O que a maratona me ensina sobre empreender

Por Redação

19/05/2026 09h28

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Por Bruno Bastos, cofundador da Gocase

Acordo às quatro da manhã, Fortaleza ainda escura, calço o tênis e saio. Faço isso há anos, com consistência. Entre 50 e 100 km por semana, dependendo do ciclo. Em abril, levei essa rotina até a largada da Maratona de Londres, mirando um sub-3h. E é treinando para 42 km que percebo, cada vez mais, o quanto a corrida tem a me ensinar sobre empreender.

Manter esse hábito não é simples. Minha rotina envolve muita viagem. China, Europa, fusos que viram a noite do avesso. Tem semana em que durmo em três fusos diferentes. E é justamente nesses dias que a disciplina pesa mais: acordar cedo num hotel em Shenzhen, com o corpo achando que ainda é madrugada, e mesmo assim sair para correr. Não é heroísmo, é hábito. O que descobri ao longo do tempo é que manter a constância nessas circunstâncias, em vez de pausar tudo até voltar para casa, é o que separa quem corre por temporadas de quem corre de verdade. Empreender é parecido. O mundo não para porque você está cansado ou fora do lugar.

A primeira lição da maratona, porém, aparece antes mesmo da prova começar. Aparece no medo. Você treinou meses, abriu mão de coisas, fez tudo o que estava ao seu alcance e, ainda assim, na véspera, não tem garantia nenhuma de que o corpo vai responder. É o mesmo aperto de lançar um produto novo, fechar uma rodada, entrar num mercado. O trabalho foi feito, mas o resultado não está totalmente nas suas mãos. A maratona ensina que essa angústia não é defeito. É parte de perseguir meta difícil. E é o que faz chegar valer a pena.

Outra coisa que a corrida reforçou em mim foi a importância de olhar dados. Acompanho variabilidade cardíaca, tempo em zona, recuperação. Nada disso substitui a percepção do corpo. Calibra. Na Gocase é a mesma lógica, e sempre foi: desde o começo a gente foi muito adepto a olhar métricas para conseguir entregar o melhor. Sentir e medir, juntos.

No meio do caminho, sempre aparece obstáculo. Uma lesão, uma virose, uma dor não prevista. Quem insiste no plano original como se nada tivesse acontecido se machuca. Quem entende que o jogo é longo recalibra rápido e segue. Na empresa não é diferente. Você erra, falha, um fornecedor cai, o mercado vira. A maturidade é mexer rápido para continuar caminhando, em vez de teimar no roteiro.

Tem ainda o dia em que o despertador toca e a última coisa que se quer é levantar. Não tem motivação, tem combinado. Na empresa é igual. Tem a conversa difícil, o e-mail adiado, a decisão impopular. Vontade quase nunca aparece para essas tarefas e mesmo assim elas precisam ser feitas.

No fim, o que a maratona me ensina é que tudo que importa se constrói por constância. É voltar amanhã, mesmo sem vontade, mesmo quando o plano muda, mesmo sem garantia de que vai dar certo. Na pista e na empresa, a equação é a mesma.

Colaborativa
A Coluna Costume Saudável propõe uma reflexão sobre como hábitos de saúde e bem-estar impactam diretamente a forma de liderar e fazer negócios. Mais do que falar sobre treinos ou rotina, o espaço investiga como disciplina, constância e autocuidado fortalecem decisões, ampliam a clareza estratégica e moldam lideranças mais resilientes, porque performance também começa fora da sala de reunião.