O estudo “Gen Z e o Futuro” mostra que, apesar da futurofobia, jovens veem o trabalho como parte da identidade e cobram sentido e bem-estar das empresas
A Subversiva, consultoria especializada em comportamento e tendências culturais, com apoio da Leapy, plataforma de atração, gestão e desenvolvimento de jovens aprendizes, lança a nova edição do estudo “Gen Z e o Futuro”, uma análise profunda sobre como os jovens estão lidando com o futuro, o trabalho, a saúde mental, as finanças e o uso da inteligência artificial.
“Mais do que um estudo, ‘Gen Z e o Futuro’ é um mapa essencial para líderes que desejam não apenas atrair, mas reter e engajar a nova geração no mercado de trabalho. Ignorar as ansiedades deste grupo – como o medo do futuro e os desafios financeiros – é arriscar a desconexão e a perda de talentos. Para construir um futuro do trabalho verdadeiramente inovador e sustentável, os líderes precisam compreender profundamente esses jovens, transformando a escuta ativa em ações concretas. Este relatório oferece as lentes necessárias para essa transformação, convidando à coragem de experimentar e se conectar em um mundo em constante evolução”, define Maira Blasi, fundadora do Subversiva.
Futurofobia: as incertezas e os medos do amanhã
62% dos jovens brasileiros entre 18 e 28 anos têm medo do futuro, e 78% apontam a ansiedade como sentimento predominante, dados da Teach the Future Brasil de 2025 que reforçam a predominância da Futurofobia. O termo foi cunhado pelo autor Héctor García Barnés e revela a sensação de que o amanhã será pior que o presente entre essa geração. Fatores como a crise climática, instabilidade econômica e desigualdade reforçam esse conceito.
O grande pessimismo com o que está por vir é evidenciado também pelo fato de 62,8% dos jovens acreditarem que os problemas de hoje vão se agravar ou acabarão com o planeta como o conhecemos (Questtonó, 2024). 44% relataram estar vivendo a pior fase de suas vidas, em comparação com a média de 30% para outras gerações (ADULTΟΡΙΑ, 2024).
“É inegável que a Geração Z enfrenta um cenário de incertezas sem precedentes. O medo do futuro e o pessimismo não são meros caprichos, mas reflexos de um mundo em constante ebulição, marcado por crises climáticas, instabilidade econômica e avanços tecnológicos rápidos. Os dados confirmam que ela está profundamente apreensiva com o amanhã e é crucial que as empresas e a sociedade em geral compreendam suas angústias e co criem soluções que lhes permitam sonhar e construir um futuro mais promissor”, explica Blasi.
Geração Z e o mercado de trabalho
Até o final do ano, a Geração Z deverá representar 27% da força de trabalho global, atingindo 58% até 2030 (ManpowerGroup, 2024). Mesmo assim, 57% se mostram pessimistas quanto ao início de suas carreiras (Handshake Network Trends, 2025). Uma parcela significativa (55%) já assume seus próprios gastos mensais, mas 33% enfrentam sérias dificuldades financeiras, com a baixa remuneração em cargos iniciais sendo um dos fatores críticos para esse cenário (SERASA, 2024; Vidalink, 2024).
Mesmo com todas essas inseguranças, a jornada profissional é um fator importante para a construção de identidade para 48% desse grupo, a frente de hobbies e atividades culturais, sendo que 94% valorizam o senso de propósito no trabalho, e 46% já deixaram um emprego por falta dele, segundo dados da Deloitte Brasil de 2025. O jovem então busca equilíbrio, propósito e objetividade, não necessariamente trabalhar menos.
Analisando o desempenho de mais 500 jovens aprendizes elegíveis à efetivação, a Leapy identificou que as competências comportamentais mais valorizadas pelos gestores entre aqueles que foram efetivados são comprometimento, relacionamento interpessoal e organização.
“A Geração Z não está apenas ingressando no mercado de trabalho; ela está redefinindo o que significa trabalhar. Embora busquem propósito, eles questionam as hierarquias tradicionais e a lógica de ‘vestir a camisa’ sem reciprocidade, exigindo ambientes que ofereçam segurança psicológica, valorizem o bem-estar e promovam um senso de pertencimento autêntico. Para os líderes, o desafio e a oportunidade residem em criar pontes de diálogo intergeracional e redesenhar processos que realmente coloquem o jovem no centro, cultivando uma cultura que os permita prosperar”, destaca Matheus Fonseca, cofundador da Leapy.
76% da Geração Z utiliza a IA no trabalho e também na vida pessoal (EY, 2025). Embora 50,6% considerem o advento dessa tecnologia positiva, citando aumento de eficiência e produtividade, há preocupações com o risco de desemprego (55,3%).
Entre a autonomia e a instabilidade: o desafio financeiro da Geração Z
Com apenas 10% dos jovens tendo acesso à educação financeira em casa (SERASA, 2024), essa geração assume responsabilidades financeiras precocemente. A baixa remuneração em cargos iniciais é um fator determinante, levando a dificuldades financeiras para 33% dos jovens e resultando em 47% relatando uma situação financeira “ruim ou muito ruim” (Croma Solutions, 2024; Vidalink, 2024). Essa lacuna de conhecimento e a realidade salarial contribuem para o endividamento, a busca por fontes rápidas de renda e um ciclo de estresse e culpa que impacta diretamente a saúde mental.
Nesse cenário, o relatório também acende um alerta sobre a crescente participação em apostas online: 25% da população entre 16 e 28 anos utilizou aplicativos de casas de apostas no último ano (Anbima, 2024), e um preocupante índice 45% considera a possibilidade de empréstimos para continuar apostando (Futuros Possíveis, 2025).
A fragilidade financeira da Geração Z é agravada pela disparidade entre o salário mínimo oficial e o valor ideal para uma vida digna, com o salário mínimo ideal sendo 4,66 vezes superior ao valor atual (DIEESE, 2025). Essa discrepância, somada à baixa remuneração em cargos iniciais – 67,1% dos jovens celetistas recebem abaixo da média de R$1.854 segundo o estudo Os jovens e um futuro do trabalho com inteligência artificial, 2025 – impede a construção de uma base financeira sólida.
Apesar dos desafios revelados, o estudo também aponta caminhos. “A escuta ativa e o diálogo intergeracional surgem como ferramentas essenciais para transformar o futuro do trabalho. Ao traduzir dados em cultura, o levantamento inspira líderes e empresas a repensarem sua relação com a Geração Z, promovendo uma nova lógica de pertencimento, propósito e bem-estar”, contextualiza Blasi.
