15ª edição

Matéria | Uma imagem NÃO vale mais que mil palavras

Por Redação

09/03/2025 15h14

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Com a evolução acelerada da inteligência artificial (IA) na criação de conteúdos visuais, a máxima “uma imagem vale mais que mil palavras” já não vale mais. Agora, ver uma foto ou mesmo um vídeo não significa que o conteúdo visto é verdade. E o uso da IA segue em crescimento exponencial. De acordo com uma pesquisa global realizada pela Lenovo em parceria com a IDC, espera-se que os gastos com inteligência artificial tripliquem em 2025, em comparação com o ano passado, representando quase 20% dos orçamentos de tecnologia das empresas. Além disso, a previsão é que a adoção de aplicações de IA generativa aumente de 11% para 42% no mesmo período.

Esse cenário de rápida expansão tecnológica traz preocupações relacionadas à autenticidade das informações e à confiança do público. A advogada consultiva empresarial Lia Andrade, especialista em Propriedade Intelectual e Compliance, destaca que “os desafios e riscos do crescimento acelerado da IA variam conforme cada empresa adota a tecnologia. A escolha de onde a IA será aplicada é um fator determinante, pois o impacto e os riscos mudam de acordo com o setor”, afirma.

A capacidade da IA de criar imagens e vídeos altamente realistas levanta questões sobre a veracidade do que está sendo consumido diariamente nos meios de comunicação e nas redes sociais. A proliferação de deepfakes e conteúdos manipulados pode comprometer a reputação de pessoas e marcas, tornando essencial a implementação de medidas preventivas.

Para mitigar os impactos negativos e proteger a confiabilidade da informação, as empresas devem adotar práticas responsáveis no uso da IA. Lia Andrade explica: “o primeiro passo é garantir que os sistemas de IA sejam utilizados com responsabilidade, incluindo a definição de diretrizes éticas claras e a supervisão contínua dos conteúdos gerados. A validação humana é essencial para evitar a disseminação de informações erradas ou enganosas”, ressalta.

Além disso, a especialista destaca que “a proteção da privacidade e dos dados sensíveis é crucial. Vazamentos ou usos indevidos de informações podem comprometer a reputação da empresa, tornando imperativo o investimento em segurança cibernética e conformidade com regulamentações de proteção de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”. 

No jornalismo, a própria IA e os métodos tradicionais ajudam a combater fake news

No âmbito jornalístico, a disseminação de informações falsas potencializadas por IA exige uma postura ainda mais vigilante. A jornalista Patrícia Raposo, fundadora e CEO do portal Movimento Econômico, enfatiza que veículos sérios devem manter o compromisso com a verificação rigorosa dos fatos. “A IA eleva a manipulação e a mentira a uma escala bem maior, mas fake news não são algo novo no jornalismo. Quem tem compromisso com a informação checa”, afirma.

Para combater a propagação de notícias falsas, Patrícia destaca a importância de utilizar a própria tecnologia a favor da verdade. “No Movimento Econômico, temos combatido o inimigo com as armas dele. Usamos a IA para checar se a informação é verdadeira ou falsa. Também recorremos a métodos tradicionais, como o telefone. Se há dúvida, ligamos”, compartilha.

Casos recentes ilustram os perigos das manipulações digitais, destaca a jornalista. “Vídeos falsos atribuídos ao Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, circulam nas redes sociais, contendo declarações inexistentes sobre taxações diversas. Ele é um alvo vulnerável pelo cargo que ocupa. Já vimos vídeos falsos usando a imagem dele dizendo que taxaria os pobres”, finaliza Patrícia.