Um dos principais indicadores do crescimento de uma empresa sempre foi o número de funcionários que trabalham nela. É natural: à medida que a operação cresce, aumentam os departamentos, as equipes e, como consequência, as camadas de gestão. Mas a inteligência artificial está começando a desafiar este modelo. Será que grandes empresas precisarão de estruturas tão robustas no futuro?
Uma tendência que está despontando no Vale do Silício são os chamados High-impact Individual Contributors, algo como os “profissionais individuais de alto impacto”. Pessoas altamente experientes capazes de conduzir projetos de ponta a ponta, conectando estratégia e execução com apoio da IA.
Historicamente, o mundo corporativo promove seus melhores especialistas a gestores. Ou seja: quanto mais experiência, mais distante da execução. É aí onde entram os HICs. E se os profissionais mais valiosos do futuro não forem os que lideram grandes times, mas os que conseguem gerar impacto para o negócio executando sozinhos o trabalho de um departamento inteiro?
Hoje, uma única pessoa consegue criar protótipos, programar, analisar dados, desenvolver apresentações, testar campanhas e automatizar tarefas sem depender tanto de outros departamentos. Em alguns casos, é até mais eficiente executar experimentos do que participar de longas reuniões de alinhamento.
Embora a IA funcione como uma “inteligência média” e talvez não seja tão brilhante ou revolucionária em tudo, ela já é suficientemente boa em diversas atividades. Em um cenário onde criar e testar ficou muito mais rápido, muitas vezes o feito é melhor do que o perfeito.
Apesar do entusiasmo crescente pelos HICs, isso não significa que toda empresa caminhará para um modelo enxuto operado por “super profissionais”. Hoje, ele parece fazer mais sentido em startups, empresas em estágio inicial e projetos experimentais de médias e grandes empresas, ambientes em que a velocidade de execução e aprendizado costuma ser mais importante do que processos altamente estruturados.
Mas é importante não romantizar o “exército de uma pessoa só”. Empresas continuam sendo sistemas humanos. A IA ajuda a reduzir parte da burocracia operacional, mas dificilmente substituirá a criatividade, a visão estratégica e a inteligência coletiva.
