É só chegar perto da Black Friday que começa aquela sensação de déjà-vu. Tudo fica muito parecido. Desconto, cashback, frete grátis, só hoje, imperdível. Quando todas as marcas começam a surfar na mesma onda, fica difícil saber quem está fazendo a melhor manobra. E a diferenciação, que deveria estar no radar, acaba ficando em segundo plano.
Faltam pouco para a Black Friday e, talvez, o maior desafio das marcas não seja mais chamar a atenção. Seja conseguir ser escolhida em meio a tanta informação, tanta oferta e tanta semelhança. Tudo cada vez mais commodity. Mas, no jogo de hoje, temos uma nova carta na mesa: a inteligência artificial.
O consumidor já começa a consultá-la para saber o que vale a pena comprar. Segundo o Think with Google, 57% dos brasileiros já utilizam IA em suas jornadas de compra. E a forma de buscar também está mudando. Em vez de procurar apenas um produto, o consumidor pode perguntar qual é a melhor opção para resolver uma necessidade específica. A busca fica mais detalhada, mais contextual e muito mais próxima do que ele realmente precisa. Isso muda muita coisa.
O Google destaca dois conceitos importantes nessa jornada: Mind Share e AI Share. O primeiro continua sendo aquilo que sempre buscamos no branding: ocupar a mente e o coração das pessoas, construir lembrança, preferência e conexão com o seu público. Já o AI Share é o ingrediente novo dessa disputa: ser encontrado, compreendido e recomendado pelas inteligências artificiais.
Tá, mas como fazer para uma marca ser encontrada pela IA? Retornemos ao básico. Ou seja: precisamos de clareza. A marca precisa ter informações consistentes, produtos bem descritos, conteúdos que respondam às dúvidas reais das pessoas, avaliações, especificações e presença nos ambientes digitais onde essas informações podem ser encontradas. A IA precisa entender quem é a marca, o que ela oferece, para quem oferece e por que pode ser uma boa escolha.
Uma marca pode ser conhecida, ter uma boa campanha, um posicionamento bem construído e ainda assim não aparecer quando alguém pergunta à IA qual é a melhor opção para determinada necessidade. Por isso, a Black Friday não deveria começar em novembro. Começa agora, quando o consumidor ainda está pesquisando, comparando, perguntando e formando sua decisão.
É hora de mudar a perguntar “Qual será a nossa oferta?” para a pergunta “Quando alguém perguntar à IA qual é a melhor opção para aquilo que a minha marca resolve, ela estará entre as respostas?”.
Porque, em um momento em que todos estão oferecendo desconto, talvez saia na frente quem conseguir ocupar a mente do consumidor e, ao mesmo tempo, entrar na conversa que ele está tendo com a IA. E isso, definitivamente, é assunto de branding.
