20ª edição

Perfil | Da Alpargatas à direção do Sistema Jangadeiro: a trajetória de Milton Turolla Jr.

Por Redação

30/01/2026 18h21

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Com quase 40 anos de trajetória, executivo passou por diferentes empresas, funções e mercados antes de chegar ao Ceará e assumir a direção executiva do Sistema Jangadeiro de Comunicação

A trajetória de Milton Turolla Júnior. começou em 1989, em São Paulo, e atravessou diferentes empresas, segmentos até chegar ao Ceará. Administrador de formação, passou os primeiros 12 anos da carreira no marketing de empresas de bens de consumo, período que incluiu nove anos na Alpargatas. Depois de ainda passar pela Kaiser, seguiu por empresas de rádio e televisão, onde acumulou mais de 25 anos de experiência em posições de direção e gestão. Desde 2025, é diretor executivo do Sistema Jangadeiro de Comunicação, no Ceará.

O início de tudo foi na Alpargatas, empresa global de calçados e têxteis, onde permaneceu por nove anos, Turolla teve contato com uma experiência que acabaria influenciando sua mudança de área. 

O reposicionamento das Havaianas aproximou o executivo das estratégias de comunicação e do planejamento de mídia. “Participar dessa mudança de percepção da marca, levando-a para espaços e um novo público onde antes ela não estaria, foi muito significativo. O contato com as campanhas de comunicação e com o planejamento de mídia acabou me aproximando de vez da comunicação. Acho que tudo isso moldou bastante a forma como eu trabalho hoje, com visão de negócio no longo prazo, gosto pelo ‘chão de fábrica’, simplicidade nas execuções e adaptação rápida às mudanças do mercado”.

A mudança de setor não significou uma ruptura com a experiência acumulada até então. Em empresas como Jovem Pan FM, ESPN, Esporte Interativo, TV Cultura e Grupo Bandeirantes de Comunicação, Turolla passou a transitar por diferentes áreas, funções e modelos de negócio. No meio desse percurso, uma orientação recebida no início da carreira ganhou novo significado.

“O maior aprendizado foi não me acomodar e buscar sempre evoluir. Isso foi uma recomendação de um headhunter que me orientou a tentar passar por até seis diferentes empresas ao longo de minha carreira. Eu sempre gostei de mudanças e novos desafios, até dentro da mesma empresa”.

Do mercado nacional ao Ceará

Essa disposição para novos caminhos também marcou a relação do executivo com a liderança. Ao longo dos anos, a gestão de pessoas passou a ocupar espaço importante em sua maneira de conduzir equipes e projetos.

“Também sempre acreditei em montar equipes fortes. Busco pessoas melhores do que eu em diferentes áreas e incentivo o desenvolvimento, para que elas enxerguem oportunidades de crescimento e tenham uma visão mais completa da empresa. No fim, liderança, para mim, tem muito mais a ver com formar ou extrair o máximo das pessoas, independentemente da posição ou o cargo que ocupam. Ocupar elevados cargos é consequência da entrega de todos”.

Foi nesse processo que o Ceará deixou de ser apenas um mercado conhecido para se tornar o local de uma nova etapa profissional. O estado já aparecia em sua história familiar e também em experiências anteriores no mercado de bens de consumo, antes de voltar a cruzar seu caminho por meio do Sistema Jangadeiro.

“Eu sempre tive uma ligação com o Ceará desde cedo, por conta da atuação do meu pai em uma empresa cearense que ele representava no Sudeste. Ao longo da minha carreira, o estado também esteve muito presente, seja como mercado importante no marketing quando trabalhei na Kaiser/Heineken, seja depois na comunicação, com o Sistema Jangadeiro já no meu radar profissional. A minha chegada foi acontecendo de forma natural: primeiro como consultor, depois como diretor comercial e de programação, até chegar à direção executiva. E foi uma transição muito tranquila, porque é um lugar bom de viver e uma empresa muito bem estruturada, com gestão totalmente profissionalizada”.

À frente do Sistema Jangadeiro desde 2025, Turolla passou a conduzir uma etapa marcada pela revisão de processos e pela incorporação de novas tecnologias. Entre os movimentos citados por ele estão a automação e a digitalização das operações de rádio e televisão. No mesmo período, o grupo alcançou novos marcos de audiência e ampliou sua presença no interior do Estado com a BandNews FM no Cariri, em Juazeiro do Norte.

Comunicação, confiança e vida pessoal

A experiência também colocou Turolla diante de um cenário de transformação mais amplo. A fragmentação do consumo de conteúdo e o avanço das plataformas digitais alteraram a forma como veículos tradicionais disputam atenção e distribuem informação. É nesse contexto que ele passou a integrar a Câmara de Televisão da ABERT.

“A comunicação brasileira vive uma transformação importante, com maior fragmentação do consumo e avanço das plataformas digitais. Mas rádio e televisão seguem tendo um papel central por serem concessões públicas, reguladas e fiscalizadas pelo Ministério das Comunicações e pela Anatel, o que traz um nível de responsabilidade e credibilidade muito específico. Nesse cenário, acredito que o papel dos veículos é justamente preservar essa confiança, mantendo sua relevância e se adaptando às novas formas de distribuição de conteúdo”.

A reserva que marca sua atuação profissional também aparece na vida pessoal. Turolla prefere manter fora dos holofotes os aspectos de sua rotina, embora reconheça na família a origem de valores que levaram para a vida profissional.

“Sou uma pessoa mais reservada, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Nunca tive o hábito de expor minha vida fora do trabalho. Acho que até mesmo dentro do trabalho. Em posições de liderança, o foco naturalmente está na empresa, nos projetos e nos resultados, mas isso não significa ausência de vida pessoal, significa apenas discrição. Os valores que carrego vêm muito da família, especialmente ligados à disciplina, responsabilidade, no fazer bem-feito e no respeito com as pessoas. No dia a dia, procuro manter um equilíbrio possível entre uma rotina profissional intensa e os momentos pessoais, de forma simples”.

Depois de quase quatro décadas, a ideia de continuidade parece ser uma das marcas desta nova fase. Vai além de encerrar um ciclo. Turolla quer seguir aprendendo e encontrando novos espaços para contribuir.

“Eu não vejo a carreira como algo que se encerra. Sempre existe algo a construir, a melhorar ou a aprender. O que me move hoje é justamente isso: continuar contribuindo, ajudando a desenvolver pessoas e projetos e acompanhando a transformação do setor de comunicação ou até de outros setores que venham a me interessar”.

Ao revisitar a própria trajetória, Turolla não destaca um cargo específico ou uma única conquista, mas a forma como pretende deixar sua marca por onde passou. É nesse olhar para o caminho percorrido que ele sintetiza o legado que gostaria de levar consigo.

“Se eu pudesse resumir como gostaria de ser lembrado, seria como alguém que trabalhou com seriedade, ajudou a construir equipes e contribuiu de forma positiva para as empresas por onde passou”.