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30 segundos que valem até US$10 milhões: o papel do Super Bowl como palco da publicidade e do entretenimento

Por Lucas Abreu

05/02/2026 08h30

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Neste domingo (8), os New England Patriots e os Seattle Seahawks adentram o campo do Levi’s Stadium para definir quem será o novo campeão da National League of Football (NFL), principal liga de futebol americano dos Estados Unidos. A projeção é que a 60ª edição do Super Bowl ultrapasse a marca de 1,8 bilhão de espectadores, o que consolida o evento esportivo como um dos maiores do ano e um palco valoroso para marcas que desejam promover seus produtos e serviços, a um preço de US$ 10 milhões por 30 segundos de visibilidade.

Historicamente, os valores dos comerciais do Super Bowl vêm em trajetória de alta. Nos últimos anos, as inserções giravam em torno de US$6 milhões a US$7 milhões por 30 segundos. O salto para a casa dos dois dígitos evidencia não apenas inflação de mídia, mas uma transformação estrutural: a revalorização dos grandes eventos ao vivo.

“O Super Bowl é um dos poucos ambientes em que as marcas não competem apenas por cliques ou conversões imediatas, mas pela atenção plena do público. Em um mundo de múltiplas telas e estímulos constantes, isso se tornou extremamente valioso”, afirma Bruno Almeida, CEO da US Media.

Nesse contexto, o desempenho comercial do Super Bowl reflete um movimento mais amplo do mercado publicitário. Eventos ao vivo como Copa do Mundo, Olimpíadas, Fórmula 1 e grandes finais esportivas voltaram a ocupar posição central nos planos de mídia globais. A explicação está na capacidade desses eventos de combinar alcance, contexto e emoção em tempo real. Para os anunciantes, isso se traduz em maior impacto de marca, menor dispersão de atenção e uma conexão mais profunda com o público.

“O crescimento do valor do Super Bowl é um sinal claro de que a publicidade entrou na era da economia da atenção. Eventos ao vivo entregam algo que nenhum algoritmo, isoladamente, consegue garantir: relevância cultural e presença simultânea em larga escala”, analisa Bruno Almeida.

Confira abaixo algumas marcas que já movimentam anúncios para o Super Bowl LX:

Pepsi

A Pepsi aposta na volta dos icônicos ursos polares para reafirmar seu lugar histórico no evento, usando a nostalgia como linguagem de massa, mas atualizada para sustentar o posicionamento do Pepsi Zero Sugar. Dirgido por Taika Watiti, comercial funciona como um lembrete bem-humorado de que a marca sabe olhar para o passado sem parecer presa a ele, transformando memória afetiva em ativo contemporâneo.

Pringles

O comercial de Pringles se ancora totalmente na cultura pop ao colocar Sabrina Carpenter no centro de uma narrativa musical, colorida e acelerada, pensada para ultrapassar a TV e dominar as redes sociais. Mais do que vender um snack, a marca se comporta como entretenimento, usando o carisma da artista para se inserir organicamente no imaginário jovem e digital.

Uber Eats

A Uber Eats aposta no humor e na cultura pop ao reunir Matthew McConaughey, Bradley Cooper e Parker Posey em um comercial que brinca com a ideia de que o Super Bowl existe para vender comida, reforçando a marca como parte inseparável do ritual do jogo.

Meta (Oakley Meta)

A Meta usa o palco do Super Bowl para apresentar seus óculos inteligentes em parceria com a Oakley, inserindo a inteligência artificial no contexto do esporte, da performance e da criação de conteúdo. O filme posiciona a tecnologia como algo natural e vestível, menos futurista e mais cotidiana, reforçando a ideia de que a próxima interface digital já está integrada ao corpo.

Cadillac

No lugar de um comercial tradicional de automóveis, a Cadillac transforma sua presença no Super Bowl em uma declaração de ambição ao revelar o carro e a identidade visual de sua futura equipe de Fórmula 1. O anúncio reposiciona a marca no território da alta performance global, usando o esporte como linguagem para atualizar o significado do luxo americano.

Lançamentos de Hollywood

O Super Bowl 2026, Hollywood volta ao jogo com mais força ao usar o intervalo comercial como vitrine estratégica para alguns de seus títulos mais aguardados. Além de Pânico 7, entram em cena trailers e teasers de O Mandaloriano e Grogu, reforçando o peso do universo Star Wars; Toy Story 5, que aposta na força emocional e geracional da Pixar; Super Mario Galaxy, ampliando a presença dos games no cinema; Michael, a cinebiografia de Michael Jackson, e Dia D, nova produção de ficção científica de Steven Spielberg.

O intervalo chama atenção e a estratégia decide o resultado

Apesar da concentração de atenção em poucos minutos, o intervalo do Super Bowl está longe de ser suficiente para sustentar, sozinho, os objetivos de visibilidade e engajamento das marcas. Em 2026, o diferencial competitivo está em como as campanhas são trabalhadas após o jogo, quando a audiência se fragmenta e passa a consumir e reinterpretar as mensagens em diferentes ambientes.

A publicidade pós-evento tornou-se fundamental para ampliar alcance, aprofundar a narrativa e capturar diferentes níveis de atenção. É nesse momento que entram estratégias de diversificação de mídia, combinando vídeo digital, redes sociais, mídia programática, creators, PR e ativações contextuais, capazes de transformar um pico de exposição em uma presença contínua.

“Tratar o intervalo como o ápice da estratégia é um erro comum. Na prática, ele funciona como um gatilho. O retorno real vem da capacidade de sustentar a mensagem no pós-evento, adaptando a narrativa a diferentes plataformas, públicos e momentos de consumo”, afirma o CEO da US Media.