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LinkedIn e X são inundados por conteúdo de IA, aponta estudo

Por Redação

16/07/2026 14h05

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Estudo aponta que boa parte dos textos vistos pelos usuários nessas plataformas foi produzida por inteligência artificial.

A inteligência artificial tornou a produção de conteúdo mais rápida, barata e acessível. Mas, à medida que ferramentas generativas se popularizam, cresce também um efeito colateral: a saturação das redes sociais com textos produzidos por IA.

O fenômeno, conhecido como AI slop, que se refere a conteúdos automatizados, repetitivos e com pouco valor original, começa a alterar a dinâmica de plataformas como LinkedIn e X (antigo Twitter), onde autenticidade sempre foi um ativo importante.

Um levantamento da startup Pangram, especializada em detecção de textos gerados por IA, sugere que 41% dos posts longos visualizados por usuários no LinkedIn são totalmente produzidos por inteligência artificial.

No X, esse índice chega a cerca de um terço dos artigos longos consumidos pelos usuários. O estudo analisou aproximadamente 1 milhão de publicações visualizadas por participantes que autorizaram o monitoramento por meio de uma extensão do Chrome, oferecendo um retrato do conteúdo que as pessoas realmente encontram em sua navegação diária, e não só do volume publicado nas plataformas.

Em um ambiente inundado por textos semelhantes, a voz humana pode voltar a ser um diferencial competitivo. Essa é uma questão estratégica para o marketing e para a comunicação corporativa levantada por esses dados.

O problema está na homogeneização do conteúdo.

O estudo da Pangram não conclui que todo conteúdo gerado por IA seja ruim. A principal preocupação é a repetição de estruturas, argumentos e estilos de escrita que tornam as plataformas menos diversas e menos úteis para quem busca informação ou networking.

Segundo a empresa, conteúdos mais longos tendem a ser muito mais automatizados do que comentários ou publicações curtas. Isso faz sentido, pois, ferramentas generativas são eficientes para produzir artigos, reflexões e textos corporativos, justamente os formatos que ganharam espaço no LinkedIn.

A pesquisa ressalta qe trata-se de uma estimativa baseada em um detector de IA, que, como qualquer sistema desse tipo, pode registrar falsos positivos e falsos negativos. Ainda assim, o diferencial metodológico do levantamento está em medir o que os usuários efetivamente veem, e não só o que é publicado.

O LinkedIn enfrenta um dilema criado pela própria IA

O cenário chama atenção porque acontece justamente em uma plataforma que tem investido em recursos de inteligência artificial. Nos últimos meses, o LinkedIn ampliou funcionalidades que ajudam usuários a escrever posts, otimizar perfis e até sugerir mensagens com apoio da IA. Ao mesmo tempo, a empresa reconheceu publicamente o crescimento do chamado “AI slop”.

O desafio das marcas não é usar IA, mas preservar identidade

Ferramentas de inteligência artificial tendem a permanecer no fluxo de produção de conteúdo, seja para pesquisa, revisão ou organização de ideias. O desafio passa a ser evitar que todas as marcas soem iguais.

Quando a comunicação perde repertório próprio, experiência prática e opiniões originais, o risco não se limita a reduzir o alcance das publicações, mas inclui comprometer atributos como autoridade, confiança e diferenciação, elementos fundamentais para estratégias de branding e liderança de pensamento.

Nesse contexto, a IA pode continuar sendo uma aliada da produtividade, desde que funcione como apoio ao processo criativo, e não como substituta da perspectiva humana.

A próxima disputa nas redes será pela autenticidade

O crescimento do conteúdo gerado por inteligência artificial revela uma mudança importante no ambiente digital. Durante anos, a principal preocupação das marcas foi produzir conteúdo em volume suficiente para alimentar algoritmos. Agora, o desafio passa a ser produzir conteúdo que pareça, de fato, humano.

À medida que textos automatizados se tornam mais comuns, experiências reais, opiniões fundamentadas e repertório próprio tendem a ganhar valor. Paradoxalmente, a popularização da IA pode tornar a autenticidade um dos ativos mais escassos e, justamente por isso, um dos mais valiosos para marcas, executivos e criadores de conteúdo.