Apesar de IA, identificação ainda é fundamental para consumidores
O surgimento da inteligência artificial tem proporcionado mudanças profundas nas dinâmicas de consumo para consumidores e marcas, da otimização de processos a personalização de experiências, a forma de comprar mudou. Entretanto, diversidade e identificação humana ainda são fatores fundamentais, segundo o estudo Oldiversity, realizado pela Croma Consultoria, visto que para 76% dos consumidores a diversidade deve fazer parte de empresas e marcas.
Hoje, o desafio deixou de ser a captura de atenção, e passou a residir na conquista da consideração de público saturado de estímulos e carente de afinidade. Para Edmar Bulla, fundador da Croma Consultoria e idealizador do estudo, o cenário apresenta novas oportunidades para as marcas. “Campanhas pontuais e narrativas superficiais perdem espaço diante de um público cada vez mais crítico e exigente. Por fim, surge a oportunidade de inovar a partir da interseccionalidade, reconhecendo que desigualdades se acumulam e que soluções eficazes precisam considerar múltiplas dimensões de exclusão ao mesmo tempo.”
Do ponto de vista do varejo, a tecnologia deve ser vista como uma forma de auxiliar na produtividade e na tomada de decisões, mas sem substituir o tato e a sensibilidade humana. Nesse sentido, estratégias que utilizam IA não podem se alienar de propostas vistas como coerentes pelos consumidores. A veracidade dos discursos sobre inclusão ainda é um ponto de fragilidade, segundo o estudo, a autenticidade é apontada por menos da metade dos entrevistados (46%).
O momento exige cautela na aplicação da Inteligência Artificial de forma pouco estratégica, sobretudo na representação de grupos minoritários, que passam a demandar maior representatividade. 54% dos brasileiros afirmam se identificar com propagandas que falem sobre diversidade. Entre os grupos diversos, a percepção é liderada de forma significativa pela comunidade LGBTQIA+ (74%), seguidos pelos PcDs (61%) e pessoas pretas (61%).
Ao se alinhar com pautas que refletem a identidade de seus consumidores de forma genuína, é possível criar uma conexão com o público que pode ser convertida em fidelização e resultados. Quase 2/3 dos brasileiros (65%) passa a recomendar essas marcas, enquanto 63% afirmam considerar essas marcas nas próximas compras e 60% passam a falar positivamente destas marcas. Além disso, 57% começam a comprar com mais frequência.
“Esses movimentos revelam um novo patamar de consciência coletiva e expectativa social em relação ao papel das empresas, do Estado e da sociedade civil”, conclui Bulla.


