18ª Edição

Matéria | Uma marca que nasceu do trabalho diário

Por Redação

24/03/2026 13h00

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Linkedin

Como o Mahalo construiu sua cultura antes de crescer

Antes de se tornar uma rede de restaurantes, o Mahalo foi, por um bom tempo, apenas duas pessoas e muito trabalho. Não havia departamentos, cargos ou estruturas definidas. Existiam apenas Fábio Franklin, Rafael Canuto, um food truck e uma rotina intensa que começava cedo e terminava tarde. 

Durante o dia, os dois cuidavam de tudo o que era necessário para que a operação funcionasse à noite. Preparavam insumos, planejavam a produção e resolviam questões operacionais. Quando o sol se punha, montavam o food truck, atendiam clientes, preparavam os pedidos, operavam o caixa e, ao final, desmontavam toda a estrutura. No dia seguinte, tudo começava novamente. 

“Houve um momento em que o Mahalo era literalmente só eu e o Rafael fazendo absolutamente tudo”, relembra Fábio. “Essa vivência não foi apenas o começo do negócio, ela foi a base da nossa cultura.” 

Esse início profundamente operacional moldou a forma como a empresa seria construída dali em diante. Ao vivenciar cada função na prática, os fundadores passaram a compreender os desafios reais do dia a dia, o impacto das decisões na rotina das pessoas e a importância de criar um ambiente de trabalho respeitoso e saudável. A empatia, hoje tão presente na cultura do Mahalo, não nasceu de um manual de gestão, mas da experiência direta. 

Antes mesmo de existir uma empresa formal, Fábio e Rafael já eram sócios de visão. Em longas conversas sobre empreendedorismo, refletiam sobre quais valores deveriam sustentar qualquer negócio que viesse a existir. Dois princípios se tornaram inegociáveis desde o início: honestidade e perseverança. Honestidade para garantir confiança absoluta nas decisões e nas relações. Perseverança para atravessar as dificuldades inevitáveis do empreendedorismo sem perder o propósito. 

O estilo de vida dos fundadores também influenciou diretamente a construção da marca. O surf, presente desde antes do Mahalo existir, ensinou valores como paciência, leitura de cenário, respeito ao tempo das coisas e resiliência. Muitas decisões estratégicas nasceram em conversas durante o surf, em momentos de reflexão fora do ambiente tradicional de trabalho. 

À medida que o Mahalo cresceu, esses fundamentos continuaram orientando as escolhas da empresa. Mesmo com o apoio da tecnologia, do uso estratégico de plataformas digitais e da inteligência artificial para análise de dados e planejamento, a decisão sempre foi clara: tecnologia como apoio, nunca como substituição das pessoas. 

Com a expansão, vieram novos desafios. O aumento do número de lojas e o distanciamento físico da operação tornaram mais complexa a manutenção da proximidade humana que existia no início. Reconhecendo isso, os fundadores passaram a investir de forma consciente no fortalecimento da 

cultura, do diálogo interno e de práticas de gestão que valorizassem pessoas, bem estar e desenvolvimento profissional. 

Algumas decisões exigiram abrir mão de eficiência máxima ou de soluções mais automatizadas para preservar qualidade e identidade. O fornecimento diário de salmão fresco, por exemplo, aumenta custo e esforço operacional, mas garante um padrão que o Mahalo considera inegociável. “Preferimos crescer de forma responsável, mesmo que isso dê mais trabalho”, resume Fábio. 

Hoje, o Mahalo carrega em sua estrutura os aprendizados de quando tudo era feito à mão, por apenas duas pessoas. A cultura da empatia, da escuta e do respeito ao operacional não é um discurso construído depois do sucesso, mas o reflexo direto de uma origem marcada por trabalho duro, proximidade e responsabilidade. 

Crescer, para o Mahalo, nunca significou se afastar das próprias raízes. Pelo contrário: foi justamente por ter começado pequeno, simples e profundamente humano que a marca conseguiu criar bases sólidas para um crescimento estruturado e sustentável.