Empresa coloca estado entre os mercados prioritários para expansão e aposta na demanda do varejo por maior eficiência em pagamentos, recebíveis e gestão de caixa
O Edan Finance Group colocou o Ceará entre os mercados prioritários para ampliar sua atuação no Nordeste. A empresa de soluções financeiras mira principalmente o varejo e encontra no setor supermercadista um dos vetores para crescer no estado. As redes cearenses presentes no Ranking ABRAS 2026 faturaram R$ 11,64 bilhões em 2025. Entre as dez maiores, o faturamento chegou a R$ 8,95 bilhões, com crescimento nominal de 13,43%.
O tamanho do mercado é acompanhado pelo volume de operações financeiras do setor. Supermercados administram diariamente pagamentos, recebíveis, estoque, fornecedores e capital de giro, o que faz com que custos financeiros e prazos de recebimento tenham impacto sobre a operação.
“O Ceará tem redes regionais muito fortes, que cresceram, ganharam escala e hoje administram operações financeiras cada vez mais complexas. Quando uma empresa movimenta centenas de milhões de reais por ano, alguns décimos percentuais em taxas ou uma estrutura inadequada de antecipação podem representar uma diferença relevante no resultado. É um mercado em que existe espaço para olhar a gestão financeira de forma muito mais estratégica”, afirma Eduardo Sgobbi, CEO do Edan Finance Group.
O estado reúne 53 empresas supermercadistas entre as companhias listadas no Ranking ABRAS 2026. As dez maiores redes cearenses concentram cerca de 76,8% do faturamento das empresas locais presentes no levantamento, com grupos que já ultrapassaram R$ 1 bilhão em receita anual.
Para o Edan, a oportunidade está também no volume financeiro administrado depois da venda. Uma mesma rede pode receber por crédito, débito, Pix e benefícios, além de operar diferentes lojas e CNPJs, com prazos e custos distintos para cada fluxo.
“Existe uma tendência de olhar apenas para a taxa da maquininha, quando ela é só uma parte da conta. O varejista precisa saber quanto custa receber cada real vendido, em quanto tempo esse recurso estará disponível e quanto está gastando para antecipar dinheiro quando precisa financiar estoque ou fornecedores. Quando essas decisões são tomadas separadamente, é comum haver ineficiências que ficam escondidas no volume da operação”, diz Sgobbi.
A dinâmica ganha relevância no varejo alimentar, que exige reposição contínua de estoques e pagamentos recorrentes a fornecedores, funcionários e prestadores de serviços. Embora as vendas ocorram diariamente, o prazo para que os recursos cheguem ao caixa varia conforme o meio de pagamento utilizado.
Outro componente dessa operação são os benefícios de alimentação. As novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador estabeleceram limite de 3,6% para a taxa de desconto cobrada dos estabelecimentos e prazo máximo de 15 dias corridos para repasse dos recursos, mudanças que afetam supermercados e outros estabelecimentos que recebem vale-alimentação.
Nesse cenário, o Edan pretende ampliar no Ceará a atuação com soluções voltadas a meios de pagamento, gestão de recebíveis, tesouraria e estruturas de crédito. A estratégia é integrar diferentes etapas do fluxo financeiro das empresas.
“Supermercado é um negócio de margem apertada e giro muito alto. Não necessariamente falta dinheiro; muitas vezes existe um descasamento entre quando a empresa precisa pagar e quando recebe. É aí que uma estrutura financeira bem desenhada faz diferença. Recebíveis podem ser utilizados para financiar capital de giro, enquanto uma gestão mais eficiente dos pagamentos e da tesouraria ajuda a reduzir o custo financeiro da operação”, afirma Sgobbi.
Embora o setor supermercadista esteja entre os focos da estratégia, a expansão no Ceará também pretende alcançar outros segmentos do varejo e empresas com grande volume de transações. Como parte da aproximação com o mercado local, a companhia foi uma das patrocinadoras da 4ª edição do ABRAS em Ação nas Estaduais, realizada em 14 de outubro, no Gran Mareiro Hotel, em Fortaleza. O encontro reuniu empresários e executivos do setor supermercadista para discutir tendências e desafios do varejo e contou com palestra de Sgobbi.
“Quando o varejista cresce, a estrutura financeira precisa crescer junto. A discussão deixa de ser apenas qual banco, adquirente ou linha de crédito oferece a menor taxa e passa a ser como organizar pagamentos, recebíveis, caixa e funding para sustentar a expansão. É essa transformação que estamos enxergando no Ceará”, conclui Sgobbi.
