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A PWR e a tese de que gestão profissional funciona do Nordeste ao Sudeste

Por Redação

02/10/2026 13h17

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Durante muito tempo, a rota das consultorias de gestão no Brasil seguiu um desenho previsível: nascer no Sudeste, consolidar-se nos grandes centros e só depois chegar ao Nordeste. A PWR fez o caminho contrário. Fundada em Fortaleza em 2013, a empresa se apresenta hoje como a maior consultoria de gestão do Norte e Nordeste, mantém operação em São Paulo e sustenta uma tese que ultrapassa um plano de expansão: a de que gestão profissional pode funcionar em qualquer praça do país.

Essa convicção começou a se formar cedo. Ainda no ano de fundação, a consultoria já atendia empresas fora do Ceará, o que colocou a equipe diante de realidades diferentes muito antes de existir uma operação física em outros estados. A experiência de acompanhar clientes a distância, numa época em que o trabalho remoto ainda era exceção, se mostraria decisiva anos depois, durante a pandemia. “Nós já executamos mais de 1.500 projetos em mais de 900 empresas, passando por 25 estados e seis países. E essa experiência foi mostrando para nós que existe uma demanda enorme por gestão profissional, independentemente de onde a empresa esteja”, afirma Wilson Sá, sócio-fundador e CEO da PWR.

Wilson Sá, sócio-fundador e CEO da PWR

A origem ajuda a explicar o método. A empresa nasceu na sala de estar de um dos sócios, teve como primeiro escritório um espaço sublocado com quatro cadeiras e atravessou, logo nos primeiros anos, a recessão de 2014 e 2015.

Imagem do Acervo da PWR

“Nós largamos nossos empregos estáveis, entramos na operação das empresas nordestinas e vivemos de perto os problemas de quem empreende. Isso acabou formando o jeito PWR de trabalhar: proximidade, mão na massa e uma preocupação muito grande com a geração de resultados”, lembra Paulo Vitor Porto, sócio-fundador da PWR.

Paulo Vitor Porto, sócio-fundador da PWR

A chegada a São Paulo veio quando a carteira de clientes na capital paulista já justificava uma estrutura própria. Paulo Vitor e Raduán Melo, também sócio-fundador, se mudaram com as famílias para construir a operação de perto, uma decisão empresarial com evidente peso pessoal. Para Raduán, cada região ensinou uma lição diferente. “O Nordeste nos deu casca, porque foi onde aprendemos a fazer gestão dentro da realidade do empresário e a entregar resultado mesmo quando o cenário era difícil. Mas São Paulo ampliou a nossa régua e mostrou que o nosso modelo de gestão podia ir muito além.”

Raduán Melo, sócio-fundador da PWR

Atuar em mercados tão distintos funciona como um termômetro da gestão no país. Na avaliação dos sócios, São Paulo concentra mais concorrência, empresas maiores e uma pressão mais intensa por profissionalização, o que faz certas práticas chegarem antes. No Norte e no Nordeste, o cenário mais comum é o de empresários muito capazes, que construíram grandes negócios, mas cresceram mais rápido do que a própria estrutura de gestão conseguiu acompanhar. “O Brasil tem empresário bom de ponta a ponta. O que ainda não está distribuído da mesma forma é o acesso a uma estrutura de gestão capaz de acompanhar o tamanho e a velocidade que esses negócios alcançaram”, afirma Eduardo Bayma, sócio da PWR.

Eduardo Bayma, sócio da PWR

O modelo focado em execução, e não apenas em aconselhamento externo, levou a empresa a dar um passo adiante e a se tornar sócia de alguns negócios. O primeiro movimento de equity foi com a Sociedade Vignoli, em 2019, seguido pela UrbMídia, em 2023, e pela Gvitta, que já era cliente da consultoria, em 2024. Com capital próprio em jogo, a responsabilidade ganhou outra dimensão e reforçou uma percepção construída em anos de consultoria. Segundo Wilson Sá, “o empresário geralmente sabe onde dói, o difícil é tomar as decisões necessárias e sustentar as mudanças enquanto a empresa continua rodando”.

Olhando adiante, os sócios apontam a cultura como a principal barreira para que a gestão profissional deixe de ser privilégio de algumas praças. “Ainda existe no Brasil uma visão de que gestão profissional é coisa para empresa grande, para quem já fatura muito ou para mercados mais maduros. E deveria ser justamente o contrário, porque quanto mais uma empresa cresce sem gestão, mais caro fica organizar depois”, diz Miguel Dyna, sócio da PWR.

Miguel Dyna, sócio da PWR

Esse diagnóstico não é recente. Foi a partir dele que a PWR criou, ainda em 2017, a Capital Upgrade, voltada à formação de empresários e ao compartilhamento de conhecimento em escala, para além do atendimento empresa a empresa. O projeto trouxe como sócio Lásaro do Carmo Jr., ex-vice-presidente do Grupo Silvio Santos e ex-CEO da Jequiti.

O movimento acompanha uma transformação mais ampla no ambiente de negócios regional, em que empresas que cresceram pela força comercial, pela liderança do fundador e pelo conhecimento profundo do próprio mercado passam a buscar estrutura de gestão para sustentar o próximo ciclo de expansão.