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Em três dias, o volume de vendas de duas semanas: os bastidores da Black Friday do São Luiz no centenário

Por Redação

04/11/2026 15h27

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Ana Luiza Ramalho, diretora de marketing do Grupo MSLZ, explica como a campanha evoluiu desde 2020, da integração entre áreas à comunicação para um consumidor que compra ao longo de novembro

Em 2020, a Black Friday do São Luiz era uma ação pontual. A sexta-feira seguia o horário normal das lojas, e os descontos valiam enquanto durassem os estoques, com possibilidade de prorrogação até o domingo. Quatro anos depois, algumas unidades já funcionavam por 40 horas ininterruptas, e as ofertas chegavam também ao e-commerce. Em 2026, ano em que a marca completa 100 anos, a campanha acontece pela segunda vez sob a identidade São Luiz Supermercado, adotada no ano passado, e ocupa os dias 27, 28 e 29 de novembro, com a participação também do Mercadão, bandeira de lojas de desconto do grupo.

Ana Luiza Ramalho, diretora de marketing do Grupo MSLZ

Para Ana Luiza Ramalho, diretora de marketing do Grupo MSLZ, essa trajetória é fruto de aprendizado acumulado. “A Black Friday ganhou uma dimensão maior dentro do nosso planejamento, a campanha que fazemos hoje é resultado de uma construção de vários anos. A cada edição, analisamos os pontos positivos e o que precisa melhorar, e esse aprendizado orienta o planejamento seguinte”, afirma.

Uma operação que começa meses antes

A ampliação dos horários e a entrada do digital mudaram o calendário interno da campanha. Hoje, a preparação começa muito antes de as ofertas chegarem às gôndolas e às telas. “A ampliação dos horários e a participação do e-commerce exigiram uma preparação que envolve todos os setores, com meses de antecedência. Temos a negociação com fornecedores, o abastecimento, o treinamento das equipes e a preparação dos sistemas para o fluxo de clientes”, explica a executiva.

O resultado dessa engrenagem já aparece nos números. Em 2023, o volume de vendas nos três dias de campanha equivaleu a 14 dias de operação normal. Segundo Ana Luiza, um desempenho desse porte depende de uma construção conjunta. “O comercial negocia com fornecedores e parceiros, o Centro de Distribuição se prepara para atender à demanda, as equipes de loja recebem treinamento e os sistemas precisam suportar o movimento no físico e no online”, afirma.

Para ela, o marketing é a ponta visível de um trabalho que envolve toda a empresa. “O marketing depende desse alinhamento para transmitir ao público o que ele vai encontrar nas lojas. Para o cliente, a integração aparece no cumprimento da oferta anunciada e em uma operação preparada para recebê-lo.”

Comunicação no ritmo do consumidor

O comportamento de compra também mudou. Uma pesquisa da LWSA indica que apenas 20% dos consumidores pretendem concentrar as compras na sexta-feira, enquanto 54% devem comprar ao longo de novembro, conforme as ofertas aparecem. Para o varejo, isso significa ter uma comunicação que acompanhe o mês inteiro, e não só um dia.

“Esse comportamento exige pensar no ritmo da comunicação. O cliente pesquisa, compara e pode decidir pela compra assim que encontra uma condição que considera vantajosa. Por isso, a divulgação precisa acompanhar o calendário de ofertas, com clareza sobre quando cada uma começa e termina e em quais canais está disponível”, afirma Ana Luiza. Ela explica ainda que é a negociação com fornecedores, iniciada meses antes, que permite construir oportunidades reais de economia.

Com mais canais e horários, aumenta também o peso da informação. “Na comunicação, essa evolução também amplia a nossa responsabilidade: precisamos apresentar as ofertas e explicar como o cliente pode aproveitá-las, com informações claras sobre horários, lojas participantes e condições de compra.”

Adega e valor agregado

Desde as primeiras edições, vinhos, espumantes, destilados e queijos finos ocupam espaço nas ofertas da rede. Na leitura da diretora, essas categorias funcionam como porta de entrada para novas experiências de consumo e para as compras de fim de ano. “A adega e os itens de maior valor agregado têm um papel importante porque a Black Friday pode ser uma oportunidade para experimentar um novo rótulo, conhecer um produto ou antecipar compras para as celebrações de fim de ano”, afirma.

A estratégia de divulgação, segundo ela, vai além do preço. “São categorias nas quais o preço tem peso, mas a informação também ajuda muito na escolha. Na divulgação, buscamos associar a oferta às características do produto e às ocasiões de consumo. Isso permite conversar tanto com quem já conhece esses itens quanto com quem pretende experimentá-los pela primeira vez.”

Centenário e confiança

A edição de 2026 ganha um significado especial por acontecer no ano do centenário. “No centenário, temos a oportunidade de reforçar uma relação de confiança construída ao longo de gerações”, afirma Ana Luiza. Na Black Friday, segundo ela, essa relação passa pelo compromisso de oferecer descontos de verdade e de preparar a operação para que o cliente consiga aproveitá-los.

Ao olhar para as primeiras edições, a executiva reconhece o quanto a empresa aprendeu e como a campanha passou a mobilizar todas as áreas. A Black Friday de 2026 acontece de 27 a 29 de novembro, nas lojas São Luiz Supermercado e Mercadão, em um calendário em que o consumidor antecipa decisões e espalha as compras ao longo do mês, e em que o varejo alimentar disputa espaço com categorias como eletrônicos e moda.