Crescimento acima da média do setor reforça a força dos negócios de vizinhança na economia local, mesmo com a queda no consumo
Mesmo em um cenário de desaceleração do consumo no varejo alimentar, os minimercados cresceram acima da média do setor em 2025, reafirmando seu papel como espaços de proximidade, geração de comunidade e dinamização da economia local, com destaque para o Nordeste.
Em um ano marcado pelo enfraquecimento do consumo e pela redução do fluxo de clientes no varejo alimentar, os minimercados se consolidaram como um dos formatos mais resilientes do setor. Com até nove checkouts e presença direta nos bairros, esses estabelecimentos mantêm uma relação cotidiana com os consumidores e vêm ganhando relevância justamente em um momento de maior cautela nos gastos das famílias.
Dados da pesquisa Radar Varejo de Vizinhança, da Scanntech, mostram que os minimercados registraram crescimento de 5,3% no faturamento em 2025, resultado superior à média do varejo alimentar, que avançou 4,1% no período. O desempenho ocorre mesmo com a queda de 1,5% no volume de unidades vendidas e a retração de 2,5% no fluxo de clientes, um indicativo claro dos desafios enfrentados pelo consumo no país.
A força desse formato está ligada à conveniência e à proximidade. Em vez de grandes compras, o consumidor tem recorrido com mais frequência às lojas de bairro, que oferecem um mix ajustado à rotina local e permitem compras rápidas, alinhadas a um orçamento mais controlado. Esse movimento ajuda a explicar por que os minimercados seguem crescendo em faturamento, mesmo em um cenário de desaceleração geral.
No recorte regional, o Nordeste aparece entre as regiões com melhor desempenho dos minimercados em 2025. A presença desses estabelecimentos em bairros periféricos, cidades médias e pequenos municípios reforça seu papel como agentes de desenvolvimento local, garantindo abastecimento, circulação de renda e manutenção de empregos em territórios fora dos grandes centros urbanos.
Em Fortaleza, essa dinâmica pode ser observada na atuação dos Mercadinhos São Luiz, uma das maiores redes supermercadistas do Ceará. Embora opere majoritariamente com supermercados tradicionais, o Grupo São Luiz também investe, em unidades pontuais, no formato de minimercado, como estratégia para se aproximar do consumidor e reforçar sua atuação nos bairros, com um sortimento adaptado aos hábitos de consumo e às particularidades de cada região da cidade.
Para Ana Luiza Ramalho, diretora de marketing do Grupo São Luiz, “os minimercados resgatam a essência das lojas de vizinhança, que fazem parte da rotina das pessoas e acompanham o seu dia a dia. É um formato que se destaca pela proximidade e pela praticidade, já que é possível oferecer um mix preparado para atender ao perfil dos clientes, aos hábitos de consumo e às particularidades da região em que a loja está localizada. Para nós, é um modelo que fortalece a relação com o consumidor a partir da conveniência gerada, ao mesmo tempo em que contribui para movimentar o mercado”.
Além do impacto direto no consumo, o desempenho dos minimercados reforça a relevância do setor supermercadista na economia brasileira. Do pequeno comércio de vizinhança às grandes redes regionais, o segmento responde por uma parcela significativa do Produto Interno Bruto e se encaixa entre os maiores geradores de empregos do país, desempenhando papel estratégico mesmo em períodos de menor crescimento econômico.


