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O poder das raízes: como o Grupo Raymundo da Fonte construiu marcas líderes apostando na inteligência nordestina

Por Redação

17/07/2026 15h09

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Há oito décadas, o Grupo Raymundo da Fonte cresce no Nordeste, investindo em talentos, parceiros e ideias da região para construir marcas fortes, relevantes e conectadas à cultura local

Enquanto muitas empresas brasileiras buscam nos grandes centros do Sudeste a validação para suas estratégias de marketing, comunicação e inovação, um dos maiores grupos industriais do Nordeste construiu uma trajetória diferente. Ao completar 80 anos de atuação, o Grupo Raymundo da Fonte reforça um modelo de crescimento baseado na valorização dos talentos locais, no fortalecimento do mercado regional e na construção de marcas que nasceram e cresceram conectadas à cultura nordestina.

Fundado em Pernambuco em 1946, o Grupo tornou-se uma das principais indústrias brasileiras de bens de consumo, reunindo mais de 400 produtos nas categorias de limpeza doméstica, lavanderia, higiene pessoal, inseticidas e condimentos. Marcas como Brilux, Minhoto, Sonho, Even e Candura fazem parte da rotina de milhões de consumidores e ajudaram a consolidar a companhia como uma das maiores referências empresariais da região.

Ao longo de sua trajetória, o Grupo conquistou espaço e relevância em mercados altamente competitivos, disputando preferência com grandes empresas nacionais e multinacionais que investem milhões de reais anualmente em comunicação, distribuição e presença nos pontos de venda. Em diversas categorias, suas marcas alcançaram liderança e forte conexão emocional com os consumidores nordestinos, resultado de uma estratégia construída a partir do conhecimento profundo do território onde nasceram.

Mas, para além dos números, existe uma característica que diferencia a trajetória da empresa: a decisão de desenvolver suas marcas, campanhas e estratégias a partir do próprio Nordeste.

Em um mercado historicamente concentrado no eixo Rio-São Paulo, o Grupo manteve ao longo de décadas uma política de valorização da inteligência regional, investindo em profissionais, fornecedores, parceiros, agências e criadores de conteúdo que conhecem de perto os hábitos, comportamentos e referências culturais do consumidor nordestino.

“O Nordeste não é apenas um mercado para nós. É a nossa origem, a nossa identidade e a nossa principal fonte de inspiração. Ao longo dos anos, construímos nossas marcas valorizando os talentos da região, acreditando na capacidade criativa dos profissionais locais e fortalecendo um ecossistema que gera desenvolvimento para todos os envolvidos”, afirma Renata Carvalho, gerente de Marketing, Trade & Inteligência de Mercado do Grupo Raymundo da Fonte.

Renata Carvalho, gerente de Marketing, Trade & Inteligência de Mercado do Grupo Raymundo da Fonte.

A estratégia acompanha uma transformação importante no mercado brasileiro. Cada vez mais, empresas buscam conexões genuínas com os territórios onde atuam, substituindo campanhas genéricas por narrativas mais próximas da realidade dos consumidores. Nesse contexto, o conhecimento cultural se tornou um ativo competitivo tão importante quanto tecnologia ou distribuição.

No Grupo Raymundo da Fonte, essa lógica aparece tanto nas campanhas publicitárias quanto na escolha de parceiros de comunicação, influenciadores digitais, eventos culturais e iniciativas de relacionamento com as comunidades. A valorização do pertencimento regional não é vista apenas como uma ação de marketing, mas como parte da própria estratégia de negócios.

O resultado dessa construção pode ser observado também no reconhecimento conquistado junto aos consumidores. Ao longo dos anos, marcas do Grupo figuraram entre as mais lembradas e admiradas em premiações como Top of Mind, JC Recall e Marcas que Eu Gosto, iniciativas que medem exatamente aquilo que nenhuma campanha publicitária consegue comprar: a lembrança espontânea, a confiança e a preferência construída ao longo do tempo.

“O consumidor percebe quando uma marca conhece sua realidade e respeita sua cultura. Sempre acreditamos que construir com o Nordeste é mais potente do que simplesmente comunicar para o Nordeste. Esse compromisso está presente nas nossas marcas e na forma como nos relacionamos com as pessoas. O reconhecimento que recebemos ao longo dos anos é consequência dessa proximidade genuína com quem faz parte da nossa história”, destaca Renata.

Para a executiva, o diferencial competitivo do Grupo está justamente na capacidade de transformar pertencimento em estratégia. “Nunca enxergamos o Nordeste apenas como um mercado consumidor. Sempre acreditamos no potencial criativo, intelectual e empreendedor da região. Valorizar profissionais, agências, parceiros e criadores locais faz parte do nosso DNA e também explica a força das nossas marcas ao longo dessas oito décadas.”

A valorização do capital humano local também se conecta à agenda ESG da companhia. Em 2026, justamente no ano em que completa oito décadas de atuação, o Grupo conquistou o primeiro lugar no Selo Verde Pernambuco, reconhecimento concedido a empresas que se destacam por suas práticas ambientais, sociais e de governança. A premiação reforça uma trajetória construída a partir da combinação entre crescimento econômico, responsabilidade socioambiental e desenvolvimento regional.

Nos últimos anos, a empresa ampliou investimentos em economia circular, reciclagem, logística reversa, desenvolvimento de colaboradores, governança corporativa e impacto social. Atualmente, mais de 95% dos resíduos gerados em suas operações são reciclados, resultado de uma estratégia de longo prazo voltada para a sustentabilidade.

Para especialistas em branding, o caso do Grupo Raymundo da Fonte representa um movimento cada vez mais relevante no mercado brasileiro: o fortalecimento de empresas que transformam identidade territorial em diferencial competitivo. Em vez de buscar reconhecimento fora de sua origem, a companhia construiu relevância nacional preservando suas raízes e fortalecendo o ecossistema econômico e criativo da região onde nasceu.

Ao completar 80 anos, o Grupo demonstra que desenvolvimento econômico, valorização cultural e fortalecimento da cadeia criativa regional podem caminhar juntos. Um modelo que não apenas gera negócios, mas contribui para consolidar o Nordeste como um polo de inteligência, inovação e construção de marcas para todo o Brasil.

Fotos: Aurélio Alves