Para Wilson Sá, CEO da PWR Gestão, a velocidade de adaptação pesa mais do que o porte da empresa, e o próximo ano vai exigir foco no que está sob controle da gestão, do caixa ao engajamento do time
Na manhã desta quarta-feira, 4 de novembro, empresários e gestores se reuniram no Vasto, em Fortaleza, para o PWR Talks, encontro promovido pela PWR Gestão para discutir as decisões que devem orientar os negócios no próximo ano. Diante do volume de notícias sobre juros, endividamento e reforma tributária, o primeiro convite foi separar o que de fato pede reação. “Precisamos diferenciar o que é barulho do que é informação”, afirmou Wilson Sá, sócio-fundador e CEO da PWR Gestão, na abertura. Logo na sequência, ele deixou clara a régua da conversa: “Vamos atuar naquilo sobre o que temos controle nas nossas empresas”.
Na abertura, Wilson também apresentou a PWR Governance, nova frente da consultoria que parte da lógica de colocar a decisão primeiro e a governança depois, com a proposta de garantir decisões mais seguras para negócios que pretendem ir mais longe.
Um jogo com regras em movimento
A palestra “O que muda sua empresa em 2027”, conduzida por Kalil Santiago, sócio da PWR Gestão, partiu de um diagnóstico que atravessou todo o evento. “As regras do jogo estão mudando à medida que a gente está jogando”, afirmou. Para ele, entender esse cenário exige repertório amplo, e não apenas o domínio do próprio setor. “Cada ciência nos traz um aspecto da realidade. O empresário não pode se dar o luxo de não conhecer”, disse, antes de lançar o desafio à plateia: “Eu quero provocar vocês aqui hoje a fazer o que for necessário para se adaptar ao mercado de 2027”.

O primeiro eixo da provocação foi o tributário. Com a reforma em fase de transição e a CBS substituindo PIS e Cofins a partir de 2027, Kalil chamou atenção para uma mudança de lógica que vai além do cálculo de alíquotas. “O planejamento tributário agora vai passar pela análise da sua cadeia de fornecimento”, afirmou. Na prática, a escolha de parceiros comerciais passa a ter peso direto sobre a carga tributária da própria empresa, o que transforma a gestão de fornecedores em uma rotina estratégica. “A análise de quem é o nosso fornecedor precisa ser feita todos os dias”, completou.
O segundo eixo foi o endividamento. “Estamos em um cenário de crise. Batemos o recorde, no Brasil, de empresas em recuperação judicial”, disse Kalil, que apresentou as alternativas disponíveis para quem já sente a pressão financeira. “Temos três caminhos quando a dívida aperta: renegociação direta, recuperação extrajudicial e recuperação judicial”.
Eficiência como foco
De volta ao palco, Wilson Sá conduziu uma leitura sobre como atravessar o próximo ciclo sem confundir contenção com paralisia. “Precisamos cortar custos, trocar por eficiência e investir”, afirmou. A ideia central da sua fala foi a de que o contexto econômico não condena segmentos inteiros, mas expõe diferenças de gestão. “A crise separa empresas, não segmentos”, disse. E acrescentou: “A crise vai chegar para todos, mas não vai ter o mesmo efeito em todos”.
Nesse cenário, a velocidade de adaptação aparece como uma vantagem competitiva mais relevante do que o porte. “Não é a grande empresa que engole a pequena, é a mais rápida que supera a mais lenta”, afirmou Wilson, que também fez um alerta sobre a adoção de tecnologia sem propósito claro. “Às vezes, temos ferramentas de IA só para mostrar que temos. Precisamos entender onde elas melhoram o processo”.
A disciplina de gestão apareceu como contraponto à euforia e ao improviso. Wilson defendeu que a revisão de resultados deixe de ser exceção e passe a fazer parte do calendário da liderança. “É necessário alinhar os resultados como rotina. Mensalmente, sente com seus sócios e sua diretoria para discutir isso”, orientou. O mesmo raciocínio vale para compromissos que deixaram de fazer sentido: “Não tenha medo de dizer não a um contrato ruim, pois ele vai penalizando a sua empresa no dia a dia”.
Para organizar essa agenda, ele apresentou oito frentes de atuação para 2027: comitê de caixa, revisão de portfólio, produtividade por pessoa, metas de lucro e caixa, renegociação ativa, preço e mix, time no jogo e ofensiva coletiva. Juntas, elas desenham um roteiro que combina proteção financeira, foco comercial e mobilização das equipes. “Oportunidade existe, mas precisamos selecionar muito bem e aprender a dizer não”, afirmou.
Gente no centro do resultado
A dimensão humana ocupou parte importante da fala. Para Wilson, nenhuma das frentes avança sem engajamento, e o engajamento depende diretamente de quem lidera. “70% da variação do engajamento de uma equipe vêm do gestor”, disse. Ele defendeu que as conquistas sejam compartilhadas com quem ajudou a construí-las. “Traga o time para as vitórias, para que ele tenha o sentimento de engajamento”, afirmou, lembrando que essa disposição precisa ser cultivada no dia a dia: “Você precisa que a sua equipe tenha essa sede de mudança”.

Ao mesmo tempo, o CEO da PWR foi direto sobre a necessidade de priorizar energia e atenção. “Quem gera resultado é quem merece mais atenção. Não temos tempo a perder”. O encerramento da palestra resumiu o tom do evento: “Para algumas empresas, a crise é uma sentença. Para outras, é uma oportunidade. Para as melhores, é combustível”.
Tecnologia, urgência e pragmatismo

O painel que fechou a programação reuniu Wilson Sá, Kalil Santiago e os sócios da PWR Miguel Dyna e Eduardo Bayma. Miguel levou a transformação tecnológica para o terreno da liderança. “O desafio não é tecnológico. O desafio é como conduzir as pessoas no processo de tecnologia”, afirmou. Para ele, a mudança de mentalidade precisa alcançar todos os segmentos. “Esteja preparado para ser uma empresa de tecnologia”, disse, ao mesmo tempo em que apontou um efeito colateral comum nos processos de digitalização: “Ganhamos eficiência local, mas perdemos eficiência global”.
Eduardo Bayma equilibrou a necessidade de agir rápido com a cautela na tomada de decisão. “No cenário atual, precisamos ter senso de urgência para fazer o que é necessário”, afirmou, antes de ponderar: “Precisamos ter cuidado com a euforia. Defendo ceticismo e pragmatismo fortes”. Para ele, a convicção sobre o próprio negócio é o que sustenta escolhas difíceis. “Precisamos acreditar na tese do que a empresa faz”, disse, concluindo com uma leitura que conecta crise e mercado: “Uma mudança que vale para todos é uma oportunidade para o nosso negócio”.
Com sede em Fortaleza e atuação em diferentes estados do país e no exterior, a PWR Gestão trabalha com consultoria em gestão empresarial e mantém, desde 2017, a Capital Upgrade, voltada à formação de empresários. A agenda apresentada no PWR Talks antecipa os temas que devem ocupar a pauta das lideranças em 2027, da adaptação à nova estrutura tributária à gestão de caixa e do endividamento, em um ambiente de crédito mais seletivo e custos financeiros elevados.
