a qualidade de vida é prioridade para 38% dos jovens respondentes, superando fatores como segurança financeira e carreira.
Dados do InstitutoZ indicam, também, que a geração Z tende a rejeitar formalidades e estruturas hierárquicas rígidas, preferindo interações que promovam conexão e eficiência. Dessa forma, estimulam trocas rápidas, linguagem acessível e feedbacks. No entanto, os desafios ainda existem. A pesquisa aponta que 90% das empresas ainda associam a geração Z à ideia de “viciada em internet” e 75% acreditam que seu impacto nas vendas é limitado. A percepção contribui para a resistência em promover jovens para cargos estratégicos.
Geração Z se comporta com apatia
Por outro lado, de acordo com o fundador da Trope, responsável pelo InstitutoZ, Luiz Menezes, esse grupo de jovens também analisa se está disposto a permanecer por mais tempo na mesma empresa, a ponto de ser promovido a algum cargo de liderança.
“Para conseguir crescer na empresa, esse jovem vai ter que se dedicar, e o tempo é muito longo, os treinamentos são defasados, tudo é penoso. Ele olha para a vida dele e vê tudo que aconteceu em cinco anos e começa a se perguntar: ‘Será que faz sentido eu ficar cinco anos da minha vida aqui dentro?'”, afirma.
Segundo o levantamento da Cia de Talentos, 54% dos jovens da geração Z querem ser líderes. O percentual é 13 pontos abaixo da pesquisa realizada há dez anos. A apatia da geração Z – 40% desses jovens sentem-se apáticos – pode ser uma das razões para o índice.
“A apatia leva a uma estagnação dos sonhos, e essa é uma preocupação, pois, se esse grupo representa o futuro da força de trabalho, precisamos trabalhar coletivamente para ajudá-los a enxergar esse futuro de maneira mais otimista e promissora”, considera a sócia e co-CEO da Cia de Talentos, Paula Esteves.