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A ilusão da IA: Profectum Day debate por que automatizar sem domínio de processos apenas “escala o erro”

Por Redação

26/08/2026 15h51

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Em um ano em que a inteligência artificial domina orçamentos e apresentações de resultados, um encontro em Fortaleza propôs inverter a ordem da conversa. A sétima edição do Profectum Day, realizada na última quinta-feira, 20,  pela Profectum, reuniu lideranças de mais de 20 empresas em torno de uma provocação que contraria o discurso dominante no mercado: antes de decidir qual IA adotar, a companhia precisa responder se realmente domina o processo que pretende transformar.

A tese que atravessou toda a programação é direta. Automatizar um processo que a liderança ainda não compreende a fundo não gera velocidade, apenas escala o erro. A ineficiência manual se converte em ineficiência sistêmica, com um custo que não aparece no dashboard, mas no retrabalho e na decisão tardia. A proposta do evento foi olhar para o que vem antes da tecnologia: processo, governança e maturidade operacional.

O tempo foi o outro fio condutor do encontro. Tratado como o recurso mais escasso do ambiente corporativo, orientou a forma como a IA foi discutida ao longo da noite, não como substituta de pessoas, mas como tecnologia capaz de devolver tempo, ampliar a eficiência e apoiar as decisões que continuam sendo humanas.

A programação combinou três formatos. No keynote técnico sobre arquitetura da inteligência, Gabriel Vernalha, executivo de governança de dados, analytics, IA e inovação da Dasa, tratou dos padrões e protocolos que permitem a sistemas distintos compartilhar dados com segurança e previsibilidade, condição para que uma infraestrutura esteja de fato pronta para IA sem criar novos silos.

No business case do Grupo 3Corações, uma das principais empresas de café do país, Daniel Magalhães, executivo de arquitetura, hiperautomação e transformação digital, apresentou os bastidores do Projeto Cora e mostrou como tecnologia, processos e governança se conectam para sustentar escala. O recado reforçou a tese central de que, antes de automatizar, é preciso entender com clareza os processos e os gargalos.

O momento mais debatido veio no talk que reuniu Cinthia Cavalcanti, diretora de TI e transformação digital do Grupo Aço Cearense; Plinio Girão, diretor de dados da Pague Menos; e Ricardo Rebouças, diretor de TI, IA e estratégia da M. Dias Branco. Em uma conversa aberta, os executivos discutiram um desafio comum às grandes organizações: equilibrar a pressão por resultados rápidos com a construção da maturidade operacional necessária para escalar com consistência. No centro do debate, uma pergunta provocadora: quais condições precisam estar consolidadas antes de avançar e por que respeitar esse tempo pode ser uma das decisões mais estratégicas de 2026? A discussão também evidenciou a diferença entre iniciativas que geram percepção imediata de avanço e aquelas capazes de sustentar resultados no longo prazo.

O formato faz parte da proposta. Com público restrito e curado e a gastronomia incorporada à dinâmica, o encontro foi desenhado para que as discussões não terminassem no palco. Boa parte das conversas aconteceu à mesa, entre pares que raramente se encontram fora de contextos comerciais. Desde 2020, a Profectum mantém essa combinação de conteúdo, gastronomia e networking como escolha deliberada, apostando que decisões melhores nascem de boas conversas.

Na avaliação do CEO da Profectum, Lucas Barros, o evento existe para forçar uma pergunta que o mercado costuma pular. “Todo mundo está falando de IA, mas quase ninguém está fazendo a pergunta anterior: você domina o processo que quer transformar? O Profectum Day existe para provocar essa conversa que o mercado evita, porque é nela que se separa quem evolui de quem apenas gasta”, afirma. 

No encerramento, Barros reforçou que, mais do que apresentar tecnologia, o encontro busca construir um ambiente de troca em que a experiência prática e o pensamento crítico pesem tanto quanto as ferramentas.

Realizado desde 2020, o Profectum Day é promovido pela Profectum, empresa cearense de automação inteligente e eficiência operacional com mais de uma década de atuação. Segundo a companhia, o portfólio combina automação, inteligência artificial e redesenho de processos para grandes grupos de diferentes setores, com presença nacional e projetos no exterior.