20ª edição

Entrevista | Leonardo César, publicitário e gerente executivo da Eletromidia na Bahia

Por Redação

30/01/2026 17h52

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Sobre Leonardo: Com 30 anos de experiência profissional, é formado em Comunicação Social e possui MBAs em Marketing, Gestão e Empreendedorismo, e em Gestão Empresarial pela FGV. Ocupou posições estratégicas e de gestão em grandes veículos de comunicação e agências de propaganda, como TV Bahia (afiliada à Rede Globo), Jornal Correio da Bahia, Bandnews, Grupo A Tarde, Propeg, Leiaute e Viamídia. Foi também professor de Estratégias de Marketing no MBA da Unijorge e diretor de associações como ABAP-BA (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), Capítulo Bahia, e ANJ (Associação Nacional de Jornais).  

A cidade como espaço de conexão
Da presença nas ruas aos espaços de circulação como aeroportos, shoppings e elevadores, a mídia Out of Home (OOH) vem ampliando as formas de contato entre marcas e pessoas. É nesse movimento que Leonardo César, gerente executivo da Eletromidia na Bahia, atua, conciliando três décadas de experiência no mercado de comunicação com uma transformação do meio cada vez mais apoiada em dados, tecnologia e experiências no espaço urbano. Para o executivo, a evolução da mídia não reduziu a importância das relações, ao contrário, conhecimento do mercado, curiosidade e confiança continuam no centro da construção de negócios.


NOSSO MEIO | Você chegou à Eletromidia em um momento de expansão da operação em Salvador, com novos ativos, a entrada no Aeroporto e uma estratégia de maior proximidade com o mercado. Ao assumir essa frente, qual foi o principal diagnóstico que você fez sobre o mercado baiano e o que precisou mudar na abordagem comercial da empresa?


Leonardo César: A Eletromidia já atuava na Bahia com muita solidez e excelente relação com os principais stakeholders. Ingressei na empresa em fevereiro de 2025, trazendo a bagagem de 30 anos de atuação local e com a missão de alavancar ainda mais as relações comerciais com anunciantes, agências e entidades do setor. O mercado baiano destaca-se pelo alto nível de profissionalismo e estruturação de suas agências e grandes marcas, com as quais eu já mantinha uma relação de proximidade.

Em Salvador, evoluímos do metrô para o mobiliário urbano em 2023 e, em janeiro de 2025, assumimos a comercialização do Salvador Bahia Airport, além da forte presença em elevadores residenciais e comerciais e shoppings. O maior desafio foi reintroduzir o mobiliário urbano após três anos sem mídia na cidade, promovendo a transição da cultura do formato estático (padrão até 2020) para os benefícios do DOOH.

Como a Eletromidia é uma empresa de mídia OOH com forte DNA digital — formatos que lideram o crescimento e a penetração no Brasil —, esse trabalho tem sido amplamente aceito e acelerado. Considerando nosso histórico em outras praças e a expertise da equipe local, não foi necessária uma ruptura de posicionamento, mas sim a intensificação do plano estratégico da companhia, focado em maior proximidade com nossos parceiros, o que tem gerado resultados cada vez mais consistentes.

NOSSO MEIO | A Eletromidia registrou crescimento expressivo no número de clientes na Bahia no primeiro semestre de 2026. Na sua leitura, o que esse movimento revela sobre a maturidade do mercado anunciante baiano e sobre a maneira como as marcas estão pensando sua presença na cidade hoje?

Leonardo César: O crescimento contínuo da Eletromidia em faturamento, clientes e ativos na Bahia é reflexo direto da maturidade e do desenvolvimento técnico do nosso mercado. Dados do CENP-Meios apontam um crescimento de 48% no faturamento do OOH no primeiro trimestre de 2026 no Brasil. Os formatos digitais impulsionam essa expansão, e a Eletromidia atua como uma das grandes locomotivas desse expressivo crescimento do meio no Brasil.

Em Salvador, nossa capilaridade é ostensiva: apenas na vertical de ruas, contamos com mais de 500 painéis, garantindo conexão integral com a jornada diária da população. As marcas, sejam nacionais ou locais, compreendem a necessidade de múltiplos pontos de contato ao longo do dia, e essa presença maciça nos posiciona como a parceira estratégica ideal. O aumento na nossa base de clientes comprova na prática que a nossa entrega gera resultados efetivos.

