O estado do Piauí completa 204 anos nesta segunda-feira, dia 19 de outubro. A data remete a 1822, quando a vila de Parnaíba, liderada por Simplício Dias da Silva e João Cândido de Deus e Silva, proclamou sua adesão à independência do Brasil, gesto que o estado escolheu para celebrar seu aniversário.
Porém, antes mesmo do Império e da Colônia, a região que hoje engloba o Piauí já demonstrava sua importância por englobar as primeiras civilizações da América. O Parque Nacional Serra da Capivara, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 1991, abriga a maior concentração de pinturas rupestres do mundo, com mais de 1,3 mil sítios catalogados e desenhos que podem ultrapassar 50 mil anos.
Ao longo dos seus mais de dois séculos, o Piauí trouxe figuras importantes para a política, o direito, o jornalismo e as artes. Esperança Garcia, que em 1770 escreveu ao governador denunciando os maus-tratos dos escravizados, é considerada pela OAB como a primeira mulher a ser advogada no Brasil. O poeta e compositor Torquato Neto foi um dos principais nomes da Tropicália e da contracultura nacional. Whindersson Nunes saiu do interior de Bom Jesus e hoje é um dos maiores nomes do humor na era digital. Já atriz Ana Costa leva sua versatilidade para obras audiovisuais de grande repercussão como as séries “Carcereiros”, “Emergência Radioativa” e a próxima novela das nove, “Avenida Brasil 2”.
A indústria também demonstra a riqueza do estado. A cajuína, registrada como Patrimônio Cultural Brasileiro, segue como símbolo do estado, e o cerrado do sul se consolidou como uma das fronteiras mais produtivas do agronegócio nacional. Na energia, o Piauí tem hoje 99,75% de sua matriz vinda de fontes renováveis e ocupa o terceiro lugar no país em produção solar e eólica, com o Complexo Lagoa dos Ventos, apontado como o maior parque eólico da América Latina.
Nesse Dia do Piauí, o Nosso Meio separou cinco empresas que de diferentes segmentos que ajudam a fortalecer essa riqueza, como também representam o Piauí para além de suas fronteiras. Confira abaixo:
Grupo Claudino

A história do Grupo Claudino começa às margens de outro estado e encontra no Piauí o seu endereço definitivo. Os irmãos João e Valdecy Claudino, nascidos em Luís Gomes, no Rio Grande do Norte, abriram a primeira loja do Armazém Paraíba em 1958, em Bacabal, no Maranhão, com um nome que homenageava a terra da família. Dez anos depois, em 1968, os dois migraram para Teresina e fundaram o grupo que levaria a marca a se tornar uma das maiores redes varejistas do Nordeste.
O crescimento seguiu uma lógica de verticalização rara no varejo regional. A maior parte das empresas do grupo nasceu para abastecer o próprio Armazém Paraíba: a Guadalajara passou a fornecer roupas, a Construtora Sucesso a erguer as obras e a Houston a produzir as bicicletas vendidas nas lojas, enquanto o Teresina Shopping ganhou o Paraíba como âncora.
Em 2015, quando lançou a marca de bicicletas premium Audax, o grupo declarava faturamento anual acima de R$ 3 bilhões e 14 empresas, com atuação que vai do varejo à indústria de confecções, colchões, bicicletas e comunicação. Na época da morte de João Claudino, em 2020, o conglomerado empregava mais de 17 mil colaboradores e o Armazém Paraíba mantinha lojas em pelo menos oito estados. A Houston, que completa 25 anos em 2026 e já ultrapassou a marca de 10 milhões de bicicletas produzidas, segue como a face mais conhecida do grupo em escala nacional.
Grupo Jorge Batista

O Grupo Jorge Batista nasceu em 1951, em Floriano, quando o cearense de Icó Jorge Batista da Silva, então um caixeiro viajante, abriu um pequeno armazém batizado de Casa São Jorge. Do balcão surgiu a vocação que define o grupo até hoje: a distribuição.
Com o tempo, a operação se dividiu em duas grandes frentes, hoje comandadas pelos filhos do fundador, que morreu em dezembro de 2024, aos 94 anos. Em Floriano, Jairon Batista conduz o atacado distribuidor de alimentos, limpeza e higiene, com cobertura de 100% do Piauí e 90% do Maranhão, além de supermercados. Em Teresina, Jorge Batista Filho comanda a Nazária, distribuidora de medicamentos e produtos hospitalares que abastece todo o Nordeste e três estados do Norte, e a rede Drogarias Globo, com mais de 120 lojas.
Com faturamento de R$ 1,1 bilhão em 2025, o grupo está entre os dez maiores atacadistas distribuidores do Nordeste no ranking Abad/NielsenIQ. Só em Floriano, emprega cerca de 2 mil pessoas.
Gees S.A. (antiga Risa)

