Responsabilidade

Cimento Apodi aproxima indústria e universidade para transformar desafios reais em soluções de inovação

Por Redação

22/10/2026 11h02

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Parceria com a UFC leva projetos desenvolvidos no Ceará para dentro da indústria e conecta pesquisa, tecnologia, formação de talentos e novas oportunidades de negócio

Transformar desafios da indústria em problemas de pesquisa é uma das frentes adotadas pela Cimento Apodi para desenvolver soluções de inovação. A estratégia aproxima a empresa de universidades, estudantes e pesquisadores e busca levar projetos desenvolvidos no ambiente acadêmico para aplicações dentro da operação industrial.

Um exemplo recente ocorreu no III Congresso Apodi de Sustentabilidade e ESG, realizado em agosto, que recebeu cinco projetos selecionados por meio de um edital conjunto com a UFC Inova. As propostas foram escolhidas pelo potencial de aplicação em sustentabilidade, inovação e descarbonização da indústria cimenteira e apresentadas em formato de pitch a representantes da indústria, pesquisadores e especialistas.

Entre os projetos, o Ecolenha, Transformando Plantas Aquáticas em Energia Limpa para Descarbonização da Indústria Cimenteira, ficou em primeiro lugar e seguirá para o Programa de P&D da Apodi. A equipe responsável deverá elaborar um plano de negócios, que passará por análises técnica e financeira.

A proposta utiliza macrófitas aquáticas invasoras, como o aguapé (Eichhornia crassipes) e a taboa (Typha angustifolia), para produzir briquetes de biomassa com desempenho energético. A ideia é utilizar o material como alternativa parcial à lenha convencional e a outros combustíveis sólidos empregados em processos industriais, associando o aproveitamento de espécies invasoras à busca por alternativas de menor impacto ambiental.

A aproximação entre indústria e academia também já resultou em uma aplicação de inteligência artificial dentro da operação da empresa. Em 2019, a Cimento Apodi estabeleceu uma parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), campus de Russas, para buscar uma solução para um desafio específico da unidade do Pecém: otimizar o funcionamento de um moinho de cimento.

O projeto reuniu engenheiros da empresa e estudantes de Engenharia de Software, Ciências da Computação e Engenharia de Produção durante 12 meses, com apoio da área de tecnologia do Grupo Titan, acionista da companhia.

O resultado foi um sistema de inteligência artificial capaz de acompanhar variáveis do processo e indicar configurações mais eficientes para a operação. A solução evoluiu desde então e atualmente analisa 276 variáveis, processando mais de 2 milhões de combinações a cada 30 segundos. O sistema também foi expandido para os moinhos de Quixeré.

Segundo dados apresentados pela empresa, a aplicação contribuiu para aumento de até 13% na produtividade, crescimento de até 10% na capacidade instalada, redução dos custos de produção e menor consumo de energia, água e combustíveis fósseis, além da redução das emissões de gases de efeito estufa.

“O que queremos é aproximar cada vez mais a pergunta da indústria da capacidade de resposta da academia. Quando colocamos um desafio real diante de estudantes e pesquisadores, criamos um ambiente em que o conhecimento pode ser testado, aprimorado e transformado em uma solução. Isso beneficia a indústria, mas também fortalece a formação de talentos e cria possibilidades para que pesquisas avancem para aplicações e novos negócios”, afirma Hilberto Feitosa, diretor Industrial da Cimento Apodi.

Para Gerson Ribeiro, coordenador de Automação e Digitalização da empresa, o uso da tecnologia também modifica a atuação dos profissionais envolvidos na operação. “A inteligência artificial aprende com o passar do tempo e melhora sua performance quando é treinada. Com isso, os profissionais passam a atuar de maneira mais analítica, acompanhando os dados, avaliando os resultados e contribuindo para a evolução contínua da tecnologia e da produção”, afirma.

Indústria como ambiente de experimentação

A experiência integra o programa Apodi 4.0, que recebeu mais de R$6 milhões em investimentos em digitalização e inteligência artificial nos últimos dois anos. Entre as soluções desenvolvidas estão sistemas de visão computacional para prevenção de riscos em ambientes de segregação homem-máquina, inteligência artificial para previsão de resistência do cimento e virtualização de sistemas.

A lógica adotada pela companhia é utilizar problemas encontrados na operação como ponto de partida para projetos de pesquisa e desenvolvimento. Nesse modelo, estudantes e pesquisadores têm contato com processos e demandas industriais, enquanto a empresa amplia as possibilidades de testar soluções em situações reais.

“A indústria pode ser um espaço de aprendizado e experimentação. Quando abrimos nossos desafios para a academia, não estamos apenas procurando uma resposta para uma necessidade da empresa. Estamos ajudando a criar conhecimento aplicado, aproximando estudantes do mercado e estimulando que boas ideias avancem para além da universidade”, explica Hilberto.

A conexão também pode abrir caminho para que pesquisas desenvolvidas a partir de uma demanda específica encontrem outras aplicações. O percurso pode começar com um problema produtivo, avançar para uma pesquisa, chegar a uma solução testada em escala industrial e, posteriormente, alcançar novos mercados ou usos.

Para a Cimento Apodi, a aproximação entre indústria e universidade também está relacionada ao desenvolvimento do próprio ecossistema de inovação do Ceará. “O Ceará tem conhecimento, universidades, pesquisadores, estudantes e uma indústria com desafios concretos. Quando essas pontas se encontram, criamos um ambiente muito rico para inovação. Uma necessidade da fábrica pode gerar uma pesquisa; uma pesquisa pode gerar uma solução; e essa solução pode abrir espaço para uma nova aplicação ou um novo negócio. É uma cadeia que beneficia todo o ecossistema”, conclui Hilberto.