Após cerca de 60 anos de parceria com a Panini, entidade aposta na dona da Topps para transformar o mercado de figurinhas e colecionáveis com experiências premium
No Brasil, poucas tradições atravessam tantas gerações quanto o álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Entre bancas de jornal, trocas em praças, grupos nas escolas e encontros organizados em shoppings, o ritual de completar o álbum virou parte da experiência coletiva do futebol. Agora, esse mercado entra em uma nova fase: a Fifa anunciou que a Fanatics, dona da Topps, será a nova responsável pelos álbuns, cards e itens colecionáveis oficiais da Copa a partir de 2031, encerrando uma parceria histórica com a Panini que durava desde 1970.
A mudança representa uma transformação importante não apenas para o universo dos colecionáveis, mas também para a indústria global de entretenimento esportivo. A Fanatics já atua em grandes ligas internacionais como NBA, NFL, MLB e Formula 1, consolidando um modelo que aproxima memorabilia, experiência e tecnologia. Com a chegada à Copa do Mundo, a expectativa é que os tradicionais álbuns ganhem uma lógica mais próxima do mercado premium de cards esportivos, que movimenta bilhões globalmente.
Entre as novidades anunciadas está a ampliação do uso dos chamados “Debut Patch Cards”, modelo já utilizado pela Topps em outros esportes. A proposta é inserir nos cards pedaços reais dos uniformes usados pelos atletas em partidas oficiais, autenticados posteriormente e transformados em itens colecionáveis exclusivos, alguns deles autografados. O movimento aproxima ainda mais o futebol da lógica de raridade e valorização que domina o mercado internacional de cards.
O acordo também prevê a distribuição de mais de US$ 150 milhões em itens colecionáveis para crianças ao redor do mundo ao longo da parceria. Na prática, a Fifa tenta ampliar o alcance cultural dos produtos oficiais, conectando tradição e novas experiências de consumo em uma geração acostumada à lógica digital, à gamificação e ao colecionismo híbrido entre físico e virtual.
Para o mercado, a troca da Panini pela Fanatics sinaliza uma mudança estratégica importante: os colecionáveis deixam de ser apenas produtos licenciados e passam a funcionar como parte central do ecossistema de engajamento esportivo. Em vez de depender apenas da venda do álbum, a tendência é integrar experiências, recompensas, edições limitadas e produtos de alto valor agregado, ampliando o potencial comercial da Copa para além dos jogos.
Ao mesmo tempo, o anúncio encerra um ciclo afetivo forte para milhões de brasileiros. Durante décadas, a Panini ajudou a transformar o álbum da Copa em um objeto cultural, associado à infância, à memória e à convivência coletiva. A partir de 2031, a experiência continua, mas em um formato que promete ser mais tecnológico, interativo e conectado à nova economia global do entretenimento esportivo.
