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TV 3.0 coloca emissoras regionais diante de novos desafios tecnológicos e comerciais

Por Redação

04/11/2026 12h29

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A transição para a nova geração da televisão aberta exige investimentos em infraestrutura e capacitação, mas também abre espaço para publicidade segmentada, interatividade e novas fontes de receita

A implantação da TV 3.0 no Brasil deve provocar mudanças na estrutura e nos modelos de negócio das emissoras de televisão. A transição tecnológica exige investimentos em infraestrutura, atualização de equipamentos e capacitação de profissionais, mas também cria possibilidades de interação com o público, segmentação de conteúdo e desenvolvimento de novas estratégias comerciais. Os desafios estiveram entre os temas discutidos no SET Nordeste 2026, realizado em 28 de outubro, no Recife.

Durante o encontro, representantes do Ministério das Comunicações informaram que novas normas para apoiar a implantação da tecnologia estão em fase final de tramitação. Entre os pontos em desenvolvimento estão regras para canais virtuais, consignação de canais, certificação de receptores, segmentação geográfica e sistemas de alerta de emergência.

A mudança também exige que as emissoras reavaliem suas estruturas de transmissão e preparem equipes para trabalhar com os novos recursos. Entre as possibilidades estão aplicações voltadas a públicos de diferentes regiões e alertas de emergência com recursos de acessibilidade, como Libras e audiodescrição. A utilização dessas funcionalidades, no entanto, ainda depende de regulamentação específica.

Para Paulo Henrique Castro, presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), a nova geração da televisão aberta pode aproximar o setor de modelos comerciais já utilizados no ambiente digital. “Estamos colocando ferramentas que permitem trazer para a televisão modelos de negócio presentes no ambiente digital. O que vemos hoje da TV 3.0 ainda é uma pequena parte do que ela pode se tornar”, afirmou.

Tecnologia e novas formas de monetização

Além da transição para a TV 3.0, o SET Nordeste discutiu como as tecnologias de produção e distribuição podem ampliar as oportunidades comerciais do audiovisual. Representantes de emissoras compartilharam experiências em transmissões de grandes eventos regionais, como o Galo da Madrugada, o São João de Campina Grande e o Campeonato Pernambucano de Futebol.

Um dos exemplos apresentados foi o uso de inteligência artificial em recursos de repetição durante a final do Campeonato Pernambucano. Bruno Pessoa, gerente regional de vendas da EVS, destacou a aplicação da tecnologia na transmissão. Os debates também abordaram produção remota, integração de equipes e ferramentas para aumentar a eficiência das operações ao vivo.

A distribuição de conteúdo em diferentes plataformas também apareceu como alternativa para ampliar o alcance e gerar receitas. Fausto Portella, coordenador-geral de Conteúdo da Sua Música, apresentou a experiência da plataforma com produções nordestinas e informou que transmissões gratuitas em 4K de dois grandes espetáculos da região alcançaram mais de 42 milhões de pessoas em 2026.

O encontro foi encerrado com uma apresentação sobre inteligência artificial generativa na produção audiovisual, conduzida pelo Casal REC. A demonstração explorou aplicações da tecnologia na transformação de cenários, personagens e narrativas, além de discutir os impactos dessas ferramentas nos processos criativos.