NOSSO MEIO | O OOH deixou de ser apenas uma mídia de exposição para incorporar dados, tecnologia, interatividade e diferentes possibilidades de segmentação. Até que ponto essa transformação mudou a conversa comercial com anunciantes e agências? O que o cliente passou a exigir que não exigia alguns anos atrás?

Leonardo César: Anteriormente, os clientes compravam painéis em circuitos específicos. Hoje, o planejamento e a compra são focados em audiência. Esse novo modelo são métricas baseadas em alcance, frequência e impactos, equiparam-se às da TV e do meio digital, tornando o OOH mensurável.

É fácil compreender o crescimento expressivo do meio OOH, muito acelerado pela digitalização e traduzido por meio dos números de faturamento e da base de clientes. Com essa mudança, a abordagem comercial tornou-se muito mais técnica e pautada em dados. Atender a essa exigência analítica é hoje fundamental, pois permite ao cliente avaliar e comparar diretamente a nossa performance com as demais possibilidades de mídia.

NOSSO MEIO | Ao mesmo tempo em que a tecnologia ganha espaço, a sua trajetória mostra uma forte aposta na construção de relacionamento com o mercado. Depois de três décadas atuando em comunicação, o que você aprendeu sobre relacionamento e confiança que continua sendo decisivo para fazer negócios — mesmo em um mercado cada vez mais orientado por dados?

Leonardo César: Hoje, o meu maior ativo profissional são as minhas relações pessoais. Eu sempre fui um profissional bastante técnico, que procura dominar as ferramentas disponíveis, compreender o mercado de atuação, mas também entender os mercados dos meus clientes. Não tanto quanto eles, é verdade, mas para compreender a fundo o modelo de negócios de cada cliente e formular as perguntas corretas antes de apresentar qualquer proposta.

Eu sou muito curioso, então sempre perguntei muito e continuo fazendo isso até hoje. Creio que essa curiosidade e o meu interesse pelos negócios dos meus clientes, fazendo as perguntas certas para disponibilizar as propostas certas, geram um ambiente de confiança. É gratificante constatar que essa credibilidade construída ao longo dos anos transformou muitas relações corporativas em amizades, o que naturalmente facilita e fortalece a geração de negócios.

NOSSO MEIO | Salvador passou a concentrar um ecossistema bastante amplo de pontos de contato da Eletromidia, entre ruas, shoppings, elevadores e aeroporto. O desafio agora é transformar essa capilaridade em valor percebido pelas marcas. Qual é, na sua visão, o próximo salto da operação baiana: ampliar inventário, sofisticar a inteligência de dados, criar novas experiências ou mudar a forma como o mercado compra OOH?

Leonardo César: Diria que é um pouco de tudo isso. Mesmo com crescimento expressivo, temos uma ampla margem de expansão na praça. Seguiremos focados em aprofundar o entendimento das demandas dos nossos clientes e das particularidades do mercado baiano, apoiados pela grande expertise da nossa equipe local.

Tudo isso caminha em consonância com as diretrizes nacionais da Eletromidia, que é uma empresa bastante disruptiva e inovadora. Mesclando tudo isso, posso dizer que é possível esperar muitas novidades daqui para a frente, não só na Bahia, mas em todo o Brasil.

NOSSO MEIO | Existe hoje uma valorização crescente daquilo que acontece no mundo físico: experiências presenciais, eventos, espaços urbanos e marcas ocupando lugares de relevância na vida das pessoas. Para você, o que o retorno do “real” representa para a publicidade e por que o OOH pode se beneficiar particularmente desse movimento?

Leonardo César: Na Eletromidia, traduzimos essa valorização da experiência presencial na jornada das pessoas por meio do conceito de “storyliving”. Mais do que o tradicional storytelling, nós viabilizamos que as marcas proporcionem experiências reais e imersivas no dia a dia da população. Isso é muito simples e ao mesmo tempo muito mágico. Aí está a beleza do nosso negócio!

A grande vocação da Eletromidia é ressignificar o espaço urbano. O projeto Abrigo Amigo, patrocinado pela Claro, é um exemplo prático de como transformamos a espera em um ponto de ônibus utilizando nossos painéis digitais para oferecer companhia e segurança. Esse é um tipo de impacto social que apenas o meio OOH tem a capacidade de entregar.

Indo além da comunicação, oferecemos experiências disruptivas que aumentam o recall, impulsionam vendas e fortalecem a reputação das marcas. Isso nos aproxima cada vez mais dos nossos clientes e da população, o que é motivo de muito orgulho para todos nós.