A Ribeirão S.A., a Risa, foi fundada em 1982 em Baixa Grande do Ribeiro, no sudoeste do Piauí, quando o cerrado do estado ainda era visto como fronteira distante da agricultura brasileira. A empresa ganhou novo impulso com o gaúcho José Antônio Gorgen, o Zezão, cuja trajetória na região começou com uma viagem de caminhão em 1984. Em 1991, ele e a esposa, Salete Terezinha, assumiram a Companhia Agrícola do Ribeirão e passaram a transformar a operação em um dos pilares do agronegócio do Matopiba.
A virada estratégica veio em 1994, quando a empresa entendeu que o ganho não estava apenas na produtividade da lavoura, mas na gestão comercial, e passou a atuar como trading. A Risa foi pioneira no sul do Maranhão na exportação direta de soja para a China e verticalizou praticamente toda a cadeia: sementes, defensivos, máquinas, secagem e armazenagem de grãos, transporte e formulação de fertilizantes, com a única misturadora em operação no Piauí. As fazendas se espalham entre o sul do Maranhão e o Piauí, em municípios como Uruçuí e Baixa Grande do Ribeiro.
Hoje rebatizada como Gees S.A., a holding cultiva cerca de 45 mil hectares de soja e milho e saltou de R$ 1 bilhão de faturamento em 2020 para R$ 2,1 bilhões em 2023, consolidando presença também no Maranhão e no Pará. Com sede mantida em Baixa Grande do Ribeiro, a companhia é apontada como a única empresa piauiense entre as 500 maiores do Brasil, prova de que o mapa da produção agrícola nacional passa, cada vez mais, pelo cerrado do Piauí.
Humana Saúde Nordeste

A Humana Saúde foi fundada em dezembro de 1994, em Teresina, e começou a comercializar seus planos em maio de 1995, em um mercado de saúde suplementar ainda pouco explorado no Piauí. A proposta era ampliar o acesso da população a planos de assistência médica, com cobertura ambulatorial, hospitalar e odontológica, a partir de uma operadora com raízes locais e sede na Avenida Frei Serafim, no centro da capital.
O crescimento ganhou outra escala quando a operadora passou a integrar o Grupo Athena Saúde, que assumiu seu controle societário com autorização da ANS e reúne mais de 13 hospitais próprios pelo Brasil e mais de 1 milhão de beneficiários. A partir daí, a Humana levou a experiência construída no Piauí para outros mercados nordestinos. No Maranhão, ampliou a distribuição dos planos em parceria com administradoras de benefícios como a Qualicorp e a CORPe Saúde, que passou a comercializar seus produtos em São Luís.
Atualmente, a operadora tem no Rio Grande do Norte uma das frentes mais visíveis de sua expansão, com três clínicas próprias, agência física de atendimento e uma rede credenciada que inclui o Hospital Promater, o Hospital do Coração e a Casa de Saúde São Lucas, em Natal. Rebatizada como Humana Saúde Nordeste, a empresa mantém a matriz em Teresina, de onde coordena uma operação que hoje atravessa a região.
Grupo Meio

A história do Grupo Meio começa do outro lado do Parnaíba, em uma travessia que parece resumir a própria geografia do Piauí. A emissora que daria origem ao grupo nasceu em 1986 como TV Timon, com concessão no município maranhense que faz divisa com Teresina, mas com a operação instalada na capital piauiense. Afiliada ao SBT por quase 14 anos, a estação foi rebatizada como TV Meio Norte em 1º de janeiro de 1995, marcando uma nova fase do projeto.
A expansão para fora do estado veio pouco depois. Em setembro de 1997, impulsionado também pela promoção do Poupa Ganha, produto promocional lançado pelo grupo em 1995, o sinal da emissora chegou às capitais do Maranhão e do Ceará. Em 2000, a TV Meio Norte trocou o SBT pela Band e, em 2011, deixou a afiliação para se tornar a Rede Meio Norte, com programação própria. Ao longo dessa trajetória, consolidou-se como a única emissora do Piauí que é geradora do próprio sinal, apostando em projetos de jornalismo regional que percorreram o interior do estado.
Em abril de 2024, o grupo iniciou uma nova era com a TV Meio, movimento que marca a transição de uma emissora regional para um projeto com pretensão de alcance nacional. Com sede em Teresina e um ecossistema que reúne televisão, outras emissoras e presença digital, o Grupo Meio leva para além das fronteiras do estado uma emissora que nasceu na margem maranhense do Parnaíba e se tornou, ao longo de quase quatro décadas, uma das principais vozes da comunicação piauiense.
