Há 27 anos, comecei a jornada de conhecer o mundo, sempre com olhar curioso, de pesquisador. Andei por mais de 100 países e, na mesma medida, fui me aprofundando no Brasil. O que começou como curiosidade virou pesquisa profissional. Hoje, com um olhar mais maduro, desbravo o Brasil, em especial o Nordeste, dos seus sertões aos seus litorais, atrás do maior patrimônio que existe por trás de um país, o povo que o fez. O maior patrimônio do Brasil é o brasileiro. O maior patrimônio do Nordeste é o nordestino, seus saberes, suas complexidades, suas culturas e histórias, seus ofícios, suas materialidades, sua inteligência criativa e construtiva, seus legados.
Essa frase virou o centro da minha pesquisa depois de ouvir mestres como os que encontrei no Cariri, nos interiores de Pernambuco, no sertão paraibano, nos entornos do Rio São Francisco e em tantos outros nordestes criativos, gente que carrega técnica, história e origem em cada peça que produz, há gerações, sem nunca terem sido convidados pra conversa que define o que é sofisticado ou relevante.
Essa coluna nasce para contar essas histórias com nome, técnica e lastro. Vou falar sobre identidade brasileira, sobre a potência cultural do Nordeste e sobre um propósito que guia meu trabalho há 22 anos, posicionar o Nordeste entre os lugares mais chiques e autênticos do planeta.
Isso exige um movimento duplo. Para o mundo, apresentar uma cultura de profundidade e sofisticação raras. Para o próprio nordestino, mostrar a grandeza histórica que ele sempre carregou, para que se reconheça nela antes de se orgulhar dela. Conhecer a própria história é o primeiro passo. Virar embaixador dela é o segundo.
Vou trazer aqui pesquisa de campo, histórias reais de gente que constrói identidade com as mãos, e reflexões sobre como transformar origem em valor, seja em um projeto, numa marca ou numa vida inteira. O mundo está conhecendo as belezas das praias nordestinas. Quando descobrir a riqueza cultural que circula por aqui, vai ter taquicardia.
