Mercado

Estudo do Sinapro aponta salário médio de R$4,3 mil e mulheres como 59% do setor publicitário

Por Redação

27/04/2026 08h30

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Linkedin

A maioria das agências (78%) relatou trabalhar em Home Office, no modelo híbrido ou remoto, mas o modelo de contratação depende da região

Sistema Nacional das Agências de Propaganda — composto pela Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda), por 19 Sinapros e por 03 Delegacias que operam em todo o País — concluiu a Sondagem do Cenário de Remuneração nas Agências. O estudo, realizado junto a 91 agências de diferentes perfis de 23 estados, no último trimestre de 2025, com dados auditados por uma consultoria independente, traz informações sobre a composição de remuneração – incluindo salário base, bônus, comissões – para cargos específicos, o modelo de trabalho e um mapeamento dos diversos tipos de benefícios financeiros e não financeiros oferecidos aos colaboradores.

“Esta sondagem visa fornecer dados estratégicos para que as agências possam traçar políticas de pessoal essenciais para o desenvolvimento do negócio, em um mercado em constante transformação, no qual as pessoas são seus principais ativos”, afirma Ana Celina Bueno, presidente da Fenapro.

Sobre a remuneração, o levantamento, realizado pela Celerh, constatou que a média salarial praticada pelas agências situa-se em R$ 4.318,00, excetuando-se cargos de liderança e gestão. Foram mapeados mais de 200 cargos em 23estados.

O estudo foi segmentado por porte de agência e região, sendo que, entre as agências ouvidas, 65% contam com até 30 pessoas na equipe; 25%, com 31 a 99 colaboradores, e 10%, com mais de 100 pessoas. 

As mulheres são 59% dos colaboradores, e 40,6% delas estão em cargos de liderança. Estes dados sobre a representatividade feminina, especialmente, em posições de liderança, indicam o movimento inicial, por parte das mulheres, de ocupação de espaços historicamente masculinos e que, pela sensibilidade feminina, podem alicerçar outros avanços nessa área.

A maioria das agências – 78% – relatou trabalhar em Home Office, no modelo híbrido ou remoto, mas o modelo de contratação depende da região. Segundo relato dos entrevistados, o modelo remoto dá mais flexibilidade para contratar pessoas de outras regiões, apesar do trabalho 100% remoto ser raro. Além disso, 70% têm horário flexível. 

“A flexibilidade – expressa no home office ou horário flexível – deixou de ser um diferencial competitivo, pois isso não garante mais a atração de talentos, mas é fundamental para evitar que os colaboradores se sintam insatisfeitos”, comenta a presidente da Fenapro. 

Ela observa que a sondagem apontou a consolidação do modelo “anywhere office”, em que as agências contratam talentos em qualquer região do País, transformando o Brasil em um único grande pool de talentos. “Para as agências, isso representa uma oportunidade estratégica de arbitragem de custos e acesso a competências escassas fora do eixo Rio-SP”, afirma a presidente da Fenapro. Por outro lado, traz desafios como o de gerir uma cultura organizacional distribuída e decidir como a remuneração será definida, por listas nacionais unificadas ou regionalizadas. “A tendência aponta para modelos híbridos que ponderam custo de vida local com a senioridade e criticidade da posição”, explica Ana Celina.

Outra conclusão da sondagem é que a nova fronteira do “Employee Value Proposition” reside na personalização e no cuidado integral das equipes, o que inclui pacotes de benefícios flexíveis, onde o colaborador tem autonomia para montar sua cesta de acordo com o seu momento de vida, maximizando a percepção de valor do pacote de remuneração total.

Entre as 91 agências que responderam às questões sobre benefícios, 70% praticam horário flexível; 61% concedem day off na data de aniversário; 48% disponibilizam estacionamento e 40% incentivo à educação, 30% têm plano de academia; 29%, licença maternidade estendida; 24%, check up saúde, além de programas voltados à saúde mental, auxílio estacionamento e combustível.

Sobre os programas de gestão de pessoas, 48% das agências citaram contar com plano de cargos e salários; 59%, com avaliação de desempenho; 59%, com programa de desenvolvimento individual, além de pesquisas de clima. Também se constatou que as agências líderes estão migrando para uma gestão baseada em dados (People Analytics), conectando métricas de desempenho individual aos resultados de negócio para justificar investimentos em remuneração variável e bônus, elevando a meritocracia a um patamar técnico e transparente.

A análise do pacote financeiro revela que os benefícios representam uma fatia robusta, de 30% a 40%, do Custo Total do Colaborador. Enquanto os auxílios de curto prazo (saúde e alimentação) estão bem estabelecidos, nota-se uma subutilização de ferramentas de retenção de longo prazo, como a previdência privada, ainda restrita. O levantamento concluiu que, para competir com tech companies e startups que disputam os mesmos talentos de dados e tecnologia, as agências precisarão sofisticar seus pacotes, considerando bônus de assinatura e planos de previdência como alavancas para atrair e reter o C-Level e os especialistas sêniores.