Reconhecimento de Tereza Bettinardi destaca curadoria, pensamento crítico e produção de conteúdo como novas formas de influência criativa no cenário global
O design contemporâneo tem expandido suas fronteiras para além dos grandes estúdios e mercados tradicionais. Um reflexo desse movimento apareceu no novo levantamento da Creative Boom, que reuniu mais de mil profissionais criativos de diferentes países para mapear os designers mais admirados de 2026. Entre nomes reconhecidos mundialmente, a brasileira Tereza Bettinardi surge como um dos destaques da lista, reforçando o crescimento de vozes latino-americanas no cenário global do design.
Conhecida por sua atuação em design editorial, identidade visual e publicações, Bettinardi vem construindo uma trajetória que ultrapassa a estética visual. Fundadora do Clube do Livro do Design e diretora de arte da Ercolano, a designer se consolidou como uma das profissionais que ajudam a ampliar o debate sobre pensamento crítico em design no Brasil, especialmente ao produzir conteúdo em português em um mercado historicamente concentrado em referências internacionais e produções em inglês.
A presença da brasileira no ranking evidencia uma mudança importante na dinâmica de influência criativa. Se antes o protagonismo no design estava fortemente ligado a grandes centros como Nova York, Londres ou Berlim, hoje a circulação de conteúdo digital, a formação de comunidades criativas e o fortalecimento de curadorias independentes abrem espaço para profissionais de diferentes contextos culturais ganharem relevância internacional.
Nesse cenário, o design passa a ser entendido não apenas como construção estética, mas também como produção de pensamento. Curadoria, pesquisa, educação e criação de repertório cultural se tornam ativos tão importantes quanto identidade visual ou direção de arte. O reconhecimento de Tereza Bettinardi reforça justamente essa transformação: a influência criativa agora também nasce da capacidade de conectar pessoas, organizar conhecimento e estimular novas leituras sobre o próprio papel do design na sociedade contemporânea.
Esse movimento acompanha uma valorização crescente de perspectivas locais no mercado global. Em vez de buscar apenas uma linguagem universal padronizada, o design contemporâneo tem demonstrado maior interesse por narrativas autorais, referências culturais específicas e processos que reflitam diversidade de experiências. Para profissionais latino-americanos, isso cria espaço para que identidade cultural deixe de ser barreira e passe a funcionar como diferencial competitivo.
Ao mesmo tempo, iniciativas como o Clube do Livro do Design mostram como comunidades e plataformas de conteúdo vêm assumindo papel estratégico na formação do setor. Mais do que consumir tendências, designers passam a construir ecossistemas próprios de troca, aprendizado e reflexão, fortalecendo a produção intelectual da área e ampliando o acesso ao debate criativo.
A entrada de Tereza Bettinardi em uma lista global construída a partir da percepção de outros profissionais do mercado simboliza justamente essa virada: um design menos centrado apenas em grandes corporações e mais conectado a repertório, pensamento crítico e construção coletiva de influência.
