Marketing

Pesquisa GPTW revela avanço da participação feminina nas agências de publicidade

Por Redação

03/02/2026 17h48

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Estudo revela avanço na participação feminina, cultura de confiança impulsiona inovação e retenção de talentos ainda é desafio no setor publicitário

As agências de publicidade brasileiras reconhecidas como as melhores para trabalhar estão mais femininas, inovadoras e atentas à cultura organizacional. É o que mostra a 13ª edição do Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar – Agência de Publicidade, realizado pelo Great Place To Work® (GPTW), consultoria global referência em clima e gestão de pessoas.

O levantamento revela que as mulheres já representam 55% do quadro de colaboradores das empresas premiadas, índice superior ao observado em outros rankings setoriais. Ao mesmo tempo, ambientes baseados em confiança aparecem como diferencial competitivo para estimular a inovação. Em contrapartida, a permanência dos profissionais nas agências ainda é um ponto sensível para o mercado.

Em 2025, 109 agências participaram da pesquisa, impactando mais de 7.116 colaboradores. Ao todo, 20 organizações foram reconhecidas, sendo 10 de pequeno porte e 10 de médio porte, com práticas consistentes de gestão de pessoas em um cenário marcado por alta competitividade e transformações constantes.

O estudo mostra que o mercado publicitário segue concentrado em polos estratégicos, mas já apresenta sinais de descentralização. São Paulo lidera com oito agências premiadas, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul, com três cada, e Rio de Janeiro, com duas. Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Santa Catarina aparecem com uma agência reconhecida cada, indicando a expansão das boas práticas para além do eixo tradicional.

Já o perfil das equipes reforça a característica de um mercado jovem. Atualmente, 71% da força de trabalho está nas faixas etárias iniciais.

Profissionais com até 25 anos passaram a representar 28% do total, crescimento de três pontos percentuais em relação ao ano anterior. A faixa entre 26 e 34 anos segue majoritária, apesar de leve retração. Já colaboradores entre 35 e 44 anos somam 22%. Acima dos 45 anos, a participação é menor, com 6% entre 45 e 54 anos e apenas 2% com 55 anos ou mais.

O tempo de casa confirma a dinâmica acelerada do setor. Em 2025, 60% dos colaboradores tinham até dois anos de empresa. O percentual cresce em comparação com 2024 e avança quatro pontos percentuais frente a 2023.

Profissionais com dois a cinco anos de casa representam 31%. Já quem permanece por períodos mais longos é minoria: 6% entre seis e dez anos, 2% entre 11 e 15 anos e outros 2% com mais de 16 anos na mesma agência.

Os fatores de retenção também estão mudando. Remuneração, benefícios e estabilidade ganharam mais peso nos últimos anos. A percepção sobre salário, por exemplo, cresceu quatro pontos percentuais desde 2023.

Ainda assim, oportunidades de crescimento seguem como principal motivo de permanência, citadas por 38% dos profissionais. Em seguida aparecem qualidade de vida (34%) e alinhamento de valores (12%). Os três indicadores, porém, registraram leve queda, sinalizando novas prioridades diante de um mercado mais instável.

Além de maioria no quadro geral, as mulheres também ampliaram presença na alta gestão. Em 2025, elas ocupam 40% dos cargos de liderança sênior, avanço de seis pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Na média liderança, a participação feminina caiu levemente, chegando a 53%. Já nas demais posições de gestão, o índice recuou para 49%. Os dados indicam progresso no topo, mas mostram que ainda há espaço para fortalecer a diversidade de gênero em todos os níveis.

O Índice de Inovação (IVR) reforça a relação direta entre ambiente saudável e desempenho do negócio. A diferença entre agências premiadas e não premiadas chega a 29 pontos percentuais nos estágios mais avançados de inovação.

Além disso, empresas reconhecidas apresentam 21% menos organizações em estágio de atrito, o que evidencia que confiança e bem-estar impactam diretamente a capacidade criativa e competitiva.

Entre as vencedoras, 30% já operam no estágio funcional de inovação, crescimento de dez pontos percentuais em relação ao ranking anterior. Também houve redução no número de empresas em níveis críticos, sinalizando amadurecimento do setor.

No fim das contas, o retrato que emerge é o de um mercado mais diverso e atento às pessoas, mas que ainda precisa resolver a equação da retenção. Um cenário em que talento entra rápido, brilha forte e, muitas vezes, sai antes do café esfriar.