À frente do Grupo Host, o empresário Deda Cardoso construiu uma trajetória marcada por inovação, estratégia e foco em experiências memoráveis no setor de gastronomia e entretenimento. O empresário relembra os primeiros passos no empreendedorismo, fala sobre a criação e consolidação de marcas e analisa os desafios de liderar negócios em um mercado competitivo, onde gestão eficiente, cultura organizacional e conexão genuína com o cliente se tornam diferenciais essenciais para sustentar crescimento e relevância.
NOSSO MEIO | Sua trajetória como empresário começou como e em que momento você decidiu apostar no Grupo Host como projeto principal da sua carreira?
Deda Cardoso: Minha trajetória de empreendedor iniciou aos 16 anos, quando eu tive a primeira empresa no ramo de entretenimento, shows, eventos e micaretas. Poucos anos depois, empreendi em outros ramos como varejo e uma empresa de prestação de serviços de terceirização de mão de obra, e administração de condomínios, buscando diversificar e diluir riscos. Fui convidado a trabalhar no Grupo Geppo´s, especializado em restaurantes, e lá aprendi a amar o segmento de gastronomia. Foram 18 anos no grupo. Em 2011, tive a oportunidade de conhecer, em um MBA, o Felipe, meu sócio atual no grupo Host, e compartilhamos um sonho em comum, que seria fazermos o primeiro gastrobar de Fortaleza. Foi daí que surgiu o embrião do que viria a ser o Moleska, que inauguramos em 2014. Tínhamos uma concepção clara do que seria um gastrobar de verdade: uma fusão da boa gastronomia contemporânea com o serviço de qualidade dos melhores restaurantes e a descontração e musicalidade de um bar. O Grupo Host começou com o projeto do Moleska, na sequência nós tivemos o projeto do Giz, Hoots, Mézzi, Misaki, Relativo, Mestre Sussa e Cenário.
NOSSO MEIO | Para você, como é ser um gestor em um segmento movido por experiências e que exige excelência operacional?
Deda Cardoso: Embora seja bastante desafiador trabalhar com marcas diversas e em um ramo muito dinâmico, me sinto muito feliz, pois a busca constante pela experiência perfeita e a qualidade fazem parte da nossa identidade, estão no nosso DNA. Já trabalhei em segmentos commodity e descobri que não era a minha vocação. O que realmente acredito fazer melhor é agregar valor. Trabalhar com negócios que possam trazer experiência para os nossos clientes. Esse é o nosso foco. Buscar entregar experiências diferenciadas, conceitos diferenciados, com excelência operacional, ou seja, uma grande entrega, por meio de uma boa gastronomia, um bom serviço e ao mesmo tempo, uma boa qualidade musical, com ambientes diferenciados. É isso que nos move e que nos faz realmente focar na qualidade que a gente se propõe.
NOSSO MEIO | O mercado em que você atua é altamente competitivo e repleto de tendências. O que foi determinante para consolidar o Grupo Host com um grupo de marcas relevantes como Moleska, Giz, Hoots, Mezzi, Misaki, Relativo, Mestre Sussa e Cenário?
Deda Cardoso: O mercado realmente é muito competitivo, sempre tem muitos entrantes e que devemos estar muito antenados às tendências, porque as pessoas estão sempre buscando novidades que as motivem sair de casa. Estamos sempre atrás do que tem de melhor, buscando conexões com nossos clientes, não só na gastronomia, mas também no relacionamento e na cultura, sempre agregando valor, para assim estarmos sempre à frente nas tendências. Trabalhamos para impactar a vida dos clientes com boas experiências marcantes.
NOSSO MEIO | Ao longo da sua jornada, qual foi a decisão mais estratégica para fortalecer o valor de mercado do negócio?
