Inovação

Visa e Banco do Brasil testam compras feitas por IA

Por Redação

20/04/2026 17h26

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Linkedin

Parceria marca avanço do agentic commerce no país, com transações realizadas por agentes inteligentes

Visa e o Banco do Brasil iniciaram no Brasil os primeiros testes de um novo modelo de consumo em que compras são realizadas por agentes de inteligência artificial, sem a necessidade de interação direta do usuário. A iniciativa representa a chegada do chamado agentic commerce, conceito que propõe automatizar toda a jornada de compra a partir de preferências previamente definidas.

Na prática, o consumidor deixa de executar cada etapa do processo e passa a estabelecer critérios como faixa de preço, tipo de produto ou marcas de interesse. A partir disso, sistemas baseados em IA assumem a operação, pesquisando opções, comparando ofertas e concluindo a transação de forma autônoma.

O projeto já resultou na primeira compra feita por um agente de inteligência artificial no país, ainda em ambiente controlado. A operação contou com tecnologias como tokenização e autenticação em tempo real, garantindo segurança ao processo mesmo sem a ação direta do usuário no momento da compra.

O avanço sinaliza uma mudança estrutural no e-commerce. Em vez de navegar, escolher e pagar, o consumidor passa a atuar como um “definidor de intenções”, delegando decisões operacionais aos algoritmos. Nesse cenário, a lógica de disputa no varejo também se transforma: empresas deixam de competir apenas pela atenção humana e passam a buscar relevância dentro dos próprios sistemas de IA.

Essa mudança reposiciona o papel do marketing e das estratégias digitais. Mais do que atrair cliques ou engajamento, marcas precisarão estruturar dados e reputação de valor de forma que sejam reconhecidas e priorizadas por agentes inteligentes. A decisão de compra, antes emocional e influenciada por estímulos visuais e narrativos, tende a se tornar mais orientada por eficiência, critérios objetivos e histórico de desempenho.

O chamado agentic commerce aponta, assim, para um cenário de conveniência radical, em que o tempo do consumidor é cada vez menos demandado e a experiência de compra se torna invisível. Para o varejo, o desafio será se adaptar a um ambiente onde não basta ser escolhido por pessoas, mas também por máquinas.