Por Dakson Peixoto, publicitário e coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Estácio Ceará
O marketing vive hoje um dos seus momentos mais desafiadores, e ao mesmo tempo, mais férteis. A forma de se comunicar mudou completamente. Se antes era possível segmentar o público por critérios mais previsíveis, como idade, renda e localização, agora o cenário é fragmentado. As pessoas estão distribuídas em nichos, micro interesses e comunidades digitais, conectadas o tempo inteiro, mas cada uma imersa no seu próprio universo.
Nesse contexto, o papel do profissional de marketing também se transformou. Já não basta comunicar; é preciso criar conexão genuína. Construir pontes, gerar identificação e, sobretudo, cativar. Em meio a um volume massivo de informações, canais e estímulos, surge a necessidade de filtrar dados, interpretar comportamentos e tomar decisões com inteligência.
A tecnologia, por sua vez, não apenas complexifica esse cenário, como também amplia as possibilidades. O acesso a dados em larga escala permite estratégias mais precisas, no momento certo e para o público certo. A inteligência artificial, nesse processo, surge muito mais como aliada do que como ameaça. Ela potencializa análises, otimiza processos e fortalece uma atuação orientada por dados. No entanto, seu uso exige critério: quando substitui o pensamento estratégico, perde valor. A inteligência continua sendo humana; a tecnologia apenas a expande.
Diante disso, o aprendizado contínuo deixa de ser diferencial e passa a ser requisito. O profissional precisa observar o mercado, compreender comportamentos e, principalmente, aprofundar conhecimentos. A especialização ganha força como caminho para se destacar, transformando informação em estratégia e agilidade em decisão.
Na era da atenção, onde marcas disputam espaço a cada segundo, presença não é suficiente. Comunicação não é mais sobre exposição, mas sobre relação. O marketing de conteúdo se consolida como ferramenta essencial, ao gerar valor antes da venda. Mais do que promover produtos, marcas precisam se posicionar como agentes de diálogo.
Humanizar tornou-se palavra-chave. Mostrar bastidores, valores e pessoas por trás das marcas faz diferença. Afinal, em um ambiente saturado de informação, a atenção pode até ser conquistada pelo conteúdo, mas a conexão só acontece por meio da autenticidade. E, no fim, pessoas continuam se conectando com pessoas.
