O fundador da GoAd Media apresentou os três movimentos que estão redefinindo a mídia exterior e o papel estratégico do OOH em um cenário de atenção fragmentada
Na manhã desta quarta-feira, 14, o Espaço Nosso Meio em Fortaleza realizou o Encontro com o Mercado em correalização com a JCDecaux, líder global em mídia exterior. O evento reuniu executivos, anunciantes e profissionais de comunicação para uma conversa que chegou com dados, provocações e uma tese central: o OOH vive seu momento mais estratégico em décadas.
Quem conduziu a palestra foi José Saad Neto, fundador da GoAd Media e uma das referências mais consolidadas do ecossistema OOH no Brasil. O tema foi OOH Trends 2026, e a apresentação partiu de três grandes fontes de inteligência de mercado: SXSW, Cannes Lions e DMEXCO, os principais festivais e fóruns globais de inovação, criatividade e mídia.

O ponto de partida foi o contexto. O mercado de mídia exterior cresce globalmente, e o dado que abre a conversa é difícil de ignorar: segundo pesquisa da World Out of Home Organization com 120 líderes de marketing da Europa, EUA e América Latina, 91% pretendem aumentar o investimento em OOH em 2026, 88% consideram a mídia essencial para brand awareness e 77% afirmam que ela é primordial para resultados de negócio.
“O momento da mídia exterior é um momento muito protagonista”, resumiu Saad Neto.
Mas por quê agora? A resposta está na hiperfragmentação. Um dos grandes desafios do marketing contemporâneo é entender como distribuir investimento em uma jornada de consumo cada vez mais fragmentada, onde atenção é o recurso mais escasso. É justamente nesse cenário que o OOH se reposiciona, não como mídia de massa genérica, mas como canal de cobertura de jornada. 61% dos líderes de marketing apontam o OOH como mídia essencial para cobrir os diferentes momentos de mobilidade e vida das pessoas.
“Quando eu saio de casa, é o OOH que reforça essa mensagem para mim”, disse o palestrante.
A palestra organizou as tendências em três grandes movimentos para 2026. O primeiro é a expansão do DOOH, o digital out of home, que une o impacto físico da mídia exterior com a gestão programática e automatizada do digital: conteúdo dinâmico, segmentação em tempo real, relevância contextual e mensuração robusta. A inteligência artificial entra aqui como amplificadora, tornando os painéis mais responsivos e integrados a plataformas de dados. O DOOH já comprova impacto cross-channel: aumenta em 67% a eficiência em search, 35% em social e 17% em TV quando combinado com outras mídias.

O segundo movimento é o que Saad Neto chama de OOH Influence, a capacidade da mídia exterior de potencializar redes sociais e gerar engajamento além da rua. Os dados são reveladores: 38% dos adultos nos Estados Unidos visitaram uma página no Instagram ou publicaram algo depois de ver um anúncio OOH.
A combinação de OOH com Instagram se mostrou 15% mais eficiente do que apenas a rede social isolada. “A campanha no OOH se torna líquida, usando o OOH como uma extensão das redes sociais”, definiu. Conteúdo líquido e engajamento urbano passam a ser uma equação estratégica, não apenas criativa.
O terceiro movimento é o OOH cidadão, que posiciona a mídia exterior como interface funcional nas cidades em transformação. Exemplos de Seul, Atlanta e San José mostram como painéis e abrigos inteligentes estão sendo integrados a serviços públicos, mobilidade urbana e inteligência artificial aplicada à gestão das cidades. Relógios de rua que prestam um serviço. Telas que informam, orientam e adaptam conteúdo em tempo real. O OOH deixa de ser apenas veículo publicitário e passa a ser infraestrutura urbana.
A síntese da palestra chegou com uma reflexão que conecta todos esses movimentos ao que realmente diferencia marcas no ambiente atual.
“Leitura cultural em um contexto de automação em escala, é o que diferencia uma marca da outra”, afirmou Saad Neto.
A capacidade de usar a cidade como lente cultural, de entender comportamento, consumo e crenças como insumo criativo e estratégico, é o que separa presença física de conexão real. “Um desafio nosso: se conectar de forma mais humana”, completou. E foi com essa frase que o encontro encaminhou suas conversas para o debate entre os presentes: como a mídia exterior, cada vez mais tecnológica, pode ser cada vez mais humana?A resposta, segundo o palestrante, está na convergência. “Conversas se transformam em conversões.” E o OOH, que sempre foi a mídia da cidade, está aprendendo a ser também a mídia da intenção.