Deda Cardoso: Nós tivemos vários desafios e, muitas vezes, tivemos que fazer mudanças estratégicas nas operações e adaptações ao próprio conceito do negócio. Como criamos conceitos inovadores, isso gera um maior desafio, pois temos que fazer algumas adaptações ao longo do caminho. Em 2017, tivemos que fazer uma grande mudança no Moleska, e a repaginação da casa para que o conceito fosse compreendido e que o mercado abraçasse a ideia de gastrobar à época. Neste mês de março de 2026, por exemplo, acabamos de concluir uma grande reforma no ambiente, atualizações de cardápio, sistema de som e de ocasiões de consumo no Moleska. Durou quatro meses essa grande melhoria que fizemos, e sem a casa parar de operar um único dia. Nós tivemos também grandes desafios no Hoots, na mudança também da dinâmica da casa. Ela começou com um dos ambientes; com o estilo, nós tivemos que mudar a proposta do local e deu muito certo. O Hoots hoje realmente é reconhecido pelo pub que é – um ambiente mais descontraído, que faz a diferença na casa. Outra decisão estratégica que nós tomamos foi na gestão, quando nós decidimos mudar o formato de gestão e fazer com que a gente conseguisse ter um CSC (Centro de Serviços Compartilhado) para entregar valor para os sócios-operadores e para que as operações pudessem ter mais foco no core business, no time, na qualidade e na proposta de valor dentro do conceito que a gente se propõe. Então, isso é uma grande virada na qual conseguimos criar toda uma estrutura de apoio para que as operações tenham foco e independência na ponta de atuar como verdadeiros anfitriões hospitaleiros e cuidadosos, encantando o cliente.
NOSSO MEIO | Como você enxerga hoje o posicionamento das casas do grupo dentro do seu segmento e o que diferencia as marcas além do produto ou serviço em si?
Deda Cardoso: Na minha visão, cada casa tem um posicionamento específico. Mas, de uma forma geral, trabalhamos para o mesmo público: classe AB. Um público exigente, e que procuramos atender em diversos momentos da sua vida. Às vezes ele está querendo um lugar mais romântico ou um lugar mais divertido. E aí, cada casa tem um posicionamento específico, embora a gente compartilhe do mesmo público. E como cuidado em gestão, temos uma plataforma com uma modelagem de gestão que se replica, mas, ao mesmo tempo, tendo a experiência final entregue ao cliente de forma única. Entendemos que só conseguimos entregar a arte se tiver uma boa gestão por trás.
NOSSO MEIO | Como transformar experiência e relacionamento em ativos reais de valor para o negócio?
Deda Cardoso: Nós acreditamos que a experiência e o relacionamento são os pilares do nosso negócio, e trabalhamos muito focados nisso – cuidando desde uma central de relacionamento, da forma de treinar o time de atendimento, ao cuidado que temos com as pessoas que trabalham conosco e os nossos clientes. Temos um olhar especial com a hospitalidade, que é o nosso jeito único de cuidar do cliente, buscando personalizar ao máximo, mesmo as casas tendo um bom volume de clientes, um bom movimento. Nós procuramos trabalhar a hospitalidade para além dos treinamentos e dos cuidados com os processos, estimulando o empoderamento dos colaboradores para que tenham sensibilidade com os nossos clientes e assim fazermos grandes entregas e experiências únicas.
NOSSO MEIO | No dia a dia da gestão, como você equilibra resultado financeiro com construção de cultura e valorização da equipe?
Deda Cardoso: No dia a dia, nós nos pautamos muito pela nossa missão, pelos nossos valores, a nossa forma de se relacionar, o que forma a nossa cultura. Então, a cultura que a gente está sempre pregando e praticando no nosso negócio, junto ao time, ela nos norteia para tomar muitas decisões. E essas decisões, a gente busca realmente entender que a empresa tem que dar resultado, mas não deve dar resultado a qualquer custo. Nós temos que seguir os nossos padrões de ética, de moral e ao mesmo tempo, buscar humanizar, entender que a empresa precisa de resultado, mas, ao mesmo tempo, nós temos que cuidar das pessoas que trabalham na empresa. Essa é a nossa crença: gostamos de gente e de trabalhar com gente. E, ao mesmo tempo, buscamos que o nosso colaborador tenha essa mesma crença de cuidar do cliente. Entendemos que isso é um ciclo virtuoso, quanto mais você cuida da sua equipe e dignifica o time, trabalhando a questão do carinho com eles, esse carinho também é, naturalmente, passado de quem trabalha conosco para o cliente.
