Gestão

Agência Felina estreia apostando em IA para reinventar o modelo tradicional de agência

Por Redação

18/06/2026 14h00

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Fundada por ex-executivos da Lew’Lara\TBWA, empresa utiliza inteligência artificial para automatizar processos

Em um momento em que a inteligência artificial vem transformando as estruturas da indústria da comunicação, uma nova empresa chega ao mercado propondo uma revisão do modelo tradicional de agência. A Felina iniciou oficialmente suas operações nesta semana com a proposta de atuar como uma Lights Off Creative Company, conceito que utiliza a IA como base operacional para automatizar tarefas repetitivas e direcionar o trabalho humano para atividades estratégicas e criativas.

A companhia foi fundada por Marcia Esteves, Rodrigo Tórtima, Elise Passamani, Raquel Messias e Andreia Abud, executivos com longa trajetória no mercado publicitário e passagens pela antiga Lew’Lara\TBWA. O time de liderança também conta com Joaquim Fantin como CTO. Na estrutura da empresa, Marcia assume a posição de CEO, Rodrigo Tórtima a de CCO, Elise Passamani a de COO, Raquel Messias a de CSO e Andreia Abud a de CDMO.

Segundo a empresa, o modelo foi desenvolvido a partir da observação das transformações recentes da indústria criativa e da crescente capacidade da tecnologia de executar atividades operacionais em larga escala. A proposta é utilizar a inteligência artificial como infraestrutura para automatizar processos como análise de dados, adaptação de materiais, versionamento e organização de informações, reduzindo a necessidade de grandes estruturas operacionais.

Na prática, a operação da Felina funciona por meio de ambientes exclusivos desenvolvidos para cada cliente e projeto. Esses espaços reúnem informações estratégicas, pesquisas, dados de mercado e materiais proprietários das marcas, criando uma base personalizada para o desenvolvimento dos trabalhos. Apesar da automação presente em diversas etapas do processo, a empresa destaca que todas as entregas passam pelo acompanhamento, validação e direcionamento de profissionais sêniores, responsáveis pelas decisões criativas e estratégicas.

A reflexão sobre o impacto da inteligência artificial no setor foi destacada por Marcia Esteves ao comentar a criação da empresa. Em publicação nas redes sociais, a executiva afirmou que a chegada da IA trouxe uma nova perspectiva para o mercado ao evidenciar a diferença entre produtividade e criatividade.

“Quando uma máquina consegue fazer bem feito o que antes levávamos dias para fazer: adaptar, versionar, formatar, revisar, produzir em escala, o que resta como valor humano insubstituível? Essa pergunta está paralisando muita gente. Não deveria. Porque a resposta sempre foi óbvia: o que a máquina não substitui é exatamente o que o mercado passou décadas negligenciando. E é o maior talento brasileiro. O ponto de vista. A estranheza proposital. A escolha do que não dizer. A leitura cultural que vem de ter vivido, não de ter processado dados. A coragem de defender uma ideia que contraria o briefing porque você sabe, no seu instinto mais fundo, que é a coisa certa”, escreveu.

Para a executiva, a proposta da Felina nasce justamente da necessidade de reposicionar o papel dos profissionais criativos em um cenário cada vez mais automatizado. “Não fundamos a Felina para provar que IA é o futuro. Fundamos para provar que o instinto criativo humano, quando liberado do peso do excesso operacional, volta a ter valor”, afirmou.

O primeiro projeto desenvolvido pela empresa foi realizado para o Edifício Copan, um dos marcos arquitetônicos de São Paulo projetado por Oscar Niemeyer. Durante a fase beta de operação, a Felina trabalhou no reposicionamento e na nova identidade visual do empreendimento, cujo resultado deve ser apresentado nas próximas semanas.

Com a estreia da Felina, o mercado acompanha mais um movimento que busca equilibrar tecnologia e criatividade humana, em um cenário em que a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar parte da estrutura operacional das empresas de comunicação.