Priscila Macêdo, coordenadora de comunicação na Impulsione Comunicação
Tem uma coisa que o trabalho com comunicação me ensina repetidamente: conseguir atenção é só uma parte da história.
Isso ficou especialmente claro para mim em um trabalho recente de assessoria de imprensa e marketing de influência para a inauguração de três lojas de um cliente. Marcas que já eram conhecidas no delivery ganharam espaço físico na praça de alimentação de um shopping. Jornalistas e influenciadores estiveram presentes, produziram conteúdo e fizeram aquela inauguração continuar acontecendo nas redes, levando a novidade para muito além de quem estava ali.
É um resultado que passa, inevitavelmente, pela estratégia de comunicação. Mas não termina na visibilidade. Uma pesquisa da Edelman de 2026 ajuda a dimensionar a importância da confiança nessa relação. No Brasil, 91% dos entrevistados dizem que confiar na marca é um fator importante ou decisivo para a compra. Qualidade do produto aparece com 92% e atendimento de alta qualidade, com 94%.
Faz sentido. A comunicação pode despertar curiosidade e levar alguém até uma loja. Mas essa aproximação também cria expectativas sobre o produto, o atendimento, o cuidado, a experiência. São coisas que não estão inteiramente sob o controle de quem planejou a estratégia, mas que precisam estar no horizonte de quem pensa a comunicação.
E foi justamente isso que me chamou atenção nesse trabalho. O sucesso daquela inauguração não começou com o convite aos jornalistas ou com a chegada dos influenciadores. Havia uma história sendo construída antes, de uma marca conhecida pelo que entregava, uma relação já estabelecida com seus clientes e um produto capaz de sustentar a expectativa criada.
A comunicação entrou nessa história para fazer a novidade circular, colocar mais gente diante da marca e potencializar um movimento que já tinha fundamento. A passagem do delivery para o espaço físico também era uma oportunidade de ampliar essa relação: apresentar uma nova experiência a quem já conhecia as marcas e torná-las conhecidas por outros públicos.
É nesse encontro que a estratégia ganha força. Entender o que a marca já representa, reconhecer o que sustenta sua relação com os clientes e conectar essa história aos públicos certos faz parte do trabalho de comunicação. O alcance ganha valor quando ajuda as pessoas a compreender o que aquela marca tem a oferecer e por que ela merece sua atenção e confiança.
Olhando para aquele evento, o que mais me interessa não é apenas o alcance que conseguimos gerar, mas o que havia por trás dele e as conexões que a comunicação ajuda a construir a partir dali. Afinal, estratégia de comunicação vai além de fazer uma novidade circular. É também conectar o que a marca entrega ao que as pessoas reconhecem e valorizam nela.
