A Era do Design “Instagramável” tem, sim, suas vantagens. Com ela, elevamos o nível visual e democratizamos o que chamamos de alfabetismo visual. O olhar das pessoas ficou mais educado para o belo, para a estética. Mas, como tudo na vida, existe um outro lado: o do “bonito, mas vazio”. E essa talvez seja uma das consequências mais silenciosas, e mais perigosas, para o universo das marcas.
Marcas com excelente estética, mas vazias de alma. Vazias de substância: propósito, valores, narrativa, posicionamento, levando o branding, em muitos casos, a um exercício superficial de estética.
Resultado: marcas comoditizadas, sem diferenciais claros e verdadeiros. A identidade visual de uma marca não deveria começar no Illustrator, deveria começar no seu propósito e no seu posicionamento.
Vivemos uma onda de redesigns mascarados de rebrandings. Uma verdadeira avalanche de atualizações visuais sem qualquer fundamentação estratégica. Somente rebrandings genuínos conseguem alinhar estratégia e estética.
Marcas são ativos intangíveis de longo prazo. Não são objetos de decoração. Quando um elemento visual nasce sem estratégia, ele pode ser tudo, menos uma marca. A Apple não é minimalista porque minimalismo é bonito, a Apple é minimalista porque simplicidade é o seu posicionamento. Eliminar o excesso sempre foi parte do que a marca acredita.
E o commodity visual? São marcas genéricas. O famoso “padrão estética de startup”: cores em degradê, sans serif geométrica, ilustrações flat, logos minimalistas. O problema é que a gente troca os logos e ninguém percebe. E quando ninguém percebe a troca, é porque nunca houve, de fato, uma marca ali, só estética. Isso é commodity visual.
Então, o que eu quero alertar aqui é simples: Antes de escolher a cor da sua marca, escolha o que ela quer significar no mundo, porque, no fim, a era que deveríamos estar construindo não é a era da estética. É a era do significado.
