O abismo entre Planejamento e Execução: onde os times de Marketing, Vendas e Sucesso do Cliente se perdem na Jornada do Cliente

Por Redação

24/04/2025 18h01

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Não é novidade a importância de uma jornada do cliente integrada e fluida para impactar diretamente na geração de receita das empresas e na satisfação dos clientes com as marcas . Os setores que estão na linha de frente da Operação de Receita (Revenue Operations), como Marketing, Vendas e Sucesso do Cliente, já sabem que, para garantir o sucesso dessa operação, é necessário que a passagem de bastão seja ágil e eficaz. 

E por que isso não acontece? No livro Execução: A Disciplina para Atingir Resultados, Ram Charan e Larry Bossidy oferecem uma resposta direta: o problema não está no planejamento, mas na falta de execução disciplinada. Segundo os autores, a execução não é algo separado da estratégia — ela é parte essencial dela. E é justamente aí que muitas organizações erram: criam planos brilhantes, mas não desenvolvem a disciplina e os mecanismos necessários para fazer com que esses planos saiam do papel.

Existem vários fatores que contribuem para essa falha e vamos fazer uma reflexão sobre os principais pontos que tenho observado ao longo de mais de 20 anos liderando essas áreas, para que possa ajudar você a identificar quais falhas estão mais presentes na sua empresa e corrigir o quanto antes.

Baixo envolvimento da liderança: por mais que os líderes tenham comprado a ideia da necessidade da integração entre as áreas de geração de receita, se eles não se envolverem diretamente em fazer essas alianças, é quase impossível o time fazer. Lembre disso, líder: se as falhas existem no seu setor, que você é 100% responsável, imagina entre setores, onde você não tem gestão completa. 

Falta de Visão da Floresta: costumo dizer que é comum os profissionais, na ansiedade de começar a executar, seja gerada pela pressa nos resultados ou excesso de cobrança, costumam “descer para as árvores antes de ter a visão da floresta”. Isso significa que os profissionais dessas áreas de Receita precisam primeiro entender o contexto do todo, onde cada um vai atuar dentro da macro jornada, para depois entender o que vai fazer no específico. 

Falta de Balanço e Consequência: uma vez que são estabelecidas as regras de passagem de bastão, geralmente as pessoas relaxam. Mas é justamente aí onde entra um ponto relevante – quem é responsável pelo quê e o que acontece se não entregar. Não estou dizendo que temos que demitir na primeira falha de entrega, mas precisamos garantir que os papéis estejam claros e que as pessoas entendam o que acontece quando o resultado não é entregue.

Cultura que não valoriza a execução: é bem comum as empresas atualmente colocarem muito glamour na estratégia, e até esperarem a estratégia perfeita para começar a agir. “Precisamos de mais dados”, “um planejamento mais detalhado e consolidado”. Clareza é primordial, mas nada tem a ver com excesso. Pelo contrário, quanto mais objetivo, melhor. Por isso, comece com os dados que tem e ajuste no caminho.

Falta de (poucas) métricas e acompanhamento: mais importante que um processo bem desenhado e regras bem escritas são as métricas que vão medir se estamos no caminho certo. Não conseguiu a métrica ideal? Começa com o que tem e vai melhorando. E o principal: acompanhar essa métrica de perto. O acompanhamento é o que garante a evolução. Desenhar a jornada e visitar uma vez por ano não gera integração. 

Excesso de metas e foco disperso: as organizações que já possuem os 3 times de geração de receita minimamente estruturados geralmente passam pelo momento em que erram a mão na quantidade de indicadores e frentes de atuação. Planejar muito também pode ser um problema. A execução exige foco, priorização e disciplina. Quem tenta fazer tudo, geralmente não faz nada bem.

Foco em ferramentas e não em processos: todo dia eu recebo no meu WhatsApp pedidos de indicação de ferramentas para qualificação de leads, sales engagement, customer success, etc., como se a salvação dos problemas estivesse em escolher o melhor software. A imensa maioria das empresas não utiliza metade do potencial das ferramentas que já tem em casa e ficam pulando de tecnologia em tecnologia quando o problema está muito mais presente nos processos executados pelas áreas. 

Finalmente, planejar é essencial, mas é superestimado. As empresas que prosperam são aquelas que tratam a execução com a mesma seriedade com que tratam a estratégia. Elas entendem que entre o PowerPoint da reunião e a entrega final existe um campo de batalha chamado ação, onde vencem os mais disciplinados, organizados e comprometidos.

Fernanda Rocha
CRO e Estrategista em Revenue Operations
CEO da Revening Educação e Estrategista em Revenue Operations, especializada na estruturação de modelos previsíveis e escaláveis de crescimento de receita, conectando Marketing, Vendas e Customer Success. Pioneira no Brasil como Chief Revenue Officer (CRO), há mais de 10 anos estrutura máquinas de crescimento baseadas em RevOps. Com mais de duas décadas de experiência executiva, sendo 10 anos em posições C-Level, atua como consultora e mentora de empresas em fase de crescimento e transformação. É colunista do portal Nosso Meio, onde assina a coluna Reviravolta, com reflexões sobre estratégia, liderança e crescimento. É mestre em Administração com foco em Marketing (UFC), especialista em Finanças (IBMEC) e graduada em Comunicação Social (UFC).