SXSW

Amy Webb aponta três convergências do futuro: aprimoramento humano, produção automatizada e IA como apoio emocional

Por Redação

16/03/2026 14h35

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A futurista apresenta a convergência de tendências que devem moldar o futuro dos negócios e da sociedade

Uma das palestras mais aguardadas do SXSW voltou a lotar auditórios em Austin neste ano. A futurista Amy Webb, CEO da Future Today Strategy Group (FTSG) e professora da NYU Stern School of Business, apresentou um panorama provocativo sobre as transformações que devem impactar empresas, tecnologia e comportamento nos próximos anos.

Amy iniciou a palestra com humor, e um tom fúnebre, ao anunciar o encerramento do relatório de tendências tecnológicas que apresentou por 17 anos no evento. “Às vezes é preciso destruir o que foi construído para abrir caminho ao que o futuro exige”, afirmou. 

Para a futurista, olhar apenas para tendências isoladas já não é suficiente. O que realmente importa são as convergências, momentos em que diferentes forças tecnológicas e sociais se combinam para produzir mudanças sistêmicas e difíceis de reverter. Dito isso, a palestrante apresentou a primeira análise anual de convergências da FTSG, as Perspectivas de Convergência 2026: o novo momento da destruição criativa.

“Temos uma análise muito aprofundada que mostra como o mundo provavelmente funcionará nos próximos 12 a 24 meses”, explica. 

Segundo ela, três convergências principais já estão em formação.

Humanos ampliados pela tecnologia

A primeira delas é a Human Augmentation, ou aprimoramento humano. O conceito envolve o uso de tecnologia e biologia para ampliar capacidades físicas e cognitivas além dos limites naturais.

Sensores corporais, interfaces cérebro-computador e sistemas de monitoramento contínuo podem transformar o corpo humano em uma espécie de plataforma tecnológica. 

Na prática, isso pode criar novas vantagens competitivas entre indivíduos e até redefinir critérios de desempenho profissional.

“Pela primeira vez na história, alguns humanos poderão ser objetivamente melhores do que outros”, alertou Webb.

Produção sem trabalhadores

A segunda convergência apresentada foi o Unlimited Labor, ou trabalho ilimitado. O conceito descreve um cenário em que agentes de inteligência artificial, robôs e fábricas totalmente automatizadas produzem em escala sem depender da participação humana. 

Para Webb, esse movimento pode levar a uma mudança profunda no funcionamento da economia global e levantar questões importantes sobre emprego, renda e produtividade.

Como exemplo, Amy citou o caso de Luo Yonghao, streamer chinês conhecido por realizar transmissões ao vivo para vender produtos. Ele e seu co-apresentador criaram versões de si mesmos em inteligência artificial e, no ano passado, fizeram uma live de seis horas com seus avatares. A transmissão movimentou cerca de US$ 7,6 milhões em vendas.

“Tudo aquilo que tornava os criadores relevantes – a capacidade de se conectar de forma autêntica, ter ideias originais e interagir com o público -, agora pode ser automatizado a baixo custo”, aponta Webb.

Amy aprofunda ainda mais a reflexão e relembra que durante séculos, o crescimento econômico exigiu, acima de tudo, acesso a grandes contingentes de mão de obra humana. “Pela primeira vez na história da humanidade, é possível ter escala de produção sem população”, alerta.

Emoções terceirizadas para máquinas

A terceira convergência é chamada de Emotional Outsourcing, a terceirização das emoções.

Cada vez mais pessoas recorrem a sistemas de inteligência artificial para companhia, validação emocional ou aconselhamento. Em alguns casos, esses sistemas já se tornaram uma das maiores fontes de apoio em saúde mental nos Estados Unidos. 

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Para a futurista, o risco está no aumento da dependência tecnológica nas relações humanas.

“A solidão está se tornando um mercado. A dependência virou produto”, afirmou.

O que empresas e profissionais precisam fazer

Ao final da apresentação, Webb deixou um recado direto para o público do SXSW: empresas precisam começar a estruturar estratégias considerando essas convergências tecnológicas.

Para indivíduos, a recomendação foi aplicar o conceito de destruição criativa na própria carreira, repensando habilidades, modelos de trabalho e formas de adaptação a um cenário de transformação acelerada.

“Se você quer ter controle sobre o futuro, precisa agir agora”, concluiu.