Material desenvolvido com a ANDI – Comunicação e Direitos reúne orientações para evitar revitimização, abordar violência digital e ampliar a cobertura para além do registro policial
A Fundação FEAC (Federação das Entidades Assistenciais de Campinas), em parceria com a ANDI – Comunicação e Direitos, lançou o Guia para uma comunicação responsável sobre violência de gênero, publicação gratuita voltada a jornalistas, comunicadores e estudantes. O material propõe orientações para uma cobertura mais ética e contextualizada sobre o tema, com atenção à linguagem, às imagens e à preservação dos direitos das vítimas.
O material propõe uma mudança de perspectiva na cobertura: em vez de restringir a violência ao crime isolado e à esfera policial, orienta profissionais a contextualizar suas causas estruturais, preservar a dignidade das vítimas e abordar o tema a partir de direitos, prevenção e políticas públicas. Entre as recomendações estão cuidados com títulos, imagens e termos que podem provocar revitimização ou culpabilização das mulheres.
A publicação também incorpora desafios mais recentes da comunicação digital, como perseguição online (stalking), exposição não consentida de imagens íntimas e deep nudes, imagens íntimas manipuladas por inteligência artificial. O guia aborda ainda a violência vicária, em que pessoas ou seres queridos da vítima são utilizados pelo agressor como instrumentos de sofrimento, controle ou vingança.
Link para acessar o guia completo aqui
Além das orientações para a construção das notícias, o documento reúne os principais marcos legais relacionados à proteção das mulheres, incluindo a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio e a Lei Rose Leonel. Também apresenta um guia de fontes com canais institucionais e redes de apoio e um banco de sugestões de pautas que podem ampliar a abordagem do tema.
Entre as possibilidades indicadas estão discussões sobre sobrecarga da política de cuidados, autonomia econômica das mulheres e iniciativas de prevenção e desconstrução de padrões de gênero entre crianças e jovens. A proposta, portanto, é deslocar a cobertura do episódio pontual para questões que ajudam a explicar por que a violência acontece e como pode ser enfrentada.
“A imprensa precisa atuar como uma aliada: denunciar, cobrar políticas públicas do Estado e, fundamentalmente, informar canais e serviços onde as sobreviventes possam buscar apoio e acolhimento”, afirma Mabel Dias, jornalista e consultora da ANDI – Comunicação e Direitos.
Para Layza Mesquini, gerente executiva de Comunicação e Relações Institucionais da Fundação FEAC, a comunicação pode contribuir para mudanças sociais ao romper silêncios e ampliar o acesso à informação e aos direitos. A publicação, segundo ela, busca fortalecer profissionais para que suas narrativas também sejam instrumentos de conscientização, prevenção e transformação social.
Jornalismo como parte do enfrentamento
O lançamento do guia também se conecta à 26ª edição do Prêmio Fundação FEAC de Jornalismo, que em 2026 tem como tema “Violência de Gênero: Convivência em Risco, Futuro em Jogo”.
A premiação busca reconhecer reportagens e conteúdos que abordem as causas estruturais da violência, iniciativas de enfrentamento e a construção de relações mais equitativas e seguras. As inscrições são gratuitas e seguem até 20 de outubro de 2026, com R$ 50 mil distribuídos entre as categorias Jornalismo, Profissional da Comunicação, Universitário e Social.
Podem concorrer trabalhos veiculados na Região Metropolitana de Campinas (RMC) ou em meios digitais com alcance regional.
