Tendência

E-commerce no Ceará movimenta R$ 9 bilhões até setembro e cresce 18,2%, acima da média nacional

Por Redação

04/11/2026 10h00

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Linkedin

Estudo aponta alta de 37,7% nos pedidos, expansão do consumo no interior e mudanças no comportamento dos compradores digitais

As vendas do comércio eletrônico com destino ao Ceará somaram R$ 9 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, alta de 18,2% sobre o mesmo período de 2025. O crescimento superou a média nacional (16,9%) e a do Nordeste (14%). No período, os cearenses fizeram 26,9 milhões de pedidos (+37,7%) e compraram 50,5 milhões de produtos (+30,6%).

Os dados são de um levantamento da Confi, por meio da solução de inteligência de mercado Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil. Os resultados foram apresentados nesta quarta-feira (4) por Léo Bicalho, diretor de negócios da Neotrust, no Regional ECBR CE, na sede do Sebrae Ceará, em Fortaleza.

Terceiro maior mercado do Nordeste

O Ceará responde por 16,6% do faturamento do e-commerce nordestino, atrás da Bahia (R$ 13,44 bilhões, +10,6%) e de Pernambuco (R$ 10,81 bilhões, +14,8%). Entre os três, foi o que mais cresceu. Considerando os nove estados da região, só ficou atrás do Piauí (+19,1%). No país, o setor movimentou R$ 322,56 bilhões no período, e o Nordeste, R$ 54,11 bilhões.

“O estado cresce acima das médias nacional e regional, registra uma expansão expressiva no número de pedidos e apresenta oportunidades importantes no interior”, afirma Pedro Chiamulera, CEO da Confi.

Mais pedidos, tíquete menor

Os pedidos cresceram em ritmo maior que o faturamento, e o tíquete médio caiu 14,2%, para R$ 334,16. Mesmo assim, o valor fica cerca de 25% acima da média brasileira (R$ 268,24). O preço médio dos produtos no estado também é maior: R$ 178,14, contra R$ 138,26 no país. Cada pedido reúne, em média, 1,88 item.

Interior ganha espaço

Fortaleza concentra 49,7% das vendas do estado, com R$ 4,47 bilhões (+18,6%). Na sequência aparecem Juazeiro do Norte (R$ 340 milhões, +21,8%), Caucaia (R$ 310 milhões, +21,1%), Eusébio (R$ 210 milhões, +35,7%) e Maracanaú (R$ 210 milhões, +7,8%). Entre os municípios com mais de R$ 50 milhões em compras, Tianguá (+39,9%) e Crateús (+37,8%) tiveram as maiores altas.

Eletrodomésticos na liderança

Eletrodomésticos lideram o faturamento no Ceará, com R$ 1,25 bilhão (+32%), enquanto no Brasil o primeiro lugar é de Moda. Em seguida vêm Telefonia (R$ 890 milhões), Eletrônicos (R$ 870 milhões), Móveis (R$ 640 milhões) e Moda e Acessórios (R$ 510 milhões). As maiores taxas de crescimento foram de Beleza e Perfumaria (+43,3%) e Saúde (+42,7%). Neste último segmento, as vendas de canetas emagrecedoras subiram 162,3%. O departamento de Bebês recuou 5,7%.

Perfil e recorrência

As mulheres são 57,9% dos compradores online do estado, e o público de 25 a 44 anos representa 61,7%, percentuais acima da média nacional. A recorrência, porém, é menor: 41,4% dos clientes fizeram só um pedido no período, e 66,8% compraram em uma única loja virtual. No Brasil, esses índices são de 35,6% e 55,7%.

“Quando mais de dois terços dos consumidores de um estado compram em apenas um e-commerce, existe uma oportunidade importante de trabalhar experiência, relacionamento e recorrência”, afirma Bruno Pati, CEO do E-Commerce Brasil.

Frete pesa no interior

O frete médio no Ceará foi de R$ 34,90, o quarto menor do Nordeste, e 58,4% dos pedidos tiveram entrega grátis. A variação dentro do estado, porém, é grande. Em Fortaleza, o custo médio foi de R$ 28,27. No Cariri, chegou a R$ 37,66, em Sobral, a R$ 40,46, e na Chapada do Araripe, a R$ 69,80, quase 2,5 vezes o valor da capital.