Setembro chegou. E, com ele, entramos oficialmente no “BRO”: setembro, outubro, novembro e dezembro. No mercado, a expressão costuma marcar aquela reta final em que tudo parece acelerar. Metas precisam ser entregues, budgets começam a ser discutidos, projetos entram na corrida pelo fechamento do ano e 2027, que parecia distante, de repente já está na sala de reunião.
No marketing jurídico, é preciso acontecer o mesmo. Mas ainda é comum encontrar escritórios e profissionais que começam a pensar no próximo ano apenas quando janeiro chega. É quando surgem as perguntas sobre os cenários, objetivos, metas mensuráveis, orçamento anual. O problema é que, quando o planejamento começa em janeiro, boa parte do ano já começou sem direção.
O planejamento de marketing jurídico de 2027 precisa começar agora. E não estou falando de montar uma agenda de posts. Planejar marketing para um escritório profissional do Direito significa olhar para o negócio antes de olhar para a comunicação.
Onde queremos crescer? Quais áreas serão prioritárias? Que setores econômicos queremos desenvolver? Quais clientes desejamos reter e quais relacionamentos podemos ampliar? Que sócios precisam ganhar maior posicionamento? Onde estão as oportunidades de cross selling? Quais eventos realmente fazem sentido? Em quais rankings queremos estar? Quanto estamos dispostos a investir? É somente depois dessas respostas que deveria nascer o plano de marketing.
Esse talvez seja um dos grandes equívocos que ainda cercam o marketing jurídico: tratá-lo como um calendário de ações, quando ele deveria ser consequência da estratégia do escritório. E o “BRO” é uma excelente oportunidade para inverter essa lógica.
Setembro pode ser o mês do diagnóstico. É hora de olhar para 2026 e entender o que funcionou, o que consumiu energia sem produzir resultado e o que sequer deveria continuar existindo. Não apenas likes ou alcance, mas propostas geradas, clientes conquistados, oportunidades abertas, relacionamentos desenvolvidos, eventos que produziram conversas relevantes e iniciativas que efetivamente fortaleceram a marca.
Outubro e novembro são meses para transformar essas informações em escolhas. Porque planejamento estratégico também significa dizer não. Não é necessário estar em todos os eventos, produzir conteúdo sobre todos os assuntos, investir em todas as plataformas ou perseguir todas as oportunidades. Marcas fortes sabem escolher os espaços que desejam ocupar.
E dezembro deveria encontrar o escritório com 2027 minimamente desenhado: prioridades definidas, orçamento previsto, responsabilidades distribuídas, indicadores estabelecidos e um calendário capaz de transformar estratégia em execução.
Há ainda uma razão comercial para antecipar esse movimento. O planejamento de marketing jurídico não pode caminhar separado do desenvolvimento de negócios. Se o escritório pretende crescer em determinado setor em 2027, por exemplo, o trabalho começa muito antes da primeira proposta comercial. É preciso estudar o mercado, mapear contas estratégicas, identificar decisores e influenciadores, produzir inteligência, construir relacionamentos e criar pontos de contato.
Negócios jurídicos B2B raramente acontecem por impulso. Eles amadurecem. Por isso, talvez a pergunta mais importante do planejamento não seja “o que vamos fazer em 2027?”, mas “onde queremos chegar em 2027?”. Parece uma diferença pequena. Não é. A primeira pergunta produz uma lista de ações. A segunda obriga o escritório a pensar em estratégia, e o marketing jurídico de verdade precisa começar exatamente aí.
Então, sim: o BRO chegou. Enquanto muita gente olha para setembro pensando nos quatro meses que faltam para terminar o ano, os escritórios e profissionais mais preparados podem olhar para o mesmo período de outra forma. Porque 2027 não começa em janeiro. Para quem planeja, já começou.
