Por Thiago Façanha, presidente ABAP-CE e CEO da Mulato Comunicação
Sabe aquela campanha que ganhou Cannes? Provavelmente há um nordestino, ou muitos, nos créditos. E aquela outra que passou no intervalo da novela e emocionou a sua tia? Também tem cabeça nordestina na criação. Para a sua marca ser ouvida, ela precisa escutar. E o nordestino, antes de falar, presta atenção.
A piada gaiata vem no tempo certo. Mas calma: o Nordeste não vive só de humor. E eu, como cearense, vejo que a nossa arte está justamente na capacidade de transitar pelos mais diversos universos. Já ouviu aquela história de que “tem cearense em todo canto”? Que basta soltar a nossa vaia (o “iiiieeeeiii!!!”) para alguém responder de onde estiver? Pois é. A gente se adapta. A gente fala muitas línguas. Podemos criar para qualquer marca do mundo. E é fundamental que isso aconteça.
Uma matéria do E-Commerce Brasil cita que 70% dos consumidores brasileiros dizem que se sentir ouvidos e compreendidos é o aspecto mais importante na relação com as marcas. Ainda assim, vemos grandes indústrias e marcas optando por sair do eixo, acreditando que a visibilidade pode ser maior. Mas vale sempre questionar: visibilidade é relação? É troca? Você trocaria um papo solto por uma marca “palestrinha”? Acho que não, hein. Dentro do Nordeste, existe muito Brasil: na culinária, na arte, na música, no sotaque e na publicidade. E a valorização do que é nosso virou tendência mundial. É o brazilcore em todo lugar.
Mas não podemos esquecer que esses holofotes chegaram só agora. Nós já carregamos essa riqueza há muito tempo: na essência, na forma de harmonizar cores e fontes, e no desejo de entregar algo realmente diferente. É importante ressaltar que a comunicação também mora no não dito, no intertexto, na sensibilidade. E como a sua marca pode dizer aos quatro ventos que se orgulha da nossa terra se, na hora de se comunicar, escolhe outro lugar? Calma, de novo: não estou levantando bandeira contra ninguém. Estou tentando colocar a nossa bandeira criativa no pódio, junto de tantas outras, onde ela deve, e merece estar.
Somos uma potência criativa sedenta por mostrar o nosso talento para o mundo. Estamos acostumados a provar, o tempo inteiro, tudo aquilo de que somos capazes. Então, imagine o que podemos fazer pela sua marca. Muito além do “oxente”, do “arretado” e do “avexado”, expressões das quais temos orgulho, mas que não nos resumem. A verdadeira criatividade está em compreender singularidades. E o cliente quer pertencimento, exclusividade. Ele não quer se sentir apenas mais um no meio da multidão. Só se for dançando forró em pleno São João… e nem sempre tem chapéu de cangaceiro nas peças, viu?
