A final da copa do mundo de 2026 trouxe muitos ensinamentos. Um deles , já sabido, é a capacidade de entreter, espetacularizar e gerar consumo dos EUA. Até aí, sem novidades. O show do intervalo foi magnífico, pela potência dos astros envolvidos, pela diversidade de origens dos cantores, pela competência em organizar tudo com muita qualidade e em poucos minutos e também pela homenagem ao Brasil.
Madonna, a imensa diva pop, traz Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho para a coreografia de abertura, coloca-os para pilotar o carro que leva até os inícios do túnel que dá acesso ao estádio, entra com eles de mãos dadas e ao final, ergue os braços das estrelas futebolistas brasileiras em um gesto de reconhecimento e celebração do nosso legado. Pelé surge nas telas do estádio em uma mensagem de paz e harmonia. O show segue com cantores diversos Justin Bieber, Coldplay, BTS, maestro Dudamel com os Muppets, Burna Boy e o encerramento com a outra estrela, Shakira. Muito talento, diversidade e competência no showbizz.
No campo, a seleção espanhola fez outro espetáculo. Sem uma estrela única, mas com muitos jogados fantásticos, Cucurella, Pedro Porro, Lamine Yamal, Ferrán Torres, Dani Olmo, Oyazabal e tantos mais, o time fez do passe certeiro, portanto, do encontro e da partilha, sua fortaleza. E foram 755 passes certos da Espanha contra apenas 355 da seleção Argentina. A vitória foi difícil, mas muito, muito merecida. A Espanha não perdeu nenhum jogo na Copa e só sofreu um único gol em todo o torneio, revelando o mérito da defesa e do goleiro Unai Simón.
Foram 6 cartões amarelos e 1 vermelho para a Argentina e 0 cartões para a Espanha, expressão de uma conduta em campo agressiva, prepotente e antiesportiva da seleção “albiceleste”. Mas, a postura inadequada segue e torna-se vergonhosa após o término da partida, com a vitória da Espanha. Os jogadores argentinos iniciam provocações e conflitos físicos, sendo separados por colegas e assessores presentes no campo.
O auge da agressividade e da prepotência acontece no momento da premiação da seleção vitoriosa: todos os jogadores da Argentina, com Messi à frente, postam-se de costas para o palco, onde os jogadores espanhóis recebiam as medalhas e a cobiçada taça de campeã da Copa do Mundo 2026, erguendo-a em direção ao céu, não sem antes certificarem-se de que Trump já não estava mais no enquadramento da cena, que garante uma imagem fotográfica mundial, mérito de Rodri, capitão da seleção espanhola.
Messi, à frente da seleção Argentina, de costas para a seleção espanhola vitoriosa, revela uma atitude infantil, mesquinha e prepotente. Reconhecer o mérito do outro é uma atitude de respeito, generosidade e grandeza. E tratando-se de um esporte coletivo, praticado mundialmente, a dimensão humana e os valores de paz, cooperação e harmonia são ainda mais importantes.
No caso específico de Messi, dar as costas para a Espanha, é ainda mais grave, porque foi na Espanha que ele se tornou jogador de futebol profissional, iniciando a carreira aos 13 anos de idade; foi na Espanha que ele encontrou vitórias memoráveis com a camiseta do Barça, foi na Espanha que seus 3 filhos nasceram e foi na Espanha que ele se tornou bilionário. Triste a constatação de que esta é a imagem que fica da última Copa jogada por Messi.
A seleção chega a final do campeonato (ainda que o percurso no caso da Argentina tenha sido fácil), que já é uma imensa vitória, e a arrogância e o ressentimento se sobrepõem ao sentido fundamental da competição. A sombra de um ídolo ofuscando sua grandeza até então incontestável. Messi é agora menor.
