18ª Edição

Perfil | Thiago Façanha: estratégia, curiosidade e operação como método

Por Redação

24/03/2026 13h15

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Da curiosidade pelas campanhas eleitorais à liderança de agência, Thiago Façanha construiu uma trajetória marcada por planejamento, aprendizado contínuo e atenção à operação

Antes de se tornar sócio-diretor da Mulato Comunicação, Thiago Façanha cultivava duas paixões aparentemente distantes. De um lado, o fascínio por animais, a ponto de cogitar seguir carreira em medicina veterinária. De outro, um interesse precoce por campanhas eleitorais, estratégias e narrativas públicas. No fim, foi esse segundo universo que falou mais alto.

Ainda jovem, o publicitário assistia a todos os programas eleitorais da televisão, tanto os da manhã quanto os da noite. Mais do que acompanhar candidatos, ele observava linguagem, estratégia e criatividade. Chegou até a colecionar santinhos de campanhas. Aquilo funcionava, para ele, como um laboratório informal de comunicação.

Quando entrou na faculdade de publicidade, a dúvida sobre qual caminho seguir dentro da área não demorou a desaparecer. “Quando entrei na faculdade de publicidade, tive a sorte de decidir muito cedo qual caminho queria seguir dentro da área: o atendimento publicitário. Essa decisão foi estratégica para a minha formação, porque todos os cursos, leituras e experiências foram direcionados para essa área”, conta. 

Mais maduro com relação ao mercado, uma percepção começou a se consolidar na sua visão sobre o funcionamento das agências. Para Thiago Façanha, o principal gargalo do mercado raramente está na criatividade. O desafio costuma estar na operação, em fazer processos, estratégia e entrega funcionarem com consistência.

Essa leitura acabou sendo determinante anos depois, quando nasceu a Mulato Comunicação. “Essa percepção foi fundamental quando criamos a Mulato Comunicação. Desde o início buscamos estruturar uma agência com uma operação forte, estratégica e muito próxima dos clientes. Criatividade é essencial, mas entendemos isso como um pré-requisito. O diferencial está em fazer tudo funcionar bem”, destacou. 

Aprendizado sem linha de chegada

Ao longo da carreira, Thiago consolidou uma rotina de aprendizado permanente. Para ele, qualificação não é um momento da carreira,  é um processo contínuo. Leitura diária de publicações de mercado, newsletters, veículos de economia, podcasts e canais especializados fazem parte da rotina. Mesmo após quase duas décadas de atuação, ele afirma manter a postura de quem ainda está começando. “Depois de tantos anos de mercado, ainda me comporto como um estudante em início de carreira, com muita sede de aprendizado”, diz.

De acordo com o publicitário, no entanto, a formação profissional não acontece apenas em salas de aula. É construída em camadas: cursos, livros, viagens, conversas e referências acumuladas ao longo do tempo ajudam a moldar o olhar estratégico sobre marcas e negócios.

O mercado que mudou e o que permanece

Em quase vinte anos de atuação, o sócio-diretor da Mulato Comunicação viu o mercado atravessar transformações profundas. Uma das mais marcantes, na sua visão, foi o fim do protagonismo do jornal impresso como vitrine diária da publicidade.

“Na minha visão, o mercado perdeu em alguns aspectos importantes. O jornal estimulava uma competitividade criativa muito forte dentro das agências. Era comum que as equipes chegassem pela manhã e a primeira coisa que fizessem fosse folhear o jornal do dia, analisar os anúncios e discutir qual tinha sido o melhor. Isso estimulava muito a criatividade e a busca por fazer o melhor trabalho possível. O jornal também funcionava como uma grande vitrine diária do mercado. Todo mundo via o que estava sendo anunciado, quais marcas estavam se comunicando e quais estilos estavam sendo utilizados”, lembra.

Com a fragmentação das plataformas e a ascensão das redes sociais, para Façanha, essa dinâmica mudou. Muitos anúncios que antes ocupavam espaço relevante nas páginas impressas hoje foram substituídos por posts digitais que nem sempre geram o mesmo impacto coletivo. Mesmo com as mudanças de formato, algumas bases continuam intactas. Para Thiago, clientes seguem buscando essencialmente a mesma coisa: soluções para seus problemas de negócio.

“Nada substitui uma boa ideia e um posicionamento claro de marca. Ferramentas mudam, plataformas mudam, mas estratégia, criatividade e clareza de posicionamento continuam fundamentais”, aponta. 

Criatividade, empresa e liderança

Thiago Façanha conta que assumir o papel de sócio-diretor trouxe um novo conjunto de responsabilidades. Para um profissional formado no ambiente criativo da publicidade, liderar uma agência também significa aprender a ser empresário. Finanças, gestão de pessoas, indicadores, fluxo de caixa e decisões administrativas passam a fazer parte da rotina. “O publicitário nasce como um artesão da criatividade. Mas quando decide empreender precisa também aprender a ser empresário. Aquilo que nos move é criar, planejar, discutir ideias e acompanhar a operação. Mas ter um negócio exige lidar com finanças, gestão de pessoas, indicadores, fluxo de caixa e diversas responsabilidades administrativas”, resume.

Na Mulato, esse equilíbrio é construído ao longo do tempo. Uma das premissas da agência é manter a liderança próxima da operação, participando de decisões, discussões criativas e do relacionamento com clientes. Se existe um aprendizado que Thiago considera central em sua trajetória, ele não veio diretamente do mercado publicitário, veio de casa. Para ele, a palavra que sintetiza esse ensinamento é humildade, valor transmitido por sua mãe e incorporado à cultura da agência.

“Minha mãe sempre me ensinou isso. Humildade acima de tudo. Aqui na agência temos uma cultura de muito respeito, de não se achar melhor do que ninguém, de não ter autoritarismo e nem estrelismo. Muito pé no chão e muita mão na massa. O trabalho vai abrindo portas, fazendo o negócio crescer e fortalecendo a relação com os clientes. Ser eleito Publicitário do Ano foi algo que me emocionou bastante. Ser a agência mais premiada três vezes consecutivas no Prêmio Aboio também foi muito marcante. Mas acredito que o sucesso é alugado e o aluguel precisa ser pago todos os dias”, disse Thiago Façanha. 

Hobbies e equilíbrio

Fora do ambiente da agência, Thiago cultiva interesses variados e muitos deles conectados a antigas paixões pessoais. A publicidade, curiosamente, também aparece como hobby. Ele gosta de acompanhar campanhas, estudar tendências e observar movimentos do mercado.

Mas há outros universos importantes. Thiago é criador de aves silvestres, paixão que remete à antiga vontade de seguir carreira ligada aos animais. Também coleciona carros antigos, aprecia vinhos e voltou recentemente à corrida depois de mais de uma década afastado. “Inclusive estou treinando para correr a Meia Maratona de Berlim. Então, meus hobbies acabam sendo propaganda, animais, carros clássicos, vinho e corrida”, detalha.