Quem (de fato) cria; e quem (só) copia

Por Redação

06/08/2026 08h45

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Lá atrás, por volta de 2020 — nem faz tanto tempo assim, mas na prática faz! —, eu  escutava, encantada, a Martha Gabriel falando sobre inovação. E continuo escutando  até hoje. Naquela época, quando tudo isso ainda engatinhava, ela dizia que, para  entender de verdade o movimento da IA, da internet das coisas, da integração com  gadgets e de todas as promessas que estavam por vir — óculos, rings e tantos outros  dispositivos —, a gente precisava experimentar. Testar. Porque, sem essa vivência,  estaríamos apenas assistindo de fora ao que os consumidores já começavam a  experimentar na prática. 

Foi aí que eu comecei. Aos poucos, fui entendendo quais ferramentas ajudavam com o  braço, com a execução, e quais poderiam ajudar com o cérebro, com a construção.  Machine learning, segurança, armazenamento… tudo isso que a gente costuma colocar  dentro desse grande pacotão chamado IA. Pois bem. Esses dias li uma chamada na  Exame que dizia: “Você foi feito para criar. O Claude foi feito para executar.” Dentre  outras pautas que se seguiam ao título, essa frase ficou ecoando por aqui. Ela resumiu  muito bem a forma como eu tenho sentido essa relação entre o que é criado pelo humano e o que é gerado 100% pela IA. 

Não vou aqui gastar nosso tempo tentando convencer ninguém a nada. Não sou  mentora, guru, coach, nem nada que o valha, mas gostaria de compartilhar com vocês um bocadinho de como tenho lidado com as ferramentas que têm viralizado pros lados de cá, pra quem cria conteúdo. 

Quando crio, escrevo um texto, desenvolvo um plano ou construo uma estratégia, chego ao final com aquele sentimento de quem fez a faxina que estava adiando no closet. Sabe aquele orgulho, aquela sensação boa de dever cumprido? É exatamente isso. Tem intenção. Tem transpiração. Tem DNA. Muito além das metodologias. E o melhor: sinto segurança e satisfação em apresentar, a sustentação flui, a defesa não requer grandes esforços, porque existe naquela entrega uma verdade fundamentada no que é proprietário para aquela marca, dentro daquele contexto, daquela cultura. É genuíno. 

Mas, quando lanço mão das ferramentas de IA para este fim, o de criar, pensar, construir, confesso que, até aqui, ainda não consegui sentir o mesmo entusiasmo. Não consegui vibrar de verdade com a entrega. E, quase sempre, acabei refazendo. Por  hábito? Por intransigência? Resistência? Ainda não sei. Só sei que é assim que tenho sentido. Enquanto consumidora, assisto ainda mais entristecida ao show de horrores  que tem se tornado o feed de algumas marcas, com excesso de IA veiculando um conteúdo repetitivo, sintético e impessoal.  

Como braço, a IA ajuda muito. Tira pesos desnecessários, acelera processos, libera  tempo para o que realmente importa e isso a gente não discute mais. É fato. Mas para engajamento verdadeiro a partir dos esforços de comunicação das marcas, ainda falta bossa. Já quero é que chegue a próxima onda, quando a gente vai olhar pra trás e lembrar dos dias atuais assustados, refletindo o absurdo que eram as campanhas horrendas criadas 100% por IA. Ou, ainda, quando teremos evoluído tanto que geraremos 100% por IA, com uma entrega superior à realizada anteriormente pelo humano. 

Steve Jobs dizia que “a criatividade nasce da capacidade de conectar experiências aparentemente desconectadas”. Nossa visão sistêmica, repertório e a capacidade  humana de trabalhar com a multiplicidade de saberes ainda hão de garantir nossa cadeira na sala por um tempo. Seguimos! 

Camila Coutinho
Consultora em Estratégia, Marketing e Branding e Fundadora da Nexum Mkt e Resultados
Camila Coutinho é Mestre em Administração com ênfase em Mercado, Estratégia e Finanças, especialista em Marketing, professora da Pós-Unifor e apaixonada pelo mercado, por gente e por resultados. Cursou Estrategic Business na Columbia University (NY) e atua há 26 anos no mercado, nas áreas Comercial e Marketing, entregando resultados positivos na última linha, em empresas de pequeno, médio e grande porte dos setores da Indústria, Serviços e Varejo.