Estratégia acompanha avanço das marcas próprias no varejo e busca ocupar capacidade instalada da indústria, hoje preparada para produzir até 60 mil pães por dia
A Speciale Pães está ampliando sua atuação no mercado de panificação com uma nova frente voltada ao private label, modelo em que a indústria fabrica produtos que chegam ao consumidor com a marca de outras empresas.
A estratégia surge em um momento de expansão das marcas próprias no varejo. Em 2025, a Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (ABMAPRO) projetou que o segmento movimentaria R$153 bilhões no Brasil, sendo cerca de R$30 bilhões apenas no setor de alimentos. A entidade também vem destacando, em 2026, o avanço desse modelo como ferramenta de diferenciação, ganho de margem e fortalecimento da relação entre varejo e indústria.
Na Speciale, o private label entra como parte de uma estratégia para aumentar escala e aproveitar melhor a estrutura já instalada. Atualmente, a empresa produz cerca de 30 mil pães por dia, mas possui capacidade para alcançar aproximadamente 60 mil unidades diárias.
“Temos uma estrutura preparada para crescer e o private label nos permite transformar essa capacidade em uma nova frente de negócio. É uma forma de atender empresas que querem desenvolver produtos com identidade própria, sem precisar construir toda uma operação industrial para isso”, afirma Flávio Sampaio, fundador e diretor comercial da Speciale Pães.
Private label deixa de ser apenas uma alternativa de preço

O avanço desse mercado também está ligado a uma mudança na percepção do consumidor. Levantamento recente da NielsenIQ aponta que 58% dos consumidores globais dizem não se importar se o produto é de uma marca nacional ou private label, desde que atenda às suas necessidades. Outros 68% consideram as marcas próprias boas alternativas às marcas tradicionais.
Esse movimento vem fazendo com que o private label deixe de ser associado apenas a produtos mais baratos e passe a ocupar também categorias de maior valor agregado, com investimentos em qualidade, inovação e posicionamento. Para a indústria, o modelo representa também uma oportunidade de diversificação. No caso da Speciale, a nova frente se soma à produção das marcas próprias da companhia e à atuação B2B junto a supermercados e hamburguerias.
“Não se trata apenas de produzir mais. O objetivo é encontrar canais que permitam crescer com escala, eficiência e consistência. O private label faz sentido justamente porque aproveita uma estrutura que já existe e abre novas possibilidades comerciais”, explica Sampaio.
Estrutura preparada para crescer

A entrada nessa frente ocorre após um investimento recente de aproximadamente R$1 milhão, viabilizado por crédito junto a bancos privados. Os recursos foram direcionados à modernização da operação, com aquisição de equipamentos como câmara de fermentação, grupo automático para produção de pães de forma, fatiadora de pães de hambúrguer e sistema de refrigeração.
A estratégia também conversa com os planos de expansão da empresa para a Região Metropolitana de Fortaleza e para o Interior do Ceará. Hoje, a Speciale atende cerca de 350 pontos de venda, entre supermercados e hamburguerias, e vê no private label uma forma de aumentar a utilização da capacidade produtiva sem depender apenas da ampliação da distribuição das próprias marcas.
O movimento coloca a empresa dentro de uma tendência mais ampla do varejo: a aproximação entre indústria e marcas que querem desenvolver produtos exclusivos, ganhar diferenciação e construir portfólios próprios sem internalizar toda a estrutura de produção.