NOSSO MEIO | Humanização tem sido um tema central nas empresas contemporâneas. Como esse conceito aparece na sua forma de liderar e na experiência que o Host oferece ao público?
Deda Cardoso: A humanização é entender que a empresa tem responsabilidades. É um negócio, mas, ao mesmo tempo, nós temos que servir de inspiração e de apoio para as pessoas que trabalham na empresa. A empresa, na nossa visão, não é feita só de números, na realidade, ela é feita de pessoas e os números são consequência de como essas pessoas agem e como elas se comportam e se engajam no dia a dia. O nosso negócio é de conexões humanas e calor humano. Por isso temos como um dos pilares o relacionamento, que inicia de como nos relacionamos com os colaboradores e de como eles, que nos representam, se relacionam
com os nossos clientes. As casas e os seus conceitos entregam emoção e conexões, juntamente com o carinho que damos aos nossos clientes.
Buscamos investir e aproveitar bem o potencial que as Inteligências Artificiais trazem e, ao mesmo tempo, seguiremos investindo fortemente no desenvolvimento e no cuidado das pessoas, bem como na hospitalidade. Isso porque o excesso de tecnologia faz com que as pessoas precisem cada vez mais de relações humanas. E é aí que podemos impactar positivamente a vida das pessoas.
Utilizamos o que há de mais contemporâneo em termos de tecnologia, equipamentos e sistemas para apoiar esse propósito. Contamos também com a UNIHOST, nossa própria Universidade Corporativa, que promove ações de desenvolvimento tanto presenciais quanto digitais.
Entre suas iniciativas está a Host Academy, um aplicativo com conteúdo autoral e de curadoria, que reúne diversos objetos de aprendizagem, como assistente de IA, aulas gravadas, HostCast, audiobooks, e-books, manuais e uma Biblioteca Virtual.
Temos ainda a Host Educa, que leva desenvolvimento aberto à comunidade, com formações voltadas para gastronomia, atendimento, experiência do cliente aplicada à gastronomia e ao turismo, além de cursos voltados para coquetelaria.
Já a Host Desenvolve busca contribuir com o desenvolvimento de líderes, sócios, diretores e sucessores, pois acreditamos que não existe sucesso sem sucessão.
Em outras palavras, investimos fortemente em tecnologia de vanguarda, mas nunca esqueceremos da humanização. Nosso negócio é feito de gente que cuida de gente, buscando continuamente fazer as pessoas felizes.
NOSSO MEIO | Olhando para frente, quais movimentos você considera essenciais para manter o negócio competitivo sem perder identidade e proximidade com as pessoas?
Deda Cardoso: É importante termos uma cultura forte e times engajados, além de termos um conceito muito bem pensado, um posicionamento claro e buscarmos todos, em conjunto, entregarmos isso para o cliente. Então, o ideal é ter um plano de trabalho muito claro com o time e eles comprarem esse plano. E, com isso, a gente desenvolve e dá autonomia para que as operações trabalhem junto aos clientes dentro das suas características. Quando realmente alcançamos a missão da empresa na ponta com o cliente, eu acredito que isso faz a empresa ser realmente duradoura.
E essa é a filosofia de trabalho: consistência, qualidade, foco no conceito e na experiência. Mas, para isso, a equipe precisa ser continuamente desenvolvida e acreditar na empresa, tem que ter realmente um valor de confiança muito presente para estar engajada, acreditando no propósito da empresa e no impacto positivo que o profissional pode fazer junto ao cliente.
Afinal de contas, quem nos representa na ponta são os colaboradores, eles que fazem o sucesso da empresa.


