Durante muito tempo, a rota das consultorias de gestão no Brasil seguiu um desenho previsível: nascer no Sudeste, consolidar-se nos grandes centros e só depois chegar ao Nordeste. A PWR fez o caminho contrário. Fundada em Fortaleza em 2013, a empresa se apresenta hoje como a maior consultoria de gestão do Norte e Nordeste, mantém operação em São Paulo e sustenta uma tese que ultrapassa um plano de expansão: a de que gestão profissional pode funcionar em qualquer praça do país.
Essa convicção começou a se formar cedo. Ainda no ano de fundação, a consultoria já atendia empresas fora do Ceará, o que colocou a equipe diante de realidades diferentes muito antes de existir uma operação física em outros estados. A experiência de acompanhar clientes a distância, numa época em que o trabalho remoto ainda era exceção, se mostraria decisiva anos depois, durante a pandemia. “Nós já executamos mais de 1.500 projetos em mais de 900 empresas, passando por 25 estados e seis países. E essa experiência foi mostrando para nós que existe uma demanda enorme por gestão profissional, independentemente de onde a empresa esteja”, afirma Wilson Sá, sócio-fundador e CEO da PWR.

A origem ajuda a explicar o método. A empresa nasceu na sala de estar de um dos sócios, teve como primeiro escritório um espaço sublocado com quatro cadeiras e atravessou, logo nos primeiros anos, a recessão de 2014 e 2015.

“Nós largamos nossos empregos estáveis, entramos na operação das empresas nordestinas e vivemos de perto os problemas de quem empreende. Isso acabou formando o jeito PWR de trabalhar: proximidade, mão na massa e uma preocupação muito grande com a geração de resultados”, lembra Paulo Vitor Porto, sócio-fundador da PWR.

A chegada a São Paulo veio quando a carteira de clientes na capital paulista já justificava uma estrutura própria. Paulo Vitor e Raduán Melo, também sócio-fundador, se mudaram com as famílias para construir a operação de perto, uma decisão empresarial com evidente peso pessoal. Para Raduán, cada região ensinou uma lição diferente. “O Nordeste nos deu casca, porque foi onde aprendemos a fazer gestão dentro da realidade do empresário e a entregar resultado mesmo quando o cenário era difícil. Mas São Paulo ampliou a nossa régua e mostrou que o nosso modelo de gestão podia ir muito além.”

Atuar em mercados tão distintos funciona como um termômetro da gestão no país. Na avaliação dos sócios, São Paulo concentra mais concorrência, empresas maiores e uma pressão mais intensa por profissionalização, o que faz certas práticas chegarem antes. No Norte e no Nordeste, o cenário mais comum é o de empresários muito capazes, que construíram grandes negócios, mas cresceram mais rápido do que a própria estrutura de gestão conseguiu acompanhar. “O Brasil tem empresário bom de ponta a ponta. O que ainda não está distribuído da mesma forma é o acesso a uma estrutura de gestão capaz de acompanhar o tamanho e a velocidade que esses negócios alcançaram”, afirma Eduardo Bayma, sócio da PWR.

O modelo focado em execução, e não apenas em aconselhamento externo, levou a empresa a dar um passo adiante e a se tornar sócia de alguns negócios. O primeiro movimento de equity foi com a Sociedade Vignoli, em 2019, seguido pela UrbMídia, em 2023, e pela Gvitta, que já era cliente da consultoria, em 2024. Com capital próprio em jogo, a responsabilidade ganhou outra dimensão e reforçou uma percepção construída em anos de consultoria. Segundo Wilson Sá, “o empresário geralmente sabe onde dói, o difícil é tomar as decisões necessárias e sustentar as mudanças enquanto a empresa continua rodando”.
Olhando adiante, os sócios apontam a cultura como a principal barreira para que a gestão profissional deixe de ser privilégio de algumas praças. “Ainda existe no Brasil uma visão de que gestão profissional é coisa para empresa grande, para quem já fatura muito ou para mercados mais maduros. E deveria ser justamente o contrário, porque quanto mais uma empresa cresce sem gestão, mais caro fica organizar depois”, diz Miguel Dyna, sócio da PWR.

Esse diagnóstico não é recente. Foi a partir dele que a PWR criou, ainda em 2017, a Capital Upgrade, voltada à formação de empresários e ao compartilhamento de conhecimento em escala, para além do atendimento empresa a empresa. O projeto trouxe como sócio Lásaro do Carmo Jr., ex-vice-presidente do Grupo Silvio Santos e ex-CEO da Jequiti.
O movimento acompanha uma transformação mais ampla no ambiente de negócios regional, em que empresas que cresceram pela força comercial, pela liderança do fundador e pelo conhecimento profundo do próprio mercado passam a buscar estrutura de gestão para sustentar o próximo ciclo de expansão